Produção biotecnológica de lipídeos e carotenóides utilizando o bagaço do sisal como substrato
Figura 9. Perfis de crescimento celular para o cultivo detoxificado (AD) e o não tratado (NAD)
6
5
4
3
2
1
0
0
20
40
60
Tempo (h)
80
100
120
Crescimento celular (AD)
Crescimento celular (NAD)
Fonte: Arquivo do autor
Os perfis mostrados na Figura 9 foram
obtidos para um cultivo de 120 h em meio
submerso sob agitação. Nas condições já
mencionadas, a produção máxima de células,
4,92 g/L, se deu em 96 h de cultivo para o
meio que recebeu o processo de detoxificação
e 2 g/L, no mesmo tempo de processo, para o
licor sem nenhum tratamento prévio.
Observa-se nitidamente que o
crescimento das células de microrganismos
foi bem mais eficiente na inoculação da
levedura no substrato detoxificado. Verifica-
se que o perfil de crescimento no licor tratado,
detoxificado, em todo o tempo de cultivo está
bem acima do cultivo inoculado no licor não
tratado.
Esse resultado é inferior ao obtido
por Silva (2016) utilizando a mesma cepa
da levedura R. mucilaginosa em um cultivo
utilizando a manipueira como meio de
crescimento, suplementado com glicose,
extrato de levedura e sulfato de magnésio,
7,49 g/L em 96 h. O autor ainda analisou
o crescimento da mesma cepa em meio
sintético, composição mostrada na Tabela 4,
obtendo uma produção máxima equivalente
a 14,05 g/L em 96 h.
A utilização do bagaço do sisal como
substrato trouxe um resultado próximo
ao encontrado por Schneider et al. (2013),
que tiveram uma produção de 5,22 g/L de
células da levedura R. glutinis utilizando
água residual de efluente cervejeiro como
substrato. Já Reyna-Martinez et al. (2015)
encontraram uma produção máxima de 6,27
g/L, utilizando um meio sintético à base de
glicose, extrato de levedura e peptona. Cazetta
et al. (2005), utilizando melaço e vinhaça
como substratos, obtiveram uma maior
concentração de células em 48 h, equivalente
a 7,05 g/L. Tais comparações mostram que o
resultado aqui obtido foi bastante promissor.
Tal análise comparativa evidencia que
a suplementação do meio pode potencializar
ainda mais a aplicação de hidrolisado de
sisal como fonte de carbono uma vez que os
resultados aqui encontrados, mesmo sem
suplementação, se encontram próximos
dos reportados para outros meios ricos em
fontes de carbono de fácil assimilação pelos
microrganismos. Os perfis de consumo,
decaimento, de açúcares redutores (AR)
estão representados na Figura 10.
Série Iniciados v. 23
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