Série Iniciados Vol. 23 | Página 394

O modelo conventual franciscano nordestino: aproximações com arranjos físicos de outras ordens religiosas Luana Abrantes Gonçalves 1 Ivan Cavalcanti Filho 2 Resumo O presente trabalho tem como objetivo estudar a presença (ou não) de traços identitários nos conjuntos arquitetônicos edificados por quatro ordens da Igreja Católica que se instalaram na antiga cidade de Filipéia – franciscanos, beneditinos, carmelitas e jesuítas – procurando mostrar até que ponto suas características formais foram replicadas e os fatores que concorreram para tal. Para tanto, foi realizada uma breve incursão nas primitivas construções monásticas na Europa como forma de compreender melhor os traços morfológicos gerais inerentes às mesmas, sua evolução ao longo dos séculos e como esse modelo conventual implementado em terras portuguesas chegou ao Brasil. A revisão da literatura, o processamento dos dados obtidos, a análise da iconografia e dos desenhos técnicos disponíveis, além do levantamento fotográfico dos monumentos locais foram basilares para o estudo, contribuindo para a detecção da existência de um verdadeiro esquema projetual recheado de semelhanças que regiam a produção local de arquitetura eclesiástica. Palavras-chave: Arquitetura Conventual. Franciscanos. Ordens religiosas. Parahyba. Apresentação O processo de colonização por que passou o Brasil entre os séculos XVI e XVIII teve a importante participação das ordens religiosas que, engajadas no sistema do Padroado Régio promovido pela Coroa Portuguesa e a Igreja Católica, contribuíram para a povoação e defesa do território. Para tanto, construíram complexos religiosos que foram fundamentais para o bom desempenho das atividades missionárias desenvolvidas por seus religiosos, além de terem papel preponderante no desenvolvimento das vilas e cidades. O padroado português pode ser amplamente definido como uma combinação de direitos, privilégios e deveres concedidos pelo papado à Coroa de Portugal como patrona das missões e instituições eclesiásticas católicas romanas em vastas regiões da África, da Ásia e do Brasil (BOXER, 2002, p. 243). Os complexos monásticos compreendiam espaços destinados à oração, reflexão, contemplação, e descanso da comunidade envolvida, além de trabalhos manuais e outras atividades profissionais, todas dispostas segundo uma lógica funcional calcada na religião. Essa organização, iniciada pelos monges beneditinos no século VI, foi replicada no contexto europeu em construções produzidas não só pelos franciscanos, mas Título do Projeto de Pesquisa/Plano de Trabalho: A Morfologia da Arquitetura Franciscana no Nordeste do Brasil colonial / O modelo conventual franciscano nordestino: aproximações com arranjos físicos de outras ordens religiosas 1 Estudante de Iniciação Científica: Luana Abrantes Gonçalves (e-mail: luanaabrantesg@gmail.com, telefone: (83) 99180-0200) Instituição de vínculo da bolsa: UFPB/CNPq (www.propesq.ufpb.br, e-mail:cadastrocgpaic@propesq.ufpb.br) 2 Orientador: Ivan Cavalcanti Filho (email: icavalcantifilho@yahoo.com.br, telefone: (83) 98875-6047) 394 Série Iniciados v. 23