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Estratégias semântico-argumentativas e enunciativas em charges sobre o processo de impeachment
da Argumentação da Língua( TAL), não só a língua é fundamentalmente argumentativa, mas também seu uso, conforme propõe Espíndola( 2004). Ducrot entende a argumentação como uma determinada orientação dada pelo locutor no discurso:“ el empleo de una palabra hace posible o imposible una cierta continuación del discurso”; e o valor argumentativo de uma“ palabra es el conjunto de esas posibilidades o imposibilidades de continuación discursiva que su empleo determina”( 1988, p. 51).
Na língua, há certos elementos que marcam conteúdos pressupostos nos enunciados, esses elementos são denominados marcadores de pressuposição. Koch define marcadores de pressuposição como elementos linguísticos que ficam à margem da discussão e“ quando presentes no enunciado, introduzem neles conteúdos semânticos adicionais os quais, sem a presença deles, não existiriam”( KOCH, 2010, p. 46), em outros termos, são elementos que deixam implícito algum fato ou informação no enunciado, o qual pode ser deduzido através do marcador de pressuposição a que a informação faz referência.
Koch( 2010) nos aponta a existência de alguns marcadores pressuposicionais, como os verbos começar a, deixar de, parar de, continuar, permanecer, tornar-se, advérbios como já, ainda, agora, entre outras palavras que indicam mudança ou permanência de estado. Exemplo 02: João parou de fumar( pressuposto:
João fumava) Exemplo 03 Paulo começou a trabalhar
( pressuposto: Paulo não trabalhava)
A autora menciona também os verbos factivos que são os verbos“ complementados pela enunciação de um fato( fato que, no caso é pressuposto): de modo geral, são verbos psicológicos, como lamentar, lastimar, sentir, saber, etc”( KOCH, 2010, p. 47, grifos da autora).
Exemplo 04:
Lamento que Julia não foi aprovada no teste.( pressuposto: Julia não foi aprovada)
Nesse enunciado o locutor fala sobre algo que aconteceu e que ele já está ciente e conhece( Julia não foi aprovada), o que o leva a agir de determinado modo a respeito daquele fato relatado( lamentar sobre o evento), vemos assim que a principal preocupação do loucutor não é propriamente informar sobre o acontecimento, mas expressar como ele se sente em relação ao ocorrido( lamenta). No caso de um interlocutor que escutasse o enunciado anterior pela primeira e desconhece o ocorrido com Julia, ainda assim seria capaz de deduzir a informação implícita a partir dos marcadores pressuposicionais presentes no comentário do locutor.
Koch( 2010) fala também que além dos marcadores pressuposicionais linguísticos – alguns dos quais já mencionados anteriormente aqui-, existem também subentendidos extratextuais que dependem do conhecimento de mundo do indivíduo para se conseguir deduzir a informação implícita. A autora dá o seguinte exemplo:
Os marcadores pressuposicionais linguísticos, bem como outros mais, ativam um fenômeno semântico-argumentativo denominado polifonia. Etmologicamente, o termo é formado pela junção das palavras poli( muito) e fone( som, vozes) significando, por conseguinte, muitas vozes ou várias vozes. Esse termo teve origem no âmbito dos estudos musicais, sendo originalmente utilizado para designar sobreposição de vozes em composições musicais. O termo passa, então, para a Linguística através dos estudos do linguista francês Oswald Ducrot( 1988) que questiona a unicidade do sujeito falante. Nascimento( 2009, pp. 20-21) diz que Ducrot objetivou " provar que um enunciado [...] pode ser perpassado por mais de uma voz, [...] Ducrot pretende mostrar que o autor do enunciado não se expressa nunca diretamente, mas põe em cena, no mesmo enunciado, um certo número de personagens linguísticos ". Ducrot se opõe, assim, a concepção tradicional de que o sujeito é uno e de que há nos enunciados apenas uma pessoa
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