Miles e Flora: a subjetividade infantil em The Turn of the Screw / The Innocents
em ambos textos, sendo traçada uma imagem de que são superiores à maioria das crianças em beleza, inteligência e principalmente, em sua bondade e gentileza.
É impossível não fazer uma espécie de associação entre essas personagens e as visões da governanta( especialmente considerando o diálogo que justifica o título da novela) supondo que as crianças sejam vítimas devido a sua inocência e vulnerabilidade, e ao fato das aparições serem um elemento estranho, antinatural e, portanto, ameaçador.
Todavia, The turn of the screw é uma obra conhecida principalmente pelo seu teor ambíguo, como essa pesquisa procurou demonstrar através de exemplos retirados da novela e da adaptação fílmica, tendo como base trabalhos científicos da área de psicologia e textos de teoria literária.
Não há uma resposta definitiva que explique o comportamento de Miles e Flora nem que confirme se ele é bom ou mau, visto que suas ações podem ser explicadas de diversas formas, entre as quais, um comportamento típico de qualquer criança; ou indo no sentido oposto, as consequências da infância incomum que sua criação lhes proporciona, tendo elas que lidar com a perda e o luto muito cedo e mais de uma vez( seus pais e os empregados de quem eram próximos) a falta de atenção de seu único familiar, e no caso de Miles, os problemas sociais oriundos de sua( des) educação formal.
Outro ponto a considerar na explicação da ambiguidade no texto é a influência da narradora que também é uma personagem, o que faz com que a interpretação do leitor seja influenciada pela interpretação da mesma: na novela, em forma de palavras; no filme, transmitidas por meio de imagens que mostram seu ponto de vista e impressões. Mesmo que a governanta algumas vezes demonstre alguma dúvida quanto à índole e ao comportamento das crianças, é preciso atentar para os momentos em que ela mostra estar certa do que afirma, devendo o leitor considerar que ela não é onisciente e está sujeita a enganos acerca de
Miles e Flora e sobre que acontece ao longo da história.
Mesmo considerando a realidade dos fantasmas, ainda não estamos livres do questionamento acerca da postura das crianças diante das aparições. De acordo com a narradora, eles sabem que eles existem e são suas vítimas. Mas nada prova que, ao invés disso, na verdade eles sejam cúmplices.
Dessa forma, chegamos à conclusão que diversas passagens da novela e do filme podem ter mais de uma interpretação, podendo as duas principais serem sintetizadas da seguinte forma: os fantasmas existem ou os mesmos existem como um delírio. Tratando-se das personagens infantis, temos a dúvida sobre sua inocência ou interpretamos seus atos como malícia.
Como pontos que sustentam a hipótese das aparições serem um delírio de observação da governanta, colocando as crianças como vítimas de uma deseducação, temos a falta de familiaridade com o ambiente, sua história e características, visto que a governanta está enfrentando um trabalho novo em um lugar antigo; um possível sentimento de repressão sexual da personagem, causada pela paixão platônica pelo tio das crianças( que de certo modo é projetado nos modos adultos de Miles) o que poderia levá-la a uma paranoia de projeção de ego na figura do fantasma de Miss Jessel.
Tratando essa como a realidade, devemos ver as ações das crianças como responsabilidade das mesmas, podendo ser explicadas não por influência sobrenatural, mas talvez por uma questão social: os dois não recebem a devida atenção dos adultos a sua volta e não estão tendo uma infância normal, sendo criados numa propriedade antiga e isolada. Sendo assim, se as duas forem realmente boas, a governanta as vê como seres indefesos, que precisam de proteção, transformando qualquer elemento estranho em uma grande ameaça para as crianças.
Como argumento para a veracidade dos fantasmas, tratemos dos motivos para as aparições: se no universo de The turn of the
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