Série Iniciados Vol. 23 | Page 352

O edifício institucional neoclássico e sua configuração espacial na cidade da Parahyba pelos engenheiros militares, e a de origem francesa, desenvolvida pela Academia Imperial de Belas-Artes. • Espaço e função na arquitetura do Brasil Imperial Até a chegada da Família Real Portuguesa, a Igreja era a instituição de maior influência no Brasil colonial. A expressividade da arquitetura limitava-se quase sempre aos edifícios religiosos, característicos do barroco brasileiro, em detrimento de uma arquitetura civil acanhada e modesta, já que na Colônia não deveria haver ostentação. Com a chegada da Corte no Rio de Janeiro, em 1808, surgem as primeiras iniciativas no sentido de modernizar as capitais mais importantes a fim de adequá-las aos padrões imperiais e reafirmar a ‘autonomia’ do Estado. A linguagem neoclássica funcionou então como uma ferramenta de transformação urbana na medida em que a ordem era suplantar a imagem colonial das cidades a partir de obras arquitetônicas que transpirassem o poder e a hegemonia do Império. Nesse sentido, o caráter simbólico dessa produção era evidenciado através dos seus aspectos formais, concernentes à venustas. Além do inegável apelo estético evocado pela arquitetura do século XIX, a iniciativa de construir novos prédios após a chegada da Corte também estava ligada a uma necessidade funcional, uma nova demanda de usos: “A Côrte e as capitais das províncias vão exigir instalações condígnas para secretarias de govêrno, assembléias, hospitais, escolas, faculdades, instituições de crédito [...]” (BARATA, 1954, 04). As edificações outrora centralizadoras do poder civil e eclesiástico passaram a dividir as atenções com outros programas arquitetônicos que incorporavam o novo cotidiano da vida urbana (MENDES et al, 2011, p. 68). Dessa forma, o neoclassicismo se configurava como arquitetura oficial do Império, fortalecida pela atuação de arquitetos e engenheiros de formação classicista, que desenvolveram o ensino oficial de arquitetura no Brasil. Inaugurada em fins de 1826, no Rio de Janeiro, a Academia Imperial de Belas-Artes introduziu o ensino artístico acadêmico no país, sob a direção de artistas e estudiosos franceses, entre eles, Grandjean de Montigny, responsável pela implantação do ensino regular de arquitetura e pela concepção do prédio destinado à Academia (SOUSA, 2001, p. 53-54). O terreno reservado para a construção era