Série Iniciados Vol. 23 | Page 378

Morrer no Semiárido brasileiro: secularidade, avanços e desafios
Kelfanio Alves Maciel 1 Neir Antunes Paes 2
Resumo
Traçou-se como objetivo verificar o nível de qualidade dos registros de óbitos associado com indicadores das condições de vida do Semiárido brasileiro. Os óbitos do SIM de 1980 a 2010 por microrregiões foram separadas em grupos pela análise de cluster. A cobertura dos óbitos foi estimada através de dois métodos para 1991, 2000 e 2010. 57 % das microrregiões apresentaram coberturas e causas mal definidas classificadas na categoria Intermediário. Satisfatório e Deficiente com 19 % cada. A classificação dos grupos de causas de óbitos de 1980 – 2014 seguiu o perfil epidemiológico brasileiro liderado pelas doenças crônicas e causas externas. A análise de cluster formou três grupos diferenciados por variáveis como ações governamentais da ESF e IDHM. A qualidade dos registros revelou três blocos: em etapas mais avançados posicionaram-se Pernambuco e Sergipe, mas atrasados a Bahia e o norte de Minas Gerais e os demais Estados em uma categoria intermediária.
Palavra-chave: Demografia. Mortalidade. Estatísticas Vitais. Semiárido.
Apresentação
Os registros de óbitos fazem parte de vários indicadores demográficos e epidemiológicos, os quais representam ferramentas indispensáveis para avaliação dos sistemas de saúde e o planejamento de políticas públicas que visam a melhoria das condições de vida de uma população, bem como para a diminuição da mortalidade. No entanto, quando estes registros apresentam problemas de qualidade podem comprometer seriamente a fidedignidade dos indicadores.
A falta de informações e a deficiência na qualidade dos dados sobre a mortalidade de grande parte do país se constitui em um dos grandes problemas dos sistemas dos registros vitais, principalmente, em áreas que são pouco desenvolvidas e caracterizadas por fatores geográficos extremos( PAES, 2007; RIPSA, 2012). Entre estas áreas se encontra o Semiárido brasileiro.
A dificuldade maior está na obtenção de valores consistentes de registros nas pequenas áreas, devido à deficiência de notificação de óbitos e ao grau de variabilidade associado ao tamanho de algumas unidades geográficas de análise. Elas podem apresentar erros que se referem à contagem ou por falhas nas declarações das variáveis que compõem a Declaração de Óbito- DO. Estes erros são extremamente prejudiciais, visto que, eles são a base para a construção de vários indicadores demográficos e da saúde em geral nos municípios.
A região Semiárida brasileira está afastada da área litorânea e é representada pelos Estados do Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia e norte de Minas Gerais. Esta região é caracterizada por municípios com importante presença rural, com baixos
Título do Projeto de Pesquisa / Plano de Trabalho: Viver e morrer no semiárido brasileiro: secularidade, avanços e desafios / Morrer no semiárido brasileiro: secularidade, avanços e desafios
1
Estudante de Iniciação Científica: Kelfanio Alves Maciel( e-mail: kelfanio. alves @ gmail. com) Instituição de vínculo da bolsa: UFPB / CNPq( www. propesq. ufpb. br, e-mail: cadastrocgpaic @ propesq. ufpb. br)
2
Orientador: Neir Antunes Paes( e-mail: antunes @ de. ufpb. br)
378 Série Iniciados v. 23