Série Iniciados Vol. 23 | Page 355

O edifício institucional neoclássico e sua configuração espacial na cidade da Parahyba da Polícia Militar (antigo Tesouro Provincial), o Teatro Santa Roza, a Casa do Artesão Paraibano (antigo Quartel de Polícia), a antiga Alfândega e a Biblioteca Estadual Augusto dos Anjos (antiga Escola Normal). O terceiro grupo, assim como o anterior, é formado por prédios originalmente neoclássicos, diferenciando-se, no entanto, por se tratarem de exemplares tardios, erigidos no século XX, e por constituírem edifícios institucionais de função religiosa, considerando a Igreja enquanto instituição. Neste grupo, incluem- se a capela São Vicente de Paulo, a Primeira Igreja Batista e a Paróquia de Nossa Senhora do Rosário. Vale ressaltar que, no repertório em pauta, quatro edificações não mais apresentam leitura neoclássica, tendo sido alterados para vertentes arquitetônicas do século XX, a saber o ecletismo, o art déco e o neocolonial luso-brasileiro. Compreendendo a materialidade do objeto da pesquisa, a metodologia foi desenvolvida no sentido de reunir todos os dados disponíveis acerca dos edifícios supracitados. Parte desses dados foram levantados em vigência anterior do projeto (2015-2016), cujo objetivo era identificar e registrar a presença da linguagem neoclássica e seus principais componentes morfológicos na cidade da Parahyba. Sob a ótica da funcionalidade, dessa vez, a investigação partiu do levantamento arquitetônico dos imóveis elencados, e a digitalização das respectivas plantas baixas. Complementando o material gráfico, foi realizado o levantamento fotográfico dos espaços internos das edificações. Os dados obtidos, somados àqueles da pesquisa anterior (fotografias e dados históricos), foram organizados em fichas, que serviram de base para o presente ensaio. No processo de análise das fichas, foram consultados documentos históricos e relatórios dos presidentes da Província no período imperial, no encalço de informações sobre cada edifício (em especial aqueles que teriam sofrido modificações radicais em sua volumetria), a fim de descobrir detalhes relativos à sua configuração original, às funções que atendera e às reformas porque passara. Dessa forma, foi possível traçar um estudo individual das edificações à luz dos conceitos explorados na tratadística clássica, destacando os elementos mais recorrentes nos arranjos espaciais, bem como as possíveis alterações ocorridas ao longo dos anos. Para uma melhor compreensão do trabalho, são apresentados nove dos doze imóveis analisados na pesquisa original, correspondendo aos dois primeiros grupos – aquele de edifícios do período colonial e aquele do período imperial. Serão desconsiderados, portanto, os exemplares neoclássicos tardios. • Grupo 1: Edifícios de origem colonial Construído originalmente no século XVI, o Palácio da Redenção foi, provavelmente, o exemplar neoclássico mais representativo do período imperial, levando em conta a sua função – sede do Governo da Parahyba. O edifício funcionou como Convento dos Jesuítas até a expulsão dos religiosos por Marquês de Pombal no século XVIII, e em 1771 passou a sediar o Governo (Figuras 04 e 05). Na narrativa das obras executadas em 1858 pelo presidente da Província, Beaurepaire Rohan, verifica-se que o prédio era disposto em forma de U, e o andar térreo abrigava a repartição dos Correios. Para ligar entre si as duas alas do edifício, no intento de melhor acomodar suas funções, B. Rohan mandou construir mais um compartimento com um terraço ao nível do pavimento superior, correspondente à atual secretaria particular do Governador, comunicando-se com a sala de recepção e as duas alas do prédio. Foram feitas também as divisões necessárias no espaço que antes era ocupado pela secretaria, de forma a criar um salão que servisse de gabinete do presidente e tivesse comunicação direta para a secretaria (ROHAN, 1859, p. 0