Tradução, história e desigualdades literárias:a literatura brasileira traduzida em Inglês
Cidades com maior concentração de editoras
que traduzem a literatura brasileira
O levantamento realizado permitiu
também fazer um mapeamento quanto ao
lugar (cidade) de publicação (Gráfico 4). Do
universo das cidades onde estão situadas as
37 editoras que publicaram as 88 traduções
identificadas na pesquisa, selecionamos
aquelas em que foram publicados três ou
mais títulos traduzidos e fizemos a proporção
– o que resultou em 77 obras traduzidas em 6
cidades.
Gráfico 4. Proporção do número de obras traduzidas por lugar (cidade) da editora
N = 77
Fonte: elaborado pelos autores
Ficou evidenciado que, para além da
esperada centralidade de Nova Iorque como
espaço de recepção e difusão da literatura
brasileira (respondendo por 61% das obras
traduzidas), outras cidades desempenham
papel estratégico na circulação da literatura
brasileira, abrigando editoras independentes
e/ou acadêmicas. Assim, Austin aparece em
segundo lugar, com a Host Publication e a
University of Texas Press respondendo por 15%
das obras traduzidas, e, em terceiro e quarto
lugares, Illinois (9%) e Massachussets (8%),
que sediam, respectivamente, a Dalkey
Archive Press e a Tagus Press.
Conclusões
Esta pesquisa permitiu evidenciar
alguns aspectos relativos às condições
de circulação da literatura brasileira no
exterior e, mais precisamente, no contexto
estadunidense durante o período de 2000 a
2015.
No que diz respeito ao fluxo das obras
traduzidas, ficou evidenciado que, no período
estudado, houve um importante aumento no
número de traduções, a média de obras por
ano tendo sido de 5,5. Se compararmos com o
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Série Iniciados v. 23
estudo de Gomes (2005) sobre as traduções da
literatura brasileira para a língua inglesa no
contexto dos Estados Unidos e da Inglaterra,
que chegou à média de 2,8 obras por ano no
século passado, o aumento é considerável. O
mesmo se observa em relação ao período de
1995 a 2000 também contemplado no estudo
de Gomes, quando a média de traduções,
ainda em relação aos Estados Unidos e à
Inglaterra, ficou em 3,5 obras por ano.
Olhando mais de perto o que está sendo
traduzido, a pesquisa revelou a preferência
dos editores estadunidenses por autores
brasileiros contemporâneos já estabelecidos
no sistema literário nacional, em detrimento
da nova geração recém-chegada no campo
literário e das precedentes. Tudo ocorre
como se a literatura brasileira não tivesse um
passado, uma tradição, sendo, portanto, uma
literatura desprovida de capital simbólico.
O predomínio de escritores homens
confirmou uma tendência mundial existente
no sistema das traduções, onde as mulheres
são pouco traduzidas.
A
presença
das
editoras
independentes e acadêmicas, num ambiente
bastante hostil às traduções como os Estados