Miles e Flora: a subjetividade infantil em The Turn of the Screw / The Innocents
que certas informações sejam entregues gradativamente ao longo da narrativa( citando aqui um personagem anônimo do prólogo, em resposta a uma colega que ansiosamente indagava sobre o enredo:“ The story will tell” /“ a história dirá”)( JAMES, 2013, p. 3).
Nós começamos a ler a história em The turn of the screw com duas informações reveladas no prólogo: ela envolverá aparições sobrenaturais e duas crianças, ou seja, temos os ingredientes principais para o mistério propriamente dito. No entanto, essas informações apenas acentuam o mistério, e uma vez que nos deparamos com o cumprimento da promessa do prólogo, nos restam os segredos que circundam esses fatos: as aparições ocorrem fora da mente da narradora? Se sim, são de pessoas vivas, ou espíritos de mortos? Em ambos os casos, qual o motivo de estarem em Bly? E na segunda hipótese, qual a explicação para a presença de fantasmas? Eles têm algo a ver com as crianças?
Tratando-se do filme Os Inocentes, embora não haja uma representação específica da cena do prólogo, ainda assim podemos observar a grande carga de subjetividade das crianças na sequência de abertura, onde ouvimos uma voz que soa infantil( da cantora Isla Cameron, possivelmente com a intenção de representar a personagem Flora) entoando a música composta para o filme, O Willow Waly, uma cantiga de ninar( lullaby), que é geralmente direcionada a crianças, cuja letra melancólica, porém, dificilmente poderia ser associada ao universo infantil. Segue um trecho:
“ We lay my love and I beneath a weeping willow but now alone I lie and weep beside the tree” 4
Tanto a letra da canção como sua interpretação na voz infantil e sem nenhum acompanhamento instrumental, quanto o fato de que serve de fundo para uma simples tela escura que antecede o título, podem refletir muito do papel dos personagens infantis no filme: há um equilíbrio entre o claro e o oculto, entre a inocência e a malícia. Por que uma criança cantaria sobre assuntos tão adultos como amor romântico, luto e morte?
No filme, Flora frequentemente é ouvida murmurando a melodia, e quando questionada, afirma tê-la aprendido com Mrs. Grose. No entanto, a governanta deduz que a menina conhece a canção a partir do som de uma caixa de música( mais um objeto comumente associado ao universo infantil). Também pode ser feita a associação da canção com sua governanta anterior, a falecida Miss Jessel, cujo espírito supostamente assombra a propriedade de Bly.
Essas são algumas amostras do alto teor de subjetividade inerente aos personagens infantis, que podem ser analisadas tanto na novela como no filme, cada um à sua maneira e que consistem no principal propósito deste trabalho.
Resultados e discussões
The turn of the screw ou A volta do parafuso, escrita por Henry James e publicado pela primeira vez em 1898, conta uma história pelos olhos de uma governanta que não é nomeada em momento algum, mas é apresentada como uma mulher bonita, de vinte anos, que é“ a mais nova de várias filhas de um pastor do interior”( JAMES, 2013, p. 4). O enredo tem início quando a moça chega à propriedade de Bly, em Essex, interior da Inglaterra, a fim de trabalhar cuidando dos sobrinhos do proprietário da casa: os irmãos Miles e Flora, duas crianças por cuja educação ela também será responsável( inicialmente, em maior parte da menina, pois Miles frequentava um colégio interno e só voltaria para casa durante as férias).
O próprio título da obra é uma
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“ Nós deitávamos, meu amor e eu / sob um salgueiro chorão / Mas agora sozinho eu deito / e choro ao lado da árvore.”( tradução nossa).
Série Iniciados v. 23
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