Série Iniciados Vol. 23 | Page 407

O modelo conventual franciscano nordestino: aproximações com arranjos físicos de outras ordens religiosas novos fiéis. A partir de 1750, as obras jesuíticas contariam com a ajuda de Francisco Dias, arquiteto da Companhia enviado ao Brasil pela Metrópole, onde trabalhara nas obras da igreja de São Roque de Lisboa, cujo projeto era de Afonso Álvares. Tal evidência justifica a forte influência da mesma sobre as obras da Ordem desenvolvidas no Brasil (BAZIN, 1983, p.88). Para ilustrar tal semelhança, tem-se a igreja de Nossa Senhora da Graça de Olinda (Figura 12), cuja construção fora iniciada em 1551, tendo configuração marcada por nave única, capela-mor e duas capelas colaterais. Na ausência de transepto, um grande arco emolduraria a capela-mor, seguido de arcos menores para as colaterais. De acordo com Mendes et al (2011, p. 164), a principal diferença entre o modelo português e o brasileiro era a inexistência de capelas laterais no último, sendo as mesmas substituídas por pequenos nichos dentro das paredes laterais. Um traço marcante das igrejas jesuítas foi não possuir pórtico ou nártex – o fiel acessava diretamente o espaço religioso. Figura 12. Igreja de N. S. da Graça, Olinda Fonte: CAMPELLO, 2001: p.131. Figura 13. Catedral Basílica de Salvad or Fonte: FLEXOR, 2010: p.10. O frontispício era simples. Uma única porta marcava a entrada, e logo acima ficava um óculo ou três janelas iluminando o interior. Segundo Mendes et al (2011, p. 167), a influência renascentista de São Roque podia ser vista no frontão triangular despojado e nos portas e janelas com sobrevergas. Com inspiração maneirista, a decoração das naves possuía poucos ornamentos; somente os retábulos e altares eram trabalhados. Devido Série Iniciados v. 23 407