O modelo conventual franciscano nordestino:
aproximações com arranjos físicos de outras ordens religiosas
sobre a parede externa, tangenciando a
fachada.
O claustro ajardinado é envolto por
corredores que são separados do pátio central
através de arcadas em arco pleno de arenito.
Segundo Mendes et al (2011, p. 190), o partido
carmelita de convento se assemelha àquele
dos franciscanos e beneditinos, onde existia
um claustro, geralmente distribuído por
dois pavimentos e disposto em quadra. As
salas ganhariam as funções de dormitórios,
bibliotecas, áreas de serviço, cozinha,
refeitório, salas de estudos, todas servindo
as necessidades da ordem.
A partir desse estudo, é possível
perceber a influência que o modelo
conventual em vigor na Metrópole exerceu
nos exemplares nordestinos, observando
características oriundas dos primeiros
mosteiros beneditinos se repetirem não só
em toda a Europa, mas se estendendo também
para as terras conquistadas, e trazendo para
a arquitetura religiosa do Brasil uma relativa
unidade entre as Ordens religiosas que aqui
se estabeleceram. Segundo Lins (2002,
p.227), os modelos mantinham a tradição de
uma estrutura orgânica de vida em comum,
onde o claustro possuía papel centralizador
e distribuidor dos espaços à sua volta. As
pequenas diferenças existentes estavam
diretamente
relacionadas
ao
número
de religiosos, às atividades temporais
relacionadas com o meio onde estavam
inseridos, e aos elementos arquitetônicos,
que se modificavam de acordo com o gosto
da época de construção.
Considerando
a
convergência
no tocante à configuração espacial dos
modelos conventuais, e levando-se em
consideração as adaptações e modificações
porque passavam ao longo dos séculos,
foram estudados os quatro exemplares
arquitetônicos construídos pelo clero regular
na antiga Filipéia, elencando as principais
aproximações e diferenças existentes nos
mesmos. A seção que segue aborda aspectos
comuns aos conjuntos religiosos erigidos
na cidade, destacando quatro indicadores
principais: a implantação do conjunto,
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Série Iniciados v. 23
a morfologia da igreja conventual, seu
frontispício e a quadra claustral do cenóbio.
•
As construções do clero regular da
cidade de Filipéia: traços identitários
A arquitetura religiosa produzida no
Brasil no período colonial possui uma estreita
relação com o processo de ordenamento
dos núcleos de povoamento no território
brasileiro, como já foi dito. Toda a arquitetura
desta época representava a concretização do
processo de colonização, fundamentando a
presença dos representantes portugueses e
materializando sua função de administrar e
defender. Nesse contexto, a Igreja católica
tinha a missão de atrair a população nativa
através da religião, sendo a edificação
eclesiástica uma peça-chave na cidade, por
definir fluxos, limites e marcos.
Neste contexto, era de grande
importância a implantação das
construções religiosas, colocadas
nos pontos mais altos e privilegiados
do relevo, evidenciadas perante as
demais edificações, apontando Murilo
Marx que este procedimento vai
resultar em um traço característico
da paisagem das cidades coloniais do
Brasil (MOURA FILHA, 2004, p. 187).
Após a conquista da Paraíba, os
jesuítas foram os primeiros a se instalar no
território recém-conquistado, chegando em
1585 com o objetivo, segundo Silva (2009,
p. 144), de catequizar os nativos que ali
habitavam. Dez anos depois, foram expulsos
da Paraíba devido a desavenças com os
franciscanos, decorrentes da catequização
dos índios da região. Os frades menores, por
sua vez, chegaram à capitania da Paraíba
em resposta à solicitação feita pelos fiéis
locais, se instalando em um terreno doado
pelo
Capitão-mor
Frutuoso
Barbosa,
localizado no início da Rua Duque de Caxias,
anteriormente denominada Rua Direita, uma
das mais antigas da cidade alta (Memória
João Pessoa).
Já os carmelitas se instalaram na
cidade da Parahyba em 1591 para fundar
o convento do Carmo, localizado na Praça