Série Iniciados Vol. 23 | Page 406

O modelo conventual franciscano nordestino: aproximações com arranjos físicos de outras ordens religiosas Com relação a morfologia geral das edificações franciscanas, com exceção da Igreja de São Francisco em Salvador, que se diferenciava das demais com relação à planta e à fachada, Bazin faz o seguinte comentário: Com exceção desta, todas as outras igrejas franciscanas do Nordeste são de nave única, terminada por uma capela- mor; ladeada por dois corredores, o do lado do Evangelho leva o nome de via-sacra, pois contém, seja ao nível do chão, seja no andar superior, viacrucis. Esses dois corredores levam a uma grande sacristia localizada atrás da igreja, na maioria das vezes colocada transversalmente, de forma a ocupar toda a largura da nave central, de uma parede lateral até a outra; excepcionalmente, ela pode ser profunda (como em João Pessoa). (...). No fundo da nave central está instalado um coro, que se apoia, em parte sobre um pórtico ou galilé que dá para a fachada e cujos pilares suportam a parede desta. O campanário único (exceto em Salvador e em Vila de São Francisco) está nitidamente recuado, á esquerda ou a direita da igreja, de acordo com o espaço deixado livre para a construção do convento. No interior a igreja contém, além do altar-mor, dois altares situados de cada lado do arco-cruzeiro, e um púlpito (BAZIN, 1983, p.143). Os conventos franciscanos possuíam poucas variações; eram edificados em volta de um claustro que, à exceção da igreja, constituía a única parte do conjunto provida de um tratamento arquitetônico (BAZIN, 1983, p. 144). O espaço era envolto por galerias com arcadas de ordem toscana no pavimento térreo, e, no andar superior, delimitadas por muros com pequenos pilares sustentando diretamente o forro. Localizava-se geralmente do lado esquerdo da igreja, possuindo no pavimento térreo diversos ambientes, como sala de estudos, casa capitular e refeitório. No andar superior, apresentava biblioteca e os dormitórios, 406 Série Iniciados v. 23 servidos de uma galeria que dava para o pátio central. A portaria estava sempre próxima à igreja e ligada ao claustro; já a cozinha era geralmente localizada quase fora da obra. Nos casos em que a Ordem Terceira era instituída junto à Ordem Primeira, uma grande capela era construída perpendicular à nave principal e aberta para ela através de um grande arco, cuja riqueza de decoração variava segundo cada exemplar. Em relação aos materiais utilizados, principalmente na fase de consolidação da Ordem franciscana no território brasileiro, as obras eram realizadas com materiais resistentes, responsáveis por sua durabilidade até os dias atuais. Dentre esses materiais, têm-se o tijolo cozido, a pedra e o cal, frequentemente empregados juntos. O uso da pedra, principalmente nos elementos estruturais se dava devido à sua grande abundância local. Em termos gerais, é importante destacar que as normas estabelecidas pelo Concílio de Trento não se restringiram apenas aos templos portugueses; a regra exerceu um papel fundamental na configuração espacial dos conjuntos religiosos no Brasil, não se restringindo apenas à Ordem dos franciscanos, mas às demais estabelecidas na Colônia. Os colégios jesuítas Estendendo a análise para outras ordens, no caso, a Companhia de Jesus, o primeiro grupo de jesuítas chegou ao Brasil em 1549, liderados por Manoel da Nóbrega. Segundo Mendes et al (2011, p.162), esses religiosos tiveram grande importância na relação entre os portugueses e nativos, promovendo uma união que teria resultados promissores, inclusive por ocasião da invasão francesa na Baía de Guanabara, em 1555. Com relação à arquitetura, Bazin (1983, p.80) destaca a relativa uniformidade das edificações dos jesuítas, sujeitas a traços da cultura local. Roma, em tese, teria permitido e encorajado variações a fim de obter uma maior aceitação por parte dos