Série Iniciados Vol. 23 | Page 403

O modelo conventual franciscano nordestino: aproximações com arranjos físicos de outras ordens religiosas Figura 08. Planta da Igreja de São Roque, Lisboa Fonte: CAMPELLO, 2001: p.104 Assim como os dois exemplos supracitados, a Igreja de São Vicente de Fora, em Lisboa (Figura 09), também do arquiteto Filippo Terzi, exerceu grande influência nas construções religiosas no Brasil, sendo, segundo Lins (2002, p.219), o modelo adotado durante o século XVII em Portugal e no Brasil. Sua configuração espacial compreende nave única com capela-mor profunda aos fundos, além de um transepto simples, cujos braços não ultrapassam a largura da nave (assim como a Igreja de Gesú). Seu frontispício já se apresenta de forma diferente dos modelos citados, com duas torres e a ausência do frontão, juntamente com as fortes marcações horizontais e verticais e as aberturas sempre alinhadas, onde é possível identificar a presença de traços maneiristas e barrocos. de Vignola, e São Vicente de Fora, de Filippo Terzi. (BURY, 2006, p.73) A arquitetura religiosa vai se aperfeiçoando sem repudiar as fórmulas tradicionais, e sem que os programas se modifiquem estruturalmente. Assim, as igrejas brasileiras terão como principais exemplares a serem seguidos as edificações religiosas de Portugal, trazendo características que serão adaptadas aos poucos à cultura local, ao terreno de implantação e aos materiais construtivos disponíveis, como será discutido na seção seguinte. Os jesuítas portugueses estavam, portanto, sujeitos a duas influências opostas. Como membros da Companhia tinham um modelo arquitetônico na sua igreja-mãe, em Roma, mas, enquanto portugueses, não podiam ignorar a moda nacional estabelecida em São Vicente de Fora. De um modo geral, predominava a primeira influência, ficando a segunda num plano recessivo. Assim, as fachadas das igrejas jesuíticas no mundo lusitano podem ser classificadas entre a igreja de Gesú, Série Iniciados v. 23 403