Série Iniciados Vol. 23 | Seite 354

O edifício institucional neoclássico e sua configuração espacial na cidade da Parahyba Ao concordar a funcionalidade e a eficiência das técnicas construtivas com o aspecto estético de suas obras, os profissionais da engenharia militar revelavam um classicismo condizente com a tríade vitruviana, privilegiando, entretanto, o caráter utilitário da arquitetura. Já na Academia de Belas-Artes, os aspectos formais assumiriam primeiro plano, em detrimento da firmitas e da utilitas. Com base nessas duas vertentes, a tendência neoclássica disseminou-se por todo o Império, assimilando influências europeias à tradição colonial e ampliando o repertório da arquitetura civil brasileira. Em 1860, a maioria das edificações oficiais modernas do Brasil Imperial ostentava a linguagem neoclássica, sobretudo no Rio de Janeiro, e nas capitais provincianas mais importantes – na época, Salvador, Recife, Belém e Porto Alegre. Acerca da capital pernambucana, Sousa (1994, p. 18) enfatiza sua inclusão no cenário da arquitetura imperial: “Recife deu ao movimento uma contribuição equivalente ou mesmo superior à do Rio de Janeiro, sobretudo se se toma como parâmetro de avaliação a originalidade das obras, caso em que Recife passa a ocupar uma posição de primazia”. Para o autor, a arquitetura produzida no Recife manifestou uma maior aproximação com a tradição colonial, norteada pelo utilitarismo da engenharia militar. Houve uma preocupação de se reduzir ao máximo aqueles elementos arquitetônicos que mesmo constituindo símbolos consagrados do classicismo careciam de uma efetiva utilidade; [...] Ou seja, houve uma tendência a se privilegiar as formas simples e severas e de finalidade acima de tudo utilitária, e não apenas simbólica ou ornamental. (SOUSA, 1994, p. 92) Dentre os centros urbanos que integraram a área de influência do Recife estava a cidade da Parahyba, atual João Pessoa, que, por sua proximidade à capital pernambucana, absorveu o classicismo 354