O modelo conventual franciscano nordestino:
aproximações com arranjos físicos de outras ordens religiosas
professavam votos de pobreza, castidade e
obediência). Além dessa fatia clerical, havia
a presença de ordens terceiras associadas
às ordens regulares, e também irmandades
e confrarias difundindo os ensinamentos
católicos. Segundo Mendes et al (2011, p.
156), tal grupo era assim chamado devido ao
fato de seus membros serem parcialmente
submissos às regras da Ordem regular à
qual estavam filiados; eram leigos que não
faziam o voto de castidade, exigido para as
Ordens Primeiras (masculinas) e Ordens
Segundas (femininas). As Ordens Terceiras,
por estarem subordinadas às Primeiras,
teriam seus espaços de oração garantidos na
organização física dos conventos, igualmente
interferindo na forma arquitetônica dos
complexos religiosos.
Uma vez destacadas bases para a
morfologia do edifício conventual em dois
relevantes momentos da história da Igreja –
nos seus primórdios, e no século XVI, quando
o Catolicismo assumiria papel triunfante
no cenário religioso europeu – cumpre
enfocar os procedimentos metodológicos
que nortearam o trabalho de modo a atingir
o objetivo a que se propôs.
Metodologia e Análise
Para alcançar os resultados previstos,
o trabalho é desenvolvido basicamente
segundo quatro enfoques de nítida conexão
entre si, iniciando com uma rápida incursão
acerca dos mosteiros primitivos da Europa,
como já foi visto, seguida de um estudo da
morfologia dos conventos portugueses.
Dando prosseguimento, o ensaio trata da
tipologia arquitetônica dos conventos dos
frades menores no nordeste brasileiro no
período colonial (representada através
do convento da Parahyba), e depoi s faz
uma análise comparativa dos conjuntos
arquitetônicos edificados na atual cidade de
João Pessoa.
A revisão literária foi de fundamental
importância para garantir um aporte
teórico ao trabalho, sendo essencial para
o entendimento do modelo inicial de
configuração física dos conjuntos, que foi
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Série Iniciados v. 23
seguida no decorrer dos séculos pelas ordens
católicas. No que diz respeito às construções
da antiga cidade da Parahyba, foi feita uma
pesquisa iconográfica tanto na literatura
disponível, como no sítio digital Memória
João Pessoa, principalmente devido às
intervenções adotadas nos conjuntos, tanto
em relação à forma arquitetônica, como na
distribuição dos ambientes.
Outro procedimento basilar para a
investigação compreendeu o mapeamento
dos objetos de estudo no Centro Histórico
da antiga Filipéia, seguido de minucioso
levantamento fotográfico como forma de
melhor ilustrar o atual estado das edificações,
levando em consideração, além das
modificações, as perdas e danos sofridos no
decorrer do tempo, a exemplo da demolição
da igreja dos jesuítas no segundo decênio do
século XX.
Além da revisão da literatura e da
pesquisa iconográfica, o acesso ao Instituto
do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
(IPHAN) e ao Instituto do Patrimônio
Histórico e Artístico do Estado da Paraíba
(IPHAEP) foi fundamental, especialmente na
busca de desenhos técnicos que ilustrassem
a antiga ou atual configuração espacial
dos edifícios em questão, possibilitando
uma análise mais precisa dos espaços neles
existentes, assim como sua localização
nos arranjos físicos adotados, o que
contribuiu para a identificação das principais
semelhanças e discrepâncias dos conjuntos.
A análise feita levou em consideração quatro
características principais: a implantação dos
conjuntos religiosos, a morfologia da igreja
conventual, o partido do seu frontispício, e a
disposição da quadra claustral. A construção
do texto aconteceu durante toda a trajetória da
investigação, desde a revisão bibliográfica até
a etapa analítica do trabalho, que foi baseada
nos registros in loco e no processamento
dos dados obtidos, culminando com as
considerações finais, onde fica registrado
o atendimento aos objetivos propostos no
plano.
Uma vez considerada a metodologia
adotada, a próxima seção trata da morfologia