Série Iniciados Vol. 23 | Page 401

O modelo conventual franciscano nordestino: aproximações com arranjos físicos de outras ordens religiosas As plantas dessas igrejas, de uma e de três naves, são em geral muito simples: o corpo é rectangular e compõe-se de cinco tramos; o transepto é suprimido, e a cabeceira, quase sempre quadrangular, tem um ou dois tramos de igual profundidade e é ladeada de capelas, nas igrejas de maiores dimensões. Os pilares ou se simplificam ou são substituídos por colunas de seção circular ou octogonal, e os arcos divisórios das naves são quebrados ou de volta perfeita. Com o passar do tempo, tais transformações se reproduzem e, durante os séculos XVI e XIX, essa arquitetura é alterada sob o signo de diferentes estilos, como o maneirismo, o barroco, e o rococó, onde se configura, segundo Lins (2002, p.217), a fusão da arquitetura com a pintura, a escultura, os objetos litúrgicos e a música sacra. Além disso, a mesma vai atender às normas estabelecidas pelo Concílio de Trento, como forma de promover maior comunicação da Igreja com os fiéis através de recursos plásticos e decorativos empregados nos espaços sagrados dentro da conjuntura da Contra-Reforma. Nesse período, a configuração espacial das igrejas se apresenta de uma forma mais simples: um retângulo marcado por nave única, capela-mor, capelas laterais e um púlpito, local onde o sermão, antes dito em latim, era proferido na língua local de forma a aproximar o fiel do culto reformado. 'Lins (2002, p.253) faz uma rápida descrição dos templos beneditinos do século XVII, classificando-os como uma planta básica, composta por um pórtico ou galilé, nave única com capela-mor aos fundos, púlpitos ao centro da igreja, coro alto e sacristia, modelo esse que vai passar por pequenas modificações ao longo dos séculos, como a eliminação do pórtico no século XVIII, além da inserção de altares laterais na nave, geralmente inseridos em arcos de cantaria. No que se refere ao frontispício, o autor enfatiza principalmente a questão da sobriedade formal, marcada pelas arcadas do pórtico, os nichos no segundo nível, os tramos verticais e horizontais e a torre, em alguns casos um pouco recuada em relação à fachada (LINS, 2002, p.254). Como será visto mais à frente, tais características se assemelham bastante às igrejas edificadas pelas Ordens religiosas no Brasil. É importante destacar que as normas estabelecidas pelo Concílio de Trento atingiram todas as Ordens religiosas. Para ilustrar tal assertiva, tem-se a Igreja de Gesú, edificada entre 1568 e 1584, sendo a primeira igreja da Companhia de Jesus em Roma (Figura 05). Figura 5. Igreja de Gesú, Roma Fonte: CAMPELLO, 2001: p.96. Série Iniciados v. 23 401