Série Iniciados Vol. 23 | Page 410

O modelo conventual franciscano nordestino: aproximações com arranjos físicos de outras ordens religiosas sobre a parede externa, tangenciando a fachada. O claustro ajardinado é envolto por corredores que são separados do pátio central através de arcadas em arco pleno de arenito. Segundo Mendes et al (2011, p. 190), o partido carmelita de convento se assemelha àquele dos franciscanos e beneditinos, onde existia um claustro, geralmente distribuído por dois pavimentos e disposto em quadra. As salas ganhariam as funções de dormitórios, bibliotecas, áreas de serviço, cozinha, refeitório, salas de estudos, todas servindo as necessidades da ordem. A partir desse estudo, é possível perceber a influência que o modelo conventual em vigor na Metrópole exerceu nos exemplares nordestinos, observando características oriundas dos primeiros mosteiros beneditinos se repetirem não só em toda a Europa, mas se estendendo também para as terras conquistadas, e trazendo para a arquitetura religiosa do Brasil uma relativa unidade entre as Ordens religiosas que aqui se estabeleceram. Segundo Lins (2002, p.227), os modelos mantinham a tradição de uma estrutura orgânica de vida em comum, onde o claustro possuía papel centralizador e distribuidor dos espaços à sua volta. As pequenas diferenças existentes estavam diretamente relacionadas ao número de religiosos, às atividades temporais relacionadas com o meio onde estavam inseridos, e aos elementos arquitetônicos, que se modificavam de acordo com o gosto da época de construção. Considerando a convergência no tocante à configuração espacial dos modelos conventuais, e levando-se em consideração as adaptações e modificações porque passavam ao longo dos séculos, foram estudados os quatro exemplares arquitetônicos construídos pelo clero regular na antiga Filipéia, elencando as principais aproximações e diferenças existentes nos mesmos. A seção que segue aborda aspectos comuns aos conjuntos religiosos erigidos na cidade, destacando quatro indicadores principais: a implantação do conjunto, 410 Série Iniciados v. 23 a morfologia da igreja conventual, seu frontispício e a quadra claustral do cenóbio. • As construções do clero regular da cidade de Filipéia: traços identitários A arquitetura religiosa produzida no Brasil no período colonial possui uma estreita relação com o processo de ordenamento dos núcleos de povoamento no território brasileiro, como já foi dito. Toda a arquitetura desta época representava a concretização do processo de colonização, fundamentando a presença dos representantes portugueses e materializando sua função de administrar e defender. Nesse contexto, a Igreja católica tinha a missão de atrair a população nativa através da religião, sendo a edificação eclesiástica uma peça-chave na cidade, por definir fluxos, limites e marcos. Neste contexto, era de grande importância a implantação das construções religiosas, colocadas nos pontos mais altos e privilegiados do relevo, evidenciadas perante as demais edificações, apontando Murilo Marx que este procedimento vai resultar em um traço característico da paisagem das cidades coloniais do Brasil (MOURA FILHA, 2004, p. 187). Após a conquista da Paraíba, os jesuítas foram os primeiros a se instalar no território recém-conquistado, chegando em 1585 com o objetivo, segundo Silva (2009, p. 144), de catequizar os nativos que ali habitavam. Dez anos depois, foram expulsos da Paraíba devido a desavenças com os franciscanos, decorrentes da catequização dos índios da região. Os frades menores, por sua vez, chegaram à capitania da Paraíba em resposta à solicitação feita pelos fiéis locais, se instalando em um terreno doado pelo Capitão-mor Frutuoso Barbosa, localizado no início da Rua Duque de Caxias, anteriormente denominada Rua Direita, uma das mais antigas da cidade alta (Memória João Pessoa). Já os carmelitas se instalaram na cidade da Parahyba em 1591 para fundar o convento do Carmo, localizado na Praça