Morrer no Semiárido brasileiro: secularidade, avanços e desafios
níveis educacionais e econômicos, além de outros indicadores de baixo desempenho. Ela é composta por 137 microrregiões e 1.133 municípios, que corresponde a aproximadamente 87 % da Região Nordeste( IBGE, 2010).
O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal( IDHM) que busca expressar o grau de desenvolvimento de uma região é considerado baixo para aproximadamente 82 % dos municípios do Semiárido. Esses percentuais estão muito acima da média nacional, que possui apenas 31,6 % dos municípios e 15 % da população nessa faixa. Estas magnitudes representam um déficit em relação aos indicadores de renda, educação, saúde e longevidade para 62 % da população do Semiárido( SILVA, 2006), montante este considerado muito expressivo. Assim, admitindo-se a hipótese de que há uma associação entre a qualidade dos registros de óbitos com o nível de desenvolvimento da região traçou-se os seguintes objetivos.
Objetivos Objetivo geral
Verificar o nível de qualidade das estatísticas de óbitos identificando os diferenciais regionais do semiárido brasileiro.
Objetivos específicos- Estratificar as áreas quanto a qualidade dos registros de óbitos;
- Identificar quais regiões demandam prioridades nas políticas de melhoria dos sistemas de informações através dos cenários traçados;
- Analisar a relação entre a qualidade das estatísticas de óbitos com indicadores das condições de vida.
Metodologia Dados básicos e fontes
No Brasil existem duas fontes oficias de informações responsáveis pela produção das estatísticas vitais de óbitos que são: o Ministério da Saúde( MS) por meio do Sistema de Informação sobre Mortalidade( SIM), acessível através do sitio do Departamento de Informática do SUS( DATASUS), e a Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística( Fundação IBGE), cujos dados são acessíveis a partir do sitio do próprio DATASUS.
Os dados referentes aos óbitos foram obtidos do Sistema de Informação de mortalidade( SIM), para os anos de 2000 até 2010. Os dados de óbitos por causa básica se encontram categorizados segundo a decima revisão da Classificação Internacional de Doenças( CID-10), que vigora desde 1996.
As bases de dados foram construídas para o espaço geográfico do semiárido desagregado em 137 microrregiões em 9 estados.
Os dados foram organizados utilizando o programa Microsoft Office Excel 2010. Para a confecção dos mapas foi utilizado o software livre R versão 3.3.3( 64 bit).( R Core Team, 2017).
Cobertura dos óbitos
Para o cálculo da cobertura dos óbitos foi utilizado o método General Growth Balance( GGB) proposto por Hill( 1987) cuja cobertura média se refere ao decênio 2000 – 2010. Estas estimativas foram obtidas para o espaço geográfico dos estados do Semiárido por Silva e Paes( 2016). A Equação proposta por Hill é dada por:
N( a) N( a +) − r a + = 1 t � ln k 1
+ k 1 � k 2 k 2 C
em que N( a) e N( a +) são, respectivamente, o número de pessoas-anos vividos em uma idade exata e de uma idade exata em diante durante um período intercensitário t; D( a +) é o número de mortes de uma idade exata em durante o período intercensitário t; r a + é a taxa de crescimento cumulativa por idade; k 1 e k 2 representam a cobertura da enumeração do primeiro e segundo censos; C é um fator que representa a cobertura dos registros de óbitos.
Para os anos de censo de 1991 a 2010 a cobertura foi calculada para os estados e microrregiões por meio do método da equação
1� 2
�
D( a +) N( a +)
Série Iniciados v. 23
379