O modelo conventual franciscano nordestino:
aproximações com arranjos físicos de outras ordens religiosas
novos fiéis. A partir de 1750, as obras jesuíticas
contariam com a ajuda de Francisco Dias,
arquiteto da Companhia enviado ao Brasil
pela Metrópole, onde trabalhara nas obras da
igreja de São Roque de Lisboa, cujo projeto
era de Afonso Álvares. Tal evidência justifica
a forte influência da mesma sobre as obras da
Ordem desenvolvidas no Brasil (BAZIN, 1983,
p.88).
Para ilustrar tal semelhança, tem-se
a igreja de Nossa Senhora da Graça de Olinda
(Figura 12), cuja construção fora iniciada em
1551, tendo configuração marcada por nave
única, capela-mor e duas capelas colaterais.
Na ausência de transepto, um grande arco
emolduraria a capela-mor, seguido de
arcos menores para as colaterais. De acordo
com Mendes et al (2011, p. 164), a principal
diferença entre o modelo português e o
brasileiro era a inexistência de capelas laterais
no último, sendo as mesmas substituídas por
pequenos nichos dentro das paredes laterais.
Um traço marcante das igrejas jesuítas foi não
possuir pórtico ou nártex – o fiel acessava
diretamente o espaço religioso.
Figura 12. Igreja de N. S. da Graça, Olinda
Fonte: CAMPELLO, 2001: p.131.
Figura 13. Catedral Basílica de Salvad or
Fonte: FLEXOR, 2010: p.10.
O frontispício era simples. Uma
única porta marcava a entrada, e logo acima
ficava um óculo ou três janelas iluminando o
interior. Segundo Mendes et al (2011, p. 167),
a influência renascentista de São Roque podia
ser vista no frontão triangular despojado e
nos portas e janelas com sobrevergas. Com
inspiração maneirista, a decoração das naves
possuía poucos ornamentos; somente os
retábulos e altares eram trabalhados. Devido
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