Série Iniciados Vol. 23 | Seite 398

O modelo conventual franciscano nordestino: aproximações com arranjos físicos de outras ordens religiosas professavam votos de pobreza, castidade e obediência). Além dessa fatia clerical, havia a presença de ordens terceiras associadas às ordens regulares, e também irmandades e confrarias difundindo os ensinamentos católicos. Segundo Mendes et al (2011, p. 156), tal grupo era assim chamado devido ao fato de seus membros serem parcialmente submissos às regras da Ordem regular à qual estavam filiados; eram leigos que não faziam o voto de castidade, exigido para as Ordens Primeiras (masculinas) e Ordens Segundas (femininas). As Ordens Terceiras, por estarem subordinadas às Primeiras, teriam seus espaços de oração garantidos na organização física dos conventos, igualmente interferindo na forma arquitetônica dos complexos religiosos. Uma vez destacadas bases para a morfologia do edifício conventual em dois relevantes momentos da história da Igreja – nos seus primórdios, e no século XVI, quando o Catolicismo assumiria papel triunfante no cenário religioso europeu – cumpre enfocar os procedimentos metodológicos que nortearam o trabalho de modo a atingir o objetivo a que se propôs. Metodologia e Análise Para alcançar os resultados previstos, o trabalho é desenvolvido basicamente segundo quatro enfoques de nítida conexão entre si, iniciando com uma rápida incursão acerca dos mosteiros primitivos da Europa, como já foi visto, seguida de um estudo da morfologia dos conventos portugueses. Dando prosseguimento, o ensaio trata da tipologia arquitetônica dos conventos dos frades menores no nordeste brasileiro no período colonial (representada através do convento da Parahyba), e depoi s faz uma análise comparativa dos conjuntos arquitetônicos edificados na atual cidade de João Pessoa. A revisão literária foi de fundamental importância para garantir um aporte teórico ao trabalho, sendo essencial para o entendimento do modelo inicial de configuração física dos conjuntos, que foi 398 Série Iniciados v. 23 seguida no decorrer dos séculos pelas ordens católicas. No que diz respeito às construções da antiga cidade da Parahyba, foi feita uma pesquisa iconográfica tanto na literatura disponível, como no sítio digital Memória João Pessoa, principalmente devido às intervenções adotadas nos conjuntos, tanto em relação à forma arquitetônica, como na distribuição dos ambientes. Outro procedimento basilar para a investigação compreendeu o mapeamento dos objetos de estudo no Centro Histórico da antiga Filipéia, seguido de minucioso levantamento fotográfico como forma de melhor ilustrar o atual estado das edificações, levando em consideração, além das modificações, as perdas e danos sofridos no decorrer do tempo, a exemplo da demolição da igreja dos jesuítas no segundo decênio do século XX. Além da revisão da literatura e da pesquisa iconográfica, o acesso ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (IPHAEP) foi fundamental, especialmente na busca de desenhos técnicos que ilustrassem a antiga ou atual configuração espacial dos edifícios em questão, possibilitando uma análise mais precisa dos espaços neles existentes, assim como sua localização nos arranjos físicos adotados, o que contribuiu para a identificação das principais semelhanças e discrepâncias dos conjuntos. A análise feita levou em consideração quatro características principais: a implantação dos conjuntos religiosos, a morfologia da igreja conventual, o partido do seu frontispício, e a disposição da quadra claustral. A construção do texto aconteceu durante toda a trajetória da investigação, desde a revisão bibliográfica até a etapa analítica do trabalho, que foi baseada nos registros in loco e no processamento dos dados obtidos, culminando com as considerações finais, onde fica registrado o atendimento aos objetivos propostos no plano. Uma vez considerada a metodologia adotada, a próxima seção trata da morfologia