Série Iniciados Vol. 23 | Page 409

O modelo conventual franciscano nordestino: aproximações com arranjos físicos de outras ordens religiosas Figura 15. Convento de Santa Teresa, Salvador Fonte: http://khristianos.blogspot.com.br/2013/10/ Em relação ao frontispício, admite Flexor (2010, p.108) que o seu alpendre e torres são do século XIX, sendo os materiais utilizados um arenito de origem baiana, e pedras de lioz na capela-mor e tribunas. Além das arcadas do pórtico e das janelas do coro, são vistas três janelas no mezanino, encimadas por um entablamento. As torres são muito recuadas e todo o conjunto é dividido por três tramos, através de pilastras de capitel toscano. Segundo o mesmo autor, o respectivo mosteiro de três pavimentos foi edificado ao redor de um pátio central, consoante o modelo estabelecido desde os tempos primitivos na Europa, onde os espaços necessários à comunidade de religiosos – portaria, dormitórios, oficinas, refeitório, cozinha – seriam alocados. Os conventos carmelitas Os frades carmelitas chegaram ao Brasil por volta de 1580. Partindo de Lisboa sob o comando de Frutuoso Barbosa, se instalaram em Pernambuco e construíram em Olinda o seu primeiro convento três anos depois, se expandindo para outros locais com o decorrer do tempo. Muitos desses conventos eram sedes para estudos de filosofia e de teologia. Existe uma grande semelhança entre as características arquitetônicas das casas dos carmelitas e dos beneditinos. Ambos, influenciados pelo partido dos jesuítas do século XVI, apresentam uma linguagem clássica nas fachadas, marcadas por austera decoração, a exemplo do repertório toscano. Tal propriedade só é alterada quando o barroco começa a se difundir no século XVIII, modificando o interior da igreja, cujas ornamentações deixam de se concentrar nos retábulos do altar-mor e das capelas laterais, e passam a ocupar toda a igreja. Um expressivo exemplo de edificação dos carmelitas descalços é o Convento de Santa Tereza, em Salvador (Figura 15), iniciado em 1670 e atribuído ao Frei Macário de São João. Segundo Flexor (2010, p.140), seu salão tridentino é todo trabalhado em pedra e suas paredes laterais possuem, além das arcadas, painéis de azulejos portugueses. Seu transepto é coberto por uma cúpula semi-esférica e suas capelas laterais ainda possuem altares barrocos originais, além de talhas e colunas retorcidas, mais conhecidas como torsas ou salomônicas. Sua fachada apresenta um pórtico de três arcos, seguido de um corpo retangular e coroado com o frontão triangular. A arcada apóia o coro alto, e os dois alçados acima são iluminados por uma janela enquadrada por volutas e outra colocada entre dois brasões do Carmelo. O corpo central é ligado às duas alas laterais por enormes volutas, e a torre é reduzida a um campanário-arcada com dois pavimentos, colocado do lado da Epístola Série Iniciados v. 23 409