Estratégias semântico-argumentativas e enunciativas em charges sobre o processo de impeachment
políticas e / ou sociais por que passa um pais [...]( ESPÍNDOLA, 2001, p. 108) O estilo verbal corresponde aos“ recursos lexicais, fraseológicos e gramaticais”( BAKHTIN, 2003, p. 279) utilizados na construção do gênero, assim no gênero charge temos como estilo verbal recursos semânticos-discursivos, tais como uso de discurso irônico, frases formuladas com intuito de produzir comicidade e, geralmente, a presença de linguagem coloquial na fala dos personagens, entre outros. A construção composicional está relacionada à estruturação geral interna do gênero, desse modo temos como construção composicional um gênero multimodal formado pela mescla de imagens e palavra, com forte caricaturizacão dos personagens, humor e satirizacão.
Considerando que os sujeitos utilizam a língua para atender aos seus desejos e interesses e negando a noção de objetividade da língua, introduzamos a noção de argumentatividade. Espíndola( 2004) que discorre sobre os estudos da retórica e argumentação feitos no decorrer da história, desde os estudos de Aristóteles até à contemporaneidade, com Ducrot e colaboradores. Nos estudos clássicos dos gregos, em especial Aristóteles, encontramos um grande interesse em compreender de que maneira se dá o processo de argumentação, ou seja, acerca de como o homem se utiliza da língua para defender suas ideias( argumentar) ou para convencer o seu interlocutor. Naquela época, a linguagem era estudada pela retórica, área do conhecimento que tinha por objetivo ajudar as pessoas a“ dominar as regras de uma boa argumentação”, em outras palavras, ensinar como se comunicar de um modo eficiente e elegante( ESPÍNDOLA, 2004, p. 12).
Contrapondo-se à perspectiva de argumentação clássica, por considerar que a língua desempenha um papel muito reduzido nos estudos da retórica, Ducrot afirma que a língua é o elemento central para a argumentação e cria uma teoria postulando que a argumentação ocorre em vários níveis da língua. Ducrot( 1988) considera que a argumentação não está nos fatos, mas na própria língua, ele chega a essa conclusão após a observação e análise de alguns pares de frases na língua que, apesar de se referirem ao mesmo fato, podem levar a conclusões diferentes e até contrárias.
A Teoria da Argumentação na Língua analisa os enunciados a partir de seu contexto de uso negando a concepção de que a língua é uma estrutura de sentido autônoma. Ducrot( 1988 apud Nascimento, 2005) afirma que o objetivo da teoria da argumentação é oporse à concepção tradicional do sentido que geralmente divide o sentido do enunciado em três categorias objetiva, subjetiva e intersubjetiva, sendo que“ as indicações objetivas consistem na representação da realidade, as subjetivas indicam a atitude do locutor frente à realidade e as intersubjetivas dizem respeito às relações do locutor com as pessoas a quem se dirige”( NASCIMENTO, 2005, p. 12).
Ducrot( 1988) se opõe a essa concepção tradicional do sentido porque, para ele, a linguagem não têm uma parte objetiva, tampouco crê que a linguagem seja essencialmente referencial( descritiva). O autor diz: No creo que el lenguaje ordinario posea una parte objetiva ni tampoco creo que los enunciados del lenguaje den acceso directo a la realidad; en todo caso no la describen directamente.( 1988, p. 50). Para o Ducrot( 1988) frases que são tidas como descritivas e objetivas, como, por exemplo,“ Pedro é inteligente”, revelam subjacentemente certa admiração a Pedro por parte do locutor o que, por sua vez, pode levar o interlocutor a assumir determinadas ações e atitudes em relação a Pedro. Portanto, até mesmo em frases aparentemente objetivas, encontramos aspectos subjetivos e intersubjetivos. Por esse motivo, o autor reúne os aspectos subjetivos e intersubjetivos da língua, denominando-os de valor argumentativo dos enunciados. Na perspectiva da Teoria
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