O edifício institucional neoclássico e sua configuração espacial na cidade da Parahyba
Ao concordar a funcionalidade
e a eficiência das técnicas construtivas
com o aspecto estético de suas obras,
os profissionais da engenharia militar
revelavam um classicismo condizente com a
tríade vitruviana, privilegiando, entretanto,
o caráter utilitário da arquitetura. Já na
Academia de Belas-Artes, os aspectos
formais assumiriam primeiro plano, em
detrimento da firmitas e da utilitas. Com
base nessas duas vertentes, a tendência
neoclássica disseminou-se por todo o
Império, assimilando influências europeias à
tradição colonial e ampliando o repertório da
arquitetura civil brasileira.
Em 1860, a maioria das edificações
oficiais modernas do Brasil Imperial ostentava
a linguagem neoclássica, sobretudo no Rio
de Janeiro, e nas capitais provincianas mais
importantes – na época, Salvador, Recife,
Belém e Porto Alegre. Acerca da capital
pernambucana, Sousa (1994, p. 18) enfatiza
sua inclusão no cenário da arquitetura
imperial: “Recife deu ao movimento uma
contribuição equivalente ou mesmo superior
à do Rio de Janeiro, sobretudo se se toma
como parâmetro de avaliação a originalidade
das obras, caso em que Recife passa a ocupar
uma posição de primazia”. Para o autor, a
arquitetura produzida no Recife manifestou
uma maior aproximação com a tradição
colonial, norteada pelo utilitarismo da
engenharia militar.
Houve
uma
preocupação
de
se reduzir ao máximo aqueles
elementos arquitetônicos que mesmo
constituindo símbolos consagrados do
classicismo careciam de uma efetiva
utilidade; [...] Ou seja, houve uma
tendência a se privilegiar as formas
simples e severas e de finalidade
acima de tudo utilitária, e não apenas
simbólica ou ornamental. (SOUSA,
1994, p. 92)
Dentre os centros urbanos que
integraram a área de influência do Recife
estava a cidade da Parahyba, atual João
Pessoa, que, por sua proximidade à capital
pernambucana, absorveu o classicismo
354