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O edifício institucional neoclássico e sua configuração espacial na cidade da Parahyba
religiosos, não mais vinculados ao Estado. Assim, considerando a função destinada aos edifícios construídos no século XX, percebese que a produção neoclássica tardia não mais representava uma arquitetura oficial do país, mas uma referência à tradição neoclássica internacional.
Conclusões
Compreendendo o entusiasmo pela estética neoclássica no país, não se pode ignorar a monumentalidade que caracterizou o repertório arquitetônico do Rio de Janeiro e circunvizinhanças, símbolo da retórica grandiloquente da Corte, que reverberou nas principais cidades do Império, em especial no Recife. Devido à proximidade com a capital pernambucana, a Parahyba igualmente incorporou a linguagem imperial aos prédios públicos mais importantes da cidade a fim de comprovar sua autonomia como capital através da construção de novos cenários urbanos.
Considerando tal produção, a presente pesquisa estabeleceu uma classificação segundo a gênese dos edifícios, visto que pelo menos três deles foram construídos ainda no período colonial, adquirindo feições neoclássicas a posteriori, seis foram erigidos no século XIX, e os três restantes remetem ao século XX, constituindo exemplares tardios do neoclassicismo. Assim, pôde ser traçado um percurso de análise próprio para cada grupo, de forma a identificar as modificações nos arranjos espaciais, decorrentes dos diferentes usos a eles conferidos, e verificar a presença de elementos e características comuns à maioria, mesmo entre aqueles construídos no período colonial. Nesse sentido, verificou-se que, apesar de não atenderem rigorosamente aos parâmetros da arquitetura clássica, geralmente os arranjos eram norteados pelo fator utilitas, expressando tendência à simetria e à modulação, o que permitia maior flexibilidade de usos, bem como ampliações e adaptações, sem que se perdesse a ideia de unidade. Afinal, os princípios clássicos da arquitetura resultam da objetividade, da submissão à razão e, portanto, possuem caráter atemporal, não estando necessariamente vinculados a vertentes estilísticas.
A homogeneidade formal dos exemplares construídos na Parahyba, apesar de sua simplicidade, testifica a existência de uma vertente arquitetônica de qualidade inegável, cuja difusão esteve a cargo dos profissionais da engenharia militar, que comandavam a maioria das obras públicas realizadas nas províncias. Tal evidência sugere a necessidade de reivindicar, como o fez Sousa( 1994), a posição dos engenheiros militares na historiografia( que geralmente só destaca a matriz francesa da Academia Imperial de Belas-Artes), bem como a pertinência de reconhecer a qualidade da arquitetura produzida na Parahyba do século XIX, que é mencionada, na maioria das vezes, pela precariedade e modéstia provinciana. Apesar de ter perdido parte desse patrimônio em detrimento de vertentes arquitetônicas‘ modernizantes’ do século XX, os registros iconográficos confirmam a presença de uma linguagem clássica sólida e vigorosa adotada na arquitetura oficial da capital paraibana.
A partir do exposto, as evidências apresentadas na presente pesquisa acenam para novos desdobramentos que a mesma enseja, dessa vez, no sentido de investigar a formação e a atuação dos profissionais que conceberam os edifícios neoclássicos da cidade da Parahyba. Assim, a ideia de uma nova pesquisa contemplando a autoria das obras, além de um exame sobre a relação entre o ensino oficial da arquitetura no século XIX e a prática profissional nas províncias soam como estudos promissores, cuja compreensão é crucial para o conhecimento da produção arquitetônica neoclássica local.
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