O modelo conventual franciscano nordestino:
aproximações com arranjos físicos de outras ordens religiosas
Figura 15. Convento de Santa Teresa, Salvador
Fonte: http://khristianos.blogspot.com.br/2013/10/
Em relação ao frontispício, admite
Flexor (2010, p.108) que o seu alpendre e
torres são do século XIX, sendo os materiais
utilizados um arenito de origem baiana, e
pedras de lioz na capela-mor e tribunas.
Além das arcadas do pórtico e das janelas do
coro, são vistas três janelas no mezanino,
encimadas por um entablamento. As torres
são muito recuadas e todo o conjunto é
dividido por três tramos, através de pilastras
de capitel toscano. Segundo o mesmo autor,
o respectivo mosteiro de três pavimentos
foi edificado ao redor de um pátio central,
consoante o modelo estabelecido desde
os tempos primitivos na Europa, onde
os espaços necessários à comunidade de
religiosos – portaria, dormitórios, oficinas,
refeitório, cozinha – seriam alocados.
Os conventos carmelitas
Os frades carmelitas chegaram ao
Brasil por volta de 1580. Partindo de Lisboa
sob o comando de Frutuoso Barbosa, se
instalaram em Pernambuco e construíram
em Olinda o seu primeiro convento três anos
depois, se expandindo para outros locais com
o decorrer do tempo. Muitos desses conventos
eram sedes para estudos de filosofia e de
teologia.
Existe uma grande semelhança entre as
características arquitetônicas das casas
dos carmelitas e dos beneditinos. Ambos,
influenciados pelo partido dos jesuítas do
século XVI, apresentam uma linguagem
clássica nas fachadas, marcadas por austera
decoração, a exemplo do repertório toscano.
Tal propriedade só é alterada quando o
barroco começa a se difundir no século
XVIII, modificando o interior da igreja, cujas
ornamentações deixam de se concentrar nos
retábulos do altar-mor e das capelas laterais,
e passam a ocupar toda a igreja.
Um expressivo exemplo de edificação
dos carmelitas descalços é o Convento de
Santa Tereza, em Salvador (Figura 15),
iniciado em 1670 e atribuído ao Frei Macário
de São João. Segundo Flexor (2010, p.140),
seu salão tridentino é todo trabalhado em
pedra e suas paredes laterais possuem, além
das arcadas, painéis de azulejos portugueses.
Seu transepto é coberto por uma cúpula
semi-esférica e suas capelas laterais ainda
possuem altares barrocos originais, além de
talhas e colunas retorcidas, mais conhecidas
como torsas ou salomônicas.
Sua fachada apresenta um pórtico de
três arcos, seguido de um corpo retangular e
coroado com o frontão triangular. A arcada
apóia o coro alto, e os dois alçados acima são
iluminados por uma janela enquadrada por
volutas e outra colocada entre dois brasões
do Carmelo. O corpo central é ligado às duas
alas laterais por enormes volutas, e a torre é
reduzida a um campanário-arcada com dois
pavimentos, colocado do lado da Epístola
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