O modelo conventual franciscano nordestino:
aproximações com arranjos físicos de outras ordens religiosas
cobertura, o número de tramos nas naves,
a composição das fachadas, e a decoração,
além do fato do país possuir uma vocação
para a simplificação dos alçados e clareza do
partido.
Com o decorrer do tempo e a
chegada do estilo renascentista a Portugal, a
arquitetura religiosa local oferece resistência
às novidades, adotando um aperfeiçoamento
de elementos formais e uma adaptação
de valores sem que as características
tradicionais fossem abandonadas. Nesse
contexto são vistas modificações simples,
traduzidas como segue:
Quando a planta da cabeceira se
simplifica,
diminui
o
número
de capelas e são atrofiados os
braços do transepto – que não
ultrapassa a largura das três naves
e só na combinação dos volumes é
francamente acusado -; quando as
janelas estreitam, é reduzido o número
de tramos da nave e diminui também o
número de faces da abside da capela-
mor, mas nem por isso deixam de ser
conservadas as características a que
nos referimos (CHICÓ, 1981, p.88).
Segundo Chicó (1981, p.89), a igreja
de São Francisco de Santarém é considerada
de grande importância para os estudos
da arquitetura portuguesa nessa época.
A mesma possui configuração espacial
parecida com os exemplos já citados, onde se
vê a nave central ladeada por naves laterais e
transepto saliente, sendo finalizada por uma
capela-mor cuja cobertura é uma abóbada de
berço com caixotões retangulares, envolta
por cinco capelas escalonadas na cabeceira.
Outro exemplo importante é a Igreja
de São Francisco de Évora (Figuras 03 e 04),
onde, de acordo com uma reconstituição de
sua planta, é possível ver a presença de uma
nave central – considerada por Chicó (1981,
p.173), a mais larga nave gótica de Portugal
– e duas naves laterais estreitas, além do
transepto pouco saliente e capela-mor
profunda e simples, diferente das absides
envoltas de capelas radiantes das primeiras
igrejas góticas. Este monumento exerceu
grande influência durante o século XIV em
Portugal, além de servir de modelo para
construções religiosas da Índia e do Brasil.
Figura 3 e 4. Igreja de São Francisco de Évora
Fonte: CHICÓ, 1981: p.173 / CHICÓ, 1981: p.162.
Aos poucos, a separação entre as
naves vai ficando mais fragilizada, as absides
desaparecem e as capelas das cabeceiras
passam a ser quadrangulares, abrindo
caminho para as igrejas-salão, cujo transepto
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vai diminuindo os braços, não ultrapassando
a largura da nave. Chicó (1981, p. 195)
descreve as igrejas que melhor representam
o final do século XV e início do século XVI no
seguinte trecho: