O edifício institucional neoclássico e sua configuração espacial na cidade da Parahyba
revolucionário. No entanto, dentro de um
contexto de Revolução Industrial, surgiu
também a necessidade de se criar construções
que atendessem à nova demanda de usos
das cidades: fábricas, estações ferroviárias,
hospitais, prisões, escolas. Nesse sentido,
segundo Mendes et al (2011, p. 35-37) a
metodologia desenvolvida por Jean-Nicolas-
Louis Durand, na École Polytechnique, optou
pelo pragmatismo e pela funcionalidade,
facilitando, assim, a maneira de projetar
tais edifícios. Durand elegeu a utilitas como a
mais importante da tríade vitruviana, tendo
em vista que a firmitas seria um meio para
se alcançar a funcionalidade, e a venustas
só seria obtida como resultante no final da
composição. Seu raciocínio era simples,
porém muito disciplinado, utilizando-se de
um reticulado quadrado como base para a
modulação (Figura 01).
Para Durand, a coluna passava a
comandar a composição, permitindo
uma grande flexibilidade para os
arquitetos e construtores. Dessa
forma, abolia-se a preocupação
de projetar dentro de alguma
classificação
pré-definida,
ideal
da Antiguidade, e seria possível
implementar futuras ampliações ou
acréscimos sem a perda da unidade
formal. (MENDES et al, 2011, p. 37)
Figura 1. Método projetual utilizado por Durand
Fonte: MENDES et al, 2011: p. 37
Durante o século XVIII, a maioria
dos arquitetos europeus trabalhava para o
governo, consequentemente, seus projetos
eram, com frequência, concebidos para servir
funções públicas e exaltar o Estado (FAZIO
et al, 2011, p. 410). A arquitetura era vista
pelos entusiastas do neoclassicismo como
um meio de fomentar a consciência cívica,
segundo os preceitos morais da Antiguidade.
Foi essa percepção que levou Thomas
Jefferson a adotar o estilo em solo americano.
Depois de ter passado um período em Paris,
o futuro presidente dos Estados Unidos
introduziria o neoclassicismo em projetos
de sua autoria, tornando tal linguagem, a
posteriori, a arquitetura oficial do país recém-
independente.
O mesmo se fez sentir no Brasil
imperial, onde foi produzido expressivo
patrimônio arquitetônico neoclássico, cujas
raízes remetem à influência portuguesa e ao
neoclassicismo francês. A seção que segue
trata dos aspectos utilitários dessa produção,
tendo como base as duas vertentes de ensino
estabelecidas no Brasil: aquela desenvolvida
Série Iniciados v. 23
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