O edifício institucional neoclássico e sua configuração espacial na cidade da Parahyba
pelos engenheiros militares, e a de origem
francesa, desenvolvida pela Academia
Imperial de Belas-Artes.
•
Espaço e função na arquitetura do
Brasil Imperial
Até a chegada da Família Real
Portuguesa, a Igreja era a instituição de maior
influência no Brasil colonial. A expressividade
da arquitetura limitava-se quase sempre
aos edifícios religiosos, característicos do
barroco brasileiro, em detrimento de uma
arquitetura civil acanhada e modesta, já que
na Colônia não deveria haver ostentação.
Com a chegada da Corte no Rio de Janeiro,
em 1808, surgem as primeiras iniciativas
no sentido de modernizar as capitais
mais importantes a fim de adequá-las aos
padrões imperiais e reafirmar a ‘autonomia’
do Estado. A linguagem neoclássica
funcionou então como uma ferramenta de
transformação urbana na medida em que a
ordem era suplantar a imagem colonial das
cidades a partir de obras arquitetônicas que
transpirassem o poder e a hegemonia do
Império. Nesse sentido, o caráter simbólico
dessa produção era evidenciado através
dos seus aspectos formais, concernentes à
venustas.
Além do inegável apelo estético
evocado pela arquitetura do século XIX, a
iniciativa de construir novos prédios após a
chegada da Corte também estava ligada a uma
necessidade funcional, uma nova demanda de
usos: “A Côrte e as capitais das províncias vão
exigir instalações condígnas para secretarias
de govêrno, assembléias, hospitais, escolas,
faculdades, instituições de crédito [...]”
(BARATA, 1954, 04). As edificações outrora
centralizadoras do poder civil e eclesiástico
passaram a dividir as atenções com outros
programas arquitetônicos que incorporavam
o novo cotidiano da vida urbana (MENDES et
al, 2011, p. 68). Dessa forma, o neoclassicismo
se configurava como arquitetura oficial
do Império, fortalecida pela atuação de
arquitetos e engenheiros de formação
classicista, que desenvolveram o ensino
oficial de arquitetura no Brasil.
Inaugurada em fins de 1826, no Rio de
Janeiro, a Academia Imperial de Belas-Artes
introduziu o ensino artístico acadêmico no
país, sob a direção de artistas e estudiosos
franceses, entre eles, Grandjean de Montigny,
responsável pela implantação do ensino
regular de arquitetura e pela concepção
do prédio destinado à Academia (SOUSA,
2001, p. 53-54). O terreno reservado para a
construção era