equilíbrio normal entre divisões proliferativas e diferenciativas. Para garantir que os seus métodos fossem suficientemente expressivos, os autores incluíram um controlo positivo utilizando ratinhos com defeitos conhecidos no comportamento das células progenitoras neuronais. Nestes animais, foram detetadas anomalias claras, confirmando que a ausência de efeitos nos mutantes SYNGAP1 era genuína e não se devia a limitações técnicas.
Figura 1. Ausência de alteração dos números de células progenitoras embrionárias que expressam PAX6( células progenitoras apicais) ou TBR2( células progenitoras intermediárias) e da espessura global do córtex.( A) Controlo( CT), knockout para a SYNGAP1( − / −) e heterozigótico para SYNGAP1(+/ −). Cérebros de SYNGAP1 analisados por imunofluorescência de PAX6 e TBR2 no córtex somatossensorial em E18.5( n = 3 ratos / genótipo; ANOVA unidirecional, teste de comparações múltiplas de Dunnett: PAX6 – CT vs − / − p = 0,8805, CT vs +/ − p = 0,7600, F2,6 = 0,2097; TBR2 – CT vs− / −p = 0,2206, CT vs +/ −p = 0,6551, F2,6 = 1,507).( B) Espessura cortical no córtex somatossensorial de cérebros SYNGAP1 de controlo( CT), heterozigótico(+/ −) e knockout( − / −) em E18.5( n = 3 ratos / genótipo; ANOVA unidirecional, teste de comparações múltiplas de Dunnett: CT vs − / − p = 0,2708; CT vs +/ − p = 0,6740, F2,6 = 1,242). d = mede a espessura do córtex( Cortical thickness); DAPI( 4 ′, 6-diamidino-2-fenilindol): reagente de coloração fluorescente utilizado para visualizar o núcleo de células; UL: do inglês Upper Layers = camadas superiores do córtex; DL: do inglês Deep Layers = camadas inferiores do córtex; VZ: do inglês Ventricular Zone = Zona Ventricular.
Conclusão
Este estudo fornece fortes evidências de que a SYNGAP1 não é essencial para a função das células progenitoras embrionárias do neocórtex ou para as fases iniciais do desenvolvimento cortical em ratinhos. Apesar dos resultados anteriores de organoides humanos, os cérebros de ratinhos sem SYNGAP1 desenvolvem um número normal de células progenitoras, seguem padrões de divisão típicos e produzem as camadas corretas do neocórtex. Estas descobertas têm implicações importantes. Estes resultados destacam possíveis diferenças entre espécies, lembrando-nos que os resultados de sistemas modelo simplificados nem sempre se traduzem diretamente em todos os organismos vivos.
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