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O edifício institucional neoclássico e sua configuração espacial na cidade da Parahyba civil colonial”.
Dessa forma, o papel de destaque, antes conferido à Igreja Católica e à produção barroca, passa a ser ocupado pela arquitetura oficial do Império. Contribuiu para esse processo a prática de alojar repartições em edifícios monásticos que se encontravam subutilizados devido à escassez de religiosos( SOUSA, 2000, p. 30). Na Parahyba, o exemplo mais ilustrativo do enfraquecimento da Igreja em relação à autoridade do Estado foi a apropriação do antigo Convento dos Jesuítas, que passou a funcionar como sede do Governo após a expulsão da Companhia de Jesus.
No âmbito teórico, a dupla finalidade atribuída à produção neoclássica manifestou-se através de duas vertentes de ensino da arquitetura: aquela desenvolvida na Academia Imperial de Belas-Artes e outra, menos formal e mais técnica, desenvolvida na Academia Militar. A primeira, sob a direção da Missão Artística Francesa, reproduziu o modelo de ensino da École des Beaux-Arts ao eleger a venustas como atributo mais importante no projeto arquitetônico, cuja produção foi marcada pelo apelo artístico e simbólico, sendo destinada, em sua maior parte, a edifícios ligados à Corte, no Rio de Janeiro e imediações. Em contraponto, a metodologia da Academia Militar optou pela funcionalidade e pelo pragmatismo da Polytechnique, em detrimento dos aspectos puramente estéticos, definindo a principal distinção entre arquitetos acadêmicos e engenheiros-militares, cujos desdobramentos repercutem até os dias atuais. Por sua abordagem mais utilitária, a engenharia militar desfrutou de maior aceitação nas capitais provincianas, em especial no Recife, cuja produção tornou-se referência do classicismo ao nível regional.
Na Parahyba, como já foi dito, a linguagem foi adotada na construção de novos prédios públicos, e incorporada, através de reformas, a edifícios monásticos de origem colonial. Considerando esse repertório, verifica-se a existência de elementos e características em comum, a exemplo do pátio interno, identificado em pelo menos cinco edificações, e da tendência à simetria e à modulação. Em conformidade com as recomendações de Palladio, geralmente a disposição dos ambientes seguia uma hierarquia funcional. A lógica também se aplicava à ornamentação interna dos edifícios, levando em conta os usos aos quais se destinavam. Aqueles considerados nobres receberiam tratamento mais elegante, como se pode observar no Palácio da Redenção e no Teatro Santa Roza, por exemplo; enquanto aqueles destinados a atividades comuns, como as instalações militares, seriam marcados pela simplicidade e austeridade interna.
No tocante aos edifícios de origem colonial, tudo leva a crer que não houve modificações radicais em relação ao ordenamento dos espaços, tendo em vista que os parâmetros clássicos relativos à funcionalidade correspondem às noções universais que sempre permearam a produção arquitetônica ocidental. Portanto, as adaptações ocorridas no século XIX, decorrentes dos novos usos, não apagaram integralmente o passado colonial. Os claustros sobreviveram em forma de pátios internos, em alusão aos palácios florentinos, enquanto as paredes estruturais, mais espessas, revelam indícios do arranjo original. Nesse sentido, verifica-se que a aplicabilidade dos princípios clássicos concernentes à disposição dos espaços transcendeu movimentos e tendências arquitetônicas, cujas abordagens são meramente formais e, na maioria das vezes, atreladas a critérios estéticos.
Com o fim do período imperial e o estabelecimento da República, observase que as mudanças sócio-políticas repercutiram na produção arquitetônica, dessa vez, através da imposição de novas vertentes estilísticas sobre aquela considerada‘ símbolo’ do Império. Nesse sentido, enquanto vários prédios públicos eram reformados em nome de linguagens‘ modernizantes’, outros começavam a ser construídos segundo a leitura neoclássica, destacando-se pelo fato de serem exemplares
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