Série Iniciados Vol. 23 | Page 547

Tradução, história e desigualdades literárias:a literatura brasileira traduzida em Inglês Cidades com maior concentração de editoras que traduzem a literatura brasileira O levantamento realizado permitiu também fazer um mapeamento quanto ao lugar (cidade) de publicação (Gráfico 4). Do universo das cidades onde estão situadas as 37 editoras que publicaram as 88 traduções identificadas na pesquisa, selecionamos aquelas em que foram publicados três ou mais títulos traduzidos e fizemos a proporção – o que resultou em 77 obras traduzidas em 6 cidades. Gráfico 4. Proporção do número de obras traduzidas por lugar (cidade) da editora N = 77 Fonte: elaborado pelos autores Ficou evidenciado que, para além da esperada centralidade de Nova Iorque como espaço de recepção e difusão da literatura brasileira (respondendo por 61% das obras traduzidas), outras cidades desempenham papel estratégico na circulação da literatura brasileira, abrigando editoras independentes e/ou acadêmicas. Assim, Austin aparece em segundo lugar, com a Host Publication e a University of Texas Press respondendo por 15% das obras traduzidas, e, em terceiro e quarto lugares, Illinois (9%) e Massachussets (8%), que sediam, respectivamente, a Dalkey Archive Press e a Tagus Press. Conclusões Esta pesquisa permitiu evidenciar alguns aspectos relativos às condições de circulação da literatura brasileira no exterior e, mais precisamente, no contexto estadunidense durante o período de 2000 a 2015. No que diz respeito ao fluxo das obras traduzidas, ficou evidenciado que, no período estudado, houve um importante aumento no número de traduções, a média de obras por ano tendo sido de 5,5. Se compararmos com o 548 Série Iniciados v. 23 estudo de Gomes (2005) sobre as traduções da literatura brasileira para a língua inglesa no contexto dos Estados Unidos e da Inglaterra, que chegou à média de 2,8 obras por ano no século passado, o aumento é considerável. O mesmo se observa em relação ao período de 1995 a 2000 também contemplado no estudo de Gomes, quando a média de traduções, ainda em relação aos Estados Unidos e à Inglaterra, ficou em 3,5 obras por ano. Olhando mais de perto o que está sendo traduzido, a pesquisa revelou a preferência dos editores estadunidenses por autores brasileiros contemporâneos já estabelecidos no sistema literário nacional, em detrimento da nova geração recém-chegada no campo literário e das precedentes. Tudo ocorre como se a literatura brasileira não tivesse um passado, uma tradição, sendo, portanto, uma literatura desprovida de capital simbólico. O predomínio de escritores homens confirmou uma tendência mundial existente no sistema das traduções, onde as mulheres são pouco traduzidas. A presença das editoras independentes e acadêmicas, num ambiente bastante hostil às traduções como os Estados