Série Iniciados Vol. 23 | Page 373

O edifício institucional neoclássico e sua configuração espacial na cidade da Parahyba Figura 42: Biblioteca Pública, planta baixa Fonte: Superintendência de Obras do Plano de Desenvolvimento do Estado - SUPLAN, 1996 (Redesenho: Jessica Rabello) Figura 43: Salão de leitura, 2017 Fonte: Acervo Jessica Rabello • Para além das fachadas: reflexões sobre o patrimônio neoclássico Uma vez contemplados os edifícios neoclássicos identificados na cidade da Parahyba, é importante destacar o componente teórico que, em tese, teria norteado sua materialização. Considerando que a obra arquitetônica é destinada a um proprietário (ou usuário), a um lugar e a uma finalidade (VITRÚVIO, 2007, p. 79- 80), pode-se afirmar que as transformações ocorridas na arquitetura brasileira do século XIX refletiram as mudanças sociopolíticas decorrentes do regime monárquico. Ao superar a condição de colônia e assumir a posição de império, o Brasil tornava-se ‘sítio’ de uma nova arquitetura oficial, cujo ‘proprietário’ era o Estado. Nesse contexto, a linguagem neoclássica atenderia a uma dupla finalidade: a primeira, de caráter simbólico, estava vinculada aos aspectos formais da venustas; e a segunda, derivada da utilitas, dizia respeito à demanda de usos e aos novos programas arquitetônicos, conforme atesta Sousa (1994, p. 73): “Assim, os melhores edifícios classicistas do Império seriam teatros, hospitais, palácios, residências e outros prédios civis, e não igrejas, como as obras maiores do nosso barroco. E a produção elaborada e diversificada que eles representam não tem paralelo na arquitetura Série Iniciados v. 23 373