O modelo conventual franciscano nordestino:
aproximações com arranjos físicos de outras ordens religiosas
também pelas demais ordens religiosas,
cujas casas apresentavam espaços similares,
principalmente em decorrência da sua
comprovada funcionalidade. A partir do
século XVI o modelo foi amplamente
reproduzido no Novo Mundo funcionando
como habitação e trabalho das comunidades
eclesiásticas encarregadas da difusão da fé
católica e do Império Ibérico.
No Brasil, as ordens religios as tiveram
um papel preponderante na expansão
do Catolicismo, fortemente abalado na
Europa pela Reforma Protestante. No
âmbito do Nordeste, franciscanos, jesuítas,
carmelitas e beneditinos tiveram destaque,
sobretudo no processo de catequização,
requisito fundamental para a pacificação
com os nativos, e consequentemente para o
sucesso do projeto colonizador português.
A antiga cidade de Filipéia, foco principal
desta pesquisa, contou com a contribuição
das quatro ordens supracitadas, cujos
conjuntos arquitetônicos foram basilares
para a formação de um modelo de arquitetura
religiosa. Os referidos edifícios igualmente
contribuíram para a expansão da cidade
que, a exemplo de outras vilas e povoações
coloniais, definiam ruas e praças para o
acesso e contemplação dos mesmos.
Considerando
a
hipótese
da
adoção desse modelo básico, primitivo, de
edificação religiosa pelas diferentes ordens
católicas, este trabalho revisita o arranjo
físico de antigos mosteiros no mundo
ocidental, destacando seus ambientes e suas
respectivas localizações na planta cenobítica,
e sugerindo sua universalidade no contexto
do clero regular, como resultado do pronto
atendimento dos espaços às demandas gerais
das respectivas comunidades religiosas.
Nesses termos, a pesquisa intenta identificar
as principais semelhanças existentes entre
conventos edificados pelos franciscanos,
e aqueles das outras ordens em pauta,
evidenciando exemplos que atestem bem as
aproximações detectadas.
O trabalho também procura verificar
até que ponto o modelo conventual vigente
na Metrópole portuguesa foi reproduzido
nos conjuntos arquitetônicos franciscanos
edificados no nordeste colonial, com
destaque para o convento de Santo Antônio
da Paraíba, principalmente no tocante à sua
riqueza morfológica, registrada também
nas casas das outras ordens estabelecidas na
antiga Filipéia.
Não obstante, a importância da
pesquisa não reside apenas no estudo
de um modelo conventual recorrente ao
longo do tempo, mas principalmente no
processo evolutivo por que passou até
chegar à sua morfologia atual. Para tanto, o
trabalho aborda o contexto primeiro onde as
comunidades religiosas teriam se formado ao
nível da Europa, e traz, como forma de melhor
ilustrar suas semelhanças, evidências dos
conjuntos arquitetônicos produzidos pelas
quatro ordens religiosas atuantes na antiga
Filipéia, com ênfase para aquele fabricado
pelos franciscanos.
Fundamentação Teórica
Para um melhor entendimento
sobre essa arquitetura manifesta pelo clero
regular no Brasil colonial, notadamente na
cidade paraibana, objeto do presente estudo,
é importante que, inicialmente se recorra
aos modelos físicos que, num passado
longínquo, abrigaram os primeiros grupos de
religiosos obstinados por uma vida de oração,
trabalho e contemplação. Naquele contexto,
a organização dos espaços era resultado das
atribuições religiosas, litúrgicas e de trabalho
coletivo relativas às diferentes comunidades,
sempre calcadas nos ensinamentos cristãos.
Segundo Pevsner (1943, p.47), já
no século IV, eremitas viviam isolados
em cabanas e cavernas nos desertos do
Egito, trazendo consigo a ideia de refúgios
individuais, por motivos de penitência e
busca de tranqüilidade. Com o passar do
tempo, esses monges chamados cenobitas,
começaram a se deslocar em grupos, antes
mesmo de abandonarem seus refúgios
individuais, assumindo caráter comunal a
igreja, as capelas ou outros espaços adicionais
necessários para o desenvolvimento de suas
atribuições religiosas.
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