O modelo conventual franciscano nordestino:
aproximações com arranjos físicos de outras ordens religiosas
Luana Abrantes Gonçalves 1
Ivan Cavalcanti Filho 2
Resumo
O presente trabalho tem como objetivo estudar a presença (ou não) de traços
identitários nos conjuntos arquitetônicos edificados por quatro ordens da Igreja Católica
que se instalaram na antiga cidade de Filipéia – franciscanos, beneditinos, carmelitas e
jesuítas – procurando mostrar até que ponto suas características formais foram replicadas
e os fatores que concorreram para tal. Para tanto, foi realizada uma breve incursão nas
primitivas construções monásticas na Europa como forma de compreender melhor os
traços morfológicos gerais inerentes às mesmas, sua evolução ao longo dos séculos e como
esse modelo conventual implementado em terras portuguesas chegou ao Brasil. A revisão
da literatura, o processamento dos dados obtidos, a análise da iconografia e dos desenhos
técnicos disponíveis, além do levantamento fotográfico dos monumentos locais foram
basilares para o estudo, contribuindo para a detecção da existência de um verdadeiro esquema
projetual recheado de semelhanças que regiam a produção local de arquitetura eclesiástica.
Palavras-chave: Arquitetura Conventual. Franciscanos. Ordens religiosas. Parahyba.
Apresentação
O processo de colonização por que
passou o Brasil entre os séculos XVI e XVIII
teve a importante participação das ordens
religiosas que, engajadas no sistema do
Padroado Régio promovido pela Coroa
Portuguesa e a Igreja Católica, contribuíram
para a povoação e defesa do território. Para
tanto, construíram complexos religiosos que
foram fundamentais para o bom desempenho
das atividades missionárias desenvolvidas
por seus religiosos, além de terem papel
preponderante no desenvolvimento das vilas
e cidades.
O padroado português pode ser
amplamente definido como uma
combinação de direitos, privilégios
e deveres concedidos pelo papado à
Coroa de Portugal como patrona das
missões e instituições eclesiásticas
católicas romanas em vastas regiões
da África, da Ásia e do Brasil (BOXER,
2002, p. 243).
Os
complexos
monásticos
compreendiam espaços destinados à oração,
reflexão, contemplação, e descanso da
comunidade envolvida, além de trabalhos
manuais e outras atividades profissionais,
todas dispostas segundo uma lógica funcional
calcada na religião. Essa organização, iniciada
pelos monges beneditinos no século VI, foi
replicada no contexto europeu em construções
produzidas não só pelos franciscanos, mas
Título do Projeto de Pesquisa/Plano de Trabalho: A Morfologia da Arquitetura Franciscana no Nordeste do Brasil
colonial / O modelo conventual franciscano nordestino: aproximações com arranjos físicos de outras ordens
religiosas
1
Estudante de Iniciação Científica: Luana Abrantes Gonçalves (e-mail: luanaabrantesg@gmail.com, telefone: (83)
99180-0200)
Instituição de vínculo da bolsa: UFPB/CNPq (www.propesq.ufpb.br, e-mail:cadastrocgpaic@propesq.ufpb.br)
2
Orientador: Ivan Cavalcanti Filho (email: icavalcantifilho@yahoo.com.br, telefone: (83) 98875-6047)
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Série Iniciados v. 23