O modelo conventual franciscano nordestino:
aproximações com arranjos físicos de outras ordens religiosas
Com relação a morfologia geral das
edificações franciscanas, com exceção da
Igreja de São Francisco em Salvador, que se
diferenciava das demais com relação à planta
e à fachada, Bazin faz o seguinte comentário:
Com exceção desta, todas as outras
igrejas franciscanas do Nordeste são de
nave única, terminada por uma capela-
mor; ladeada por dois corredores, o
do lado do Evangelho leva o nome
de via-sacra, pois contém, seja ao
nível do chão, seja no andar superior,
viacrucis. Esses dois corredores levam
a uma grande sacristia localizada
atrás da igreja, na maioria das vezes
colocada transversalmente, de forma
a ocupar toda a largura da nave
central, de uma parede lateral até a
outra; excepcionalmente, ela pode ser
profunda (como em João Pessoa). (...).
No fundo da nave central está instalado
um coro, que se apoia, em parte sobre
um pórtico ou galilé que dá para a
fachada e cujos pilares suportam a
parede desta. O campanário único
(exceto em Salvador e em Vila de São
Francisco) está nitidamente recuado,
á esquerda ou a direita da igreja, de
acordo com o espaço deixado livre para
a construção do convento. No interior
a igreja contém, além do altar-mor,
dois altares situados de cada lado do
arco-cruzeiro, e um púlpito (BAZIN,
1983, p.143).
Os conventos franciscanos possuíam
poucas variações; eram edificados em volta
de um claustro que, à exceção da igreja,
constituía a única parte do conjunto provida
de um tratamento arquitetônico (BAZIN,
1983, p. 144). O espaço era envolto por
galerias com arcadas de ordem toscana no
pavimento térreo, e, no andar superior,
delimitadas por muros com pequenos
pilares sustentando diretamente o forro.
Localizava-se geralmente do lado esquerdo
da igreja, possuindo no pavimento térreo
diversos ambientes, como sala de estudos,
casa capitular e refeitório. No andar superior,
apresentava biblioteca e os dormitórios,
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servidos de uma galeria que dava para o pátio
central. A portaria estava sempre próxima à
igreja e ligada ao claustro; já a cozinha era
geralmente localizada quase fora da obra.
Nos casos em que a Ordem Terceira
era instituída junto à Ordem Primeira, uma
grande capela era construída perpendicular
à nave principal e aberta para ela através de
um grande arco, cuja riqueza de decoração
variava segundo cada exemplar.
Em relação aos materiais utilizados,
principalmente na fase de consolidação
da Ordem franciscana no território
brasileiro, as obras eram realizadas com
materiais resistentes, responsáveis por sua
durabilidade até os dias atuais. Dentre esses
materiais, têm-se o tijolo cozido, a pedra e
o cal, frequentemente empregados juntos. O
uso da pedra, principalmente nos elementos
estruturais se dava devido à sua grande
abundância local.
Em termos gerais, é importante
destacar que as normas estabelecidas pelo
Concílio de Trento não se restringiram apenas
aos templos portugueses; a regra exerceu
um papel fundamental na configuração
espacial dos conjuntos religiosos no Brasil,
não se restringindo apenas à Ordem dos
franciscanos, mas às demais estabelecidas na
Colônia.
Os colégios jesuítas
Estendendo a análise para outras
ordens, no caso, a Companhia de Jesus, o
primeiro grupo de jesuítas chegou ao Brasil
em 1549, liderados por Manoel da Nóbrega.
Segundo Mendes et al (2011, p.162), esses
religiosos tiveram grande importância na
relação entre os portugueses e nativos,
promovendo uma união que teria resultados
promissores, inclusive por ocasião da invasão
francesa na Baía de Guanabara, em 1555.
Com relação à arquitetura, Bazin
(1983, p.80) destaca a relativa uniformidade
das edificações dos jesuítas, sujeitas a
traços da cultura local. Roma, em tese, teria
permitido e encorajado variações a fim de
obter uma maior aceitação por parte dos