O modelo conventual franciscano nordestino:
aproximações com arranjos físicos de outras ordens religiosas
Figura 09. Igreja de São Vicente de Fora, Lisboa
Fonte: CAMPELLO, 2001: p.97.
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Morfologia da arquitetura conventual
no Nordeste brasileiro
Os conventos franciscanos
No âmbito da Ordem franciscana,
após a criação da Custódia de Santo Antônio
do Brasil em 1585, o primeiro convento
foi fundado em Olinda, na capitania de
Pernambuco, com o nome de Nossa Senhora
das Neves, sendo sucedido por outros
cenóbios edificados geralmente em terrenos
doados por grandes proprietários de terras
no litoral.
Com a consolidação da Ordem, as primeiras
ermidas, construídas de forma simples
e precária, foram sendo substituídas por
construções monumentais, cuja arquitetura
ganhou destaque, em especial no Nordeste
brasileiro. Considerando os dados relativos
ao repertório de então, Bazin ressalta sua
forma arquitetônica como segue:
Uma das criações mais originais da
arquitetura religiosa no Brasil foi
o grupo de conventos construídos
pelos franciscanos no Nordeste,
entre Salvador e Paraíba (atualmente
João Pessoa). Mais do que a obra dos
jesuítas, que propagava na Colônia de
Santa Cruz os tipos de templos e formas
arquitetônicas em uso na Metrópole,
os conventos franciscanos desta
região apresentam soluções inéditas,
cujo desenvolvimento lógico, que tem
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como ponto de partida tipos formados
na segunda metade do século XVII,
pressupõe uma verdadeira escola de
construtores pertencentes à Ordem.
(BAZIN, 1983, p.137)
Em relação às características dos
conjuntos edificados, um dos traços que
conferiu identidade aos mesmos foi a
presença do cruzeiro e do adro, cuja função
era a preparação do fiel para acessar o espaço
sagrado. O adro consiste em um grande
pátio aberto localizado à frente da igreja,
por vezes ladeado por muros, com a função
de direcionar o fiel à igreja, proporcionando
um caminho onde o mesmo pudesse se
arrepender de seus pecados antes de acessar
a mesma. O cruzeiro, segundo Bazin (1983,
p.151) se devia ao culto franciscano pela
Paixão de Cristo, servindo às procissões da
via-sacra.
Logo adiante ficava o frontispício da
edificação, que definia a verdadeira identidade
da edificação. Segundo Bazin (1983, p. 147),
tal frontaria era caracterizada pelo pórtico
e pelo campanário recuado. O pórtico era
composto por três arcos ou cinco, havendo
uma variação no tratamento das pilastras,
desde
grandes
maciços
retangulares,
adornados com pilastras toscanas embutidas
nas quinas, até simples pilares chanfrados.
Além de servir como transição entre o profano
e o sagrado, nesse ambiente ocorriam outras
cerimônias e a organização das procissões.