O edifício institucional neoclássico e sua configuração espacial na cidade da Parahyba
da Polícia Militar (antigo Tesouro Provincial),
o Teatro Santa Roza, a Casa do Artesão
Paraibano (antigo Quartel de Polícia), a antiga
Alfândega e a Biblioteca Estadual Augusto
dos Anjos (antiga Escola Normal). O terceiro
grupo, assim como o anterior, é formado
por prédios originalmente neoclássicos,
diferenciando-se, no entanto, por se tratarem
de exemplares tardios, erigidos no século XX,
e por constituírem edifícios institucionais
de função religiosa, considerando a Igreja
enquanto instituição. Neste grupo, incluem-
se a capela São Vicente de Paulo, a Primeira
Igreja Batista e a Paróquia de Nossa Senhora
do Rosário. Vale ressaltar que, no repertório
em pauta, quatro edificações não mais
apresentam leitura neoclássica, tendo sido
alterados para vertentes arquitetônicas do
século XX, a saber o ecletismo, o art déco e o
neocolonial luso-brasileiro.
Compreendendo a materialidade
do objeto da pesquisa, a metodologia foi
desenvolvida no sentido de reunir todos
os dados disponíveis acerca dos edifícios
supracitados. Parte desses dados foram
levantados em vigência anterior do projeto
(2015-2016), cujo objetivo era identificar
e registrar a presença da linguagem
neoclássica e seus principais componentes
morfológicos na cidade da Parahyba.
Sob a ótica da funcionalidade, dessa vez,
a investigação partiu do levantamento
arquitetônico dos imóveis elencados, e a
digitalização das respectivas plantas baixas.
Complementando o material gráfico, foi
realizado o levantamento fotográfico dos
espaços internos das edificações. Os dados
obtidos, somados àqueles da pesquisa
anterior (fotografias e dados históricos),
foram organizados em fichas, que serviram
de base para o presente ensaio.
No processo de análise das fichas,
foram consultados documentos históricos
e relatórios dos presidentes da Província no
período imperial, no encalço de informações
sobre cada edifício (em especial aqueles que
teriam sofrido modificações radicais em
sua volumetria), a fim de descobrir detalhes
relativos à sua configuração original, às
funções que atendera e às reformas porque
passara. Dessa forma, foi possível traçar um
estudo individual das edificações à luz dos
conceitos explorados na tratadística clássica,
destacando os elementos mais recorrentes
nos arranjos espaciais, bem como as possíveis
alterações ocorridas ao longo dos anos.
Para uma melhor compreensão do
trabalho, são apresentados nove dos doze
imóveis analisados na pesquisa original,
correspondendo
aos
dois
primeiros
grupos – aquele de edifícios do período
colonial e aquele do período imperial. Serão
desconsiderados, portanto, os exemplares
neoclássicos tardios.
•
Grupo 1: Edifícios de origem colonial
Construído originalmente no século
XVI, o Palácio da Redenção foi, provavelmente,
o exemplar neoclássico mais representativo
do período imperial, levando em conta a
sua função – sede do Governo da Parahyba.
O edifício funcionou como Convento dos
Jesuítas até a expulsão dos religiosos por
Marquês de Pombal no século XVIII, e em 1771
passou a sediar o Governo (Figuras 04 e 05).
Na narrativa das obras executadas em 1858
pelo presidente da Província, Beaurepaire
Rohan, verifica-se que o prédio era disposto
em forma de U, e o andar térreo abrigava a
repartição dos Correios. Para ligar entre si as
duas alas do edifício, no intento de melhor
acomodar suas funções, B. Rohan mandou
construir mais um compartimento com
um terraço ao nível do pavimento superior,
correspondente à atual secretaria particular
do Governador, comunicando-se com a sala
de recepção e as duas alas do prédio. Foram
feitas também as divisões necessárias no
espaço que antes era ocupado pela secretaria,
de forma a criar um salão que servisse de
gabinete do presidente e tivesse comunicação
direta para a secretaria (ROHAN, 1859, p.
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