O processo de produção do conhecimento no PPGSS/UFPB: o estado da arte das
dissertações de mestrado vinculadas à área de fundamentação teórico-prática do Serviço Social
Os anos de 1990 representaram para
o Brasil um período de transformações nas
relações estabelecidas entre o Estado e a
Sociedade Civil, onde as bases de proteção
social, outrora construídas através de lutas de
classes antagônicas, iniciam um processo de
modificações representadas pelo desmonte
de direitos sociais que apresenta um quadro
de crescimento ao passar dos anos.
Em suma: “Pontua-se que a
redefinição do papel do Estado no Brasil, a
partir dos anos de 1990, se deu no contexto
de reestruturação do modo de produção
capitalista, tendo como imperativo um novo
padrão de acumulação do capital, em busca
de restauração do poder de classe”. (HARVEY,
apud ALVES; SEVERINO, 2011, p. 1)
Segundo Silva (2016), os anos
2000 na América Latina, e no Brasil, não
foi diferente, vivenciou a acedência dos
governos ditos progressistas, que criam
planos e projetos fundamentados em um
novo
desenvolvimentismo,
mesclando
o desenvolvimento econômico, com o
desenvolvimento social, alcunhado de
neodesenvolvimentismo.
O desafio do neodesenvolvimentismo
consiste, portanto, em conciliar
os
aspectos
“positivos”
do
neoliberalismo
–
compromisso
incondicional com a estabilidade
da
moeda,
austeridade
fiscal,
busca
de
competitividade
internacional,
ausência
de
qualquer tipo de descriminação
contra
o
capital
internacional
– com os aspectos “positivos”
do velho desenvolvimentismo –
comprometimento com o crescimento
econômico, industrialização, papel
regulador do Estado, sensibilidade
social. (SAMPAIO JR, 2012, p.679).
A década de 2000, demarcada pela
continuidade dos influxos derivados dos anos
1990, é perpassada pela política regressiva dos
direitos sociais universais, contrarreformas,
privatizações, precarização do trabalho e
desestruturação da seguridade social, bem
como caracterizada pelo triunfo do Partido
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dos Trabalhadores (PT), que promove a
ampliação das políticas compensatórias,
para enfrentar o agravamento das expressões
da “questão social”.
As inflexões da crise do capitalismo
tardio sobre o agravamento das desigualdades
sociais confluem sobre o Serviço Social,
sobretudo, na intervenção profissional no
atendimento de novas demandas sociais e
na produção do conhecimento, marcadas
pela ofensiva pós-moderna. Em torno
dessas inflexões, levantam-se as seguintes
questões:
[...] como se desenha a produção
do conhecimento gerada pelas
Dissertações
de
Mestrado,
contextualizadas na espacialidade
do Programa de Pós-Graduação
em Serviço Social da UFPB e na
temporalidade dos anos 1980 a
2000? Identifica-se a produção
do conhecimento embasada na
perspectiva neoconservadora Pós-
moderna? Ou essa produção ainda
se firma nas bases da racionalidade
marxista, forjada no projeto societal
emancipatório da maioria? Ou em
ambas? (ALMEIDA, 2016, p.3)
O processo de produção do
conhecimento em Serviço Social nos anos
1980 demarca-se pela aproximação à
teoria social crítica marxiana e marxista,
que culminou no movimento intelectual
chamado por José Paulo Netto (1990)
de “intenção de ruptura”. Segundo esse
autor, a intenção de ruptura aos substratos
conservadores da racionalidade moderna
ocorre com a adoção da teoria social marxista,
materializando o Projeto de Modernidade
através da explicitação crítico-racional da
sociedade burguesa. Decerto, a incorporação
do legado da razão dialética marxista vai
embasar o processo de maturidade intelectual
da categoria profissional dos Assistentes
Sociais (GUERRA, 2011), o que possibilitou
o desenvolvimento da produção do
conhecimento no Serviço Social, hegemônico
até a atualidade, independente da ofensiva
pós-moderna nos últimos anos.