O modelo conventual franciscano nordestino:
aproximações com arranjos físicos de outras ordens religiosas
As plantas dessas igrejas, de uma e
de três naves, são em geral muito
simples: o corpo é rectangular
e compõe-se de cinco tramos; o
transepto é suprimido, e a cabeceira,
quase sempre quadrangular, tem um
ou dois tramos de igual profundidade
e é ladeada de capelas, nas igrejas de
maiores dimensões. Os pilares ou se
simplificam ou são substituídos por
colunas de seção circular ou octogonal,
e os arcos divisórios das naves são
quebrados ou de volta perfeita.
Com o passar do tempo, tais
transformações se reproduzem e, durante
os séculos XVI e XIX, essa arquitetura é
alterada sob o signo de diferentes estilos,
como o maneirismo, o barroco, e o rococó,
onde se configura, segundo Lins (2002,
p.217), a fusão da arquitetura com a pintura,
a escultura, os objetos litúrgicos e a música
sacra. Além disso, a mesma vai atender
às normas estabelecidas pelo Concílio de
Trento, como forma de promover maior
comunicação da Igreja com os fiéis através de
recursos plásticos e decorativos empregados
nos espaços sagrados dentro da conjuntura
da Contra-Reforma.
Nesse período, a configuração
espacial das igrejas se apresenta de uma
forma mais simples: um retângulo marcado
por nave única, capela-mor, capelas laterais
e um púlpito, local onde o sermão, antes dito
em latim, era proferido na língua local de
forma a aproximar o fiel do culto reformado.
'Lins (2002, p.253) faz uma rápida descrição
dos templos beneditinos do século XVII,
classificando-os como uma planta básica,
composta por um pórtico ou galilé, nave
única com capela-mor aos fundos, púlpitos
ao centro da igreja, coro alto e sacristia,
modelo esse que vai passar por pequenas
modificações ao longo dos séculos, como
a eliminação do pórtico no século XVIII,
além da inserção de altares laterais na nave,
geralmente inseridos em arcos de cantaria. No
que se refere ao frontispício, o autor enfatiza
principalmente a questão da sobriedade
formal, marcada pelas arcadas do pórtico, os
nichos no segundo nível, os tramos verticais
e horizontais e a torre, em alguns casos um
pouco recuada em relação à fachada (LINS,
2002, p.254). Como será visto mais à frente,
tais características se assemelham bastante
às igrejas edificadas pelas Ordens religiosas
no Brasil.
É importante destacar que as normas
estabelecidas pelo Concílio de Trento
atingiram todas as Ordens religiosas. Para
ilustrar tal assertiva, tem-se a Igreja de
Gesú, edificada entre 1568 e 1584, sendo a
primeira igreja da Companhia de Jesus em
Roma (Figura 05).
Figura 5. Igreja de Gesú, Roma
Fonte: CAMPELLO, 2001: p.96.
Série Iniciados v. 23
401