Série Iniciados Vol. 23 | Page 428

O processo de produção do conhecimento no PPGSS/UFPB: o estado da arte das dissertações de mestrado vinculadas à área de fundamentação teórico-prática do Serviço Social Os anos de 1990 representaram para o Brasil um período de transformações nas relações estabelecidas entre o Estado e a Sociedade Civil, onde as bases de proteção social, outrora construídas através de lutas de classes antagônicas, iniciam um processo de modificações representadas pelo desmonte de direitos sociais que apresenta um quadro de crescimento ao passar dos anos. Em suma: “Pontua-se que a redefinição do papel do Estado no Brasil, a partir dos anos de 1990, se deu no contexto de reestruturação do modo de produção capitalista, tendo como imperativo um novo padrão de acumulação do capital, em busca de restauração do poder de classe”. (HARVEY, apud ALVES; SEVERINO, 2011, p. 1) Segundo Silva (2016), os anos 2000 na América Latina, e no Brasil, não foi diferente, vivenciou a acedência dos governos ditos progressistas, que criam planos e projetos fundamentados em um novo desenvolvimentismo, mesclando o desenvolvimento econômico, com o desenvolvimento social, alcunhado de neodesenvolvimentismo. O desafio do neodesenvolvimentismo consiste, portanto, em conciliar os aspectos “positivos” do neoliberalismo – compromisso incondicional com a estabilidade da moeda, austeridade fiscal, busca de competitividade internacional, ausência de qualquer tipo de descriminação contra o capital internacional – com os aspectos “positivos” do velho desenvolvimentismo – comprometimento com o crescimento econômico, industrialização, papel regulador do Estado, sensibilidade social. (SAMPAIO JR, 2012, p.679). A década de 2000, demarcada pela continuidade dos influxos derivados dos anos 1990, é perpassada pela política regressiva dos direitos sociais universais, contrarreformas, privatizações, precarização do trabalho e desestruturação da seguridade social, bem como caracterizada pelo triunfo do Partido 428 Série Iniciados v. 23 dos Trabalhadores (PT), que promove a ampliação das políticas compensatórias, para enfrentar o agravamento das expressões da “questão social”. As inflexões da crise do capitalismo tardio sobre o agravamento das desigualdades sociais confluem sobre o Serviço Social, sobretudo, na intervenção profissional no atendimento de novas demandas sociais e na produção do conhecimento, marcadas pela ofensiva pós-moderna. Em torno dessas inflexões, levantam-se as seguintes questões: [...] como se desenha a produção do conhecimento gerada pelas Dissertações de Mestrado, contextualizadas na espacialidade do Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da UFPB e na temporalidade dos anos 1980 a 2000? Identifica-se a produção do conhecimento embasada na perspectiva neoconservadora Pós- moderna? Ou essa produção ainda se firma nas bases da racionalidade marxista, forjada no projeto societal emancipatório da maioria? Ou em ambas? (ALMEIDA, 2016, p.3) O processo de produção do conhecimento em Serviço Social nos anos 1980 demarca-se pela aproximação à teoria social crítica marxiana e marxista, que culminou no movimento intelectual chamado por José Paulo Netto (1990) de “intenção de ruptura”. Segundo esse autor, a intenção de ruptura aos substratos conservadores da racionalidade moderna ocorre com a adoção da teoria social marxista, materializando o Projeto de Modernidade através da explicitação crítico-racional da sociedade burguesa. Decerto, a incorporação do legado da razão dialética marxista vai embasar o processo de maturidade intelectual da categoria profissional dos Assistentes Sociais (GUERRA, 2011), o que possibilitou o desenvolvimento da produção do conhecimento no Serviço Social, hegemônico até a atualidade, independente da ofensiva pós-moderna nos últimos anos.