O edifício institucional neoclássico e sua configuração espacial na cidade da Parahyba
podem ser consideradas como edifícios em miniatura?”( ALBERTI, 1988, I, apud Dziura, 2006, p. 29). Seguindo a mesma lógica das residências da Antiguidade, o“ coração” da casa era o átrio, ou o peristilo, que funcionava como um espaço semiprivado e remetia à função do fórum romano para a urbe. Dessa forma, as residências urbanas de Florença incorporaram o peristilo clássico através do cortile, ou pátio central, que servia de núcleo de circulação para os cômodos de seu perímetro, geralmente dispostos de forma simétrica e axial.
As casas situadas fora do contexto urbano, também chamadas de villas, ou casas de campo, possibilitavam projetos mais elaborados e foi essa tipologia que fez de Andrea Palladio um dos arquitetos mais influentes do Renascimento. Palladio estudou Vitrúvio, Alberti e, em suas frequentes visitas a Roma, conheceu a fundo os monumentos da Antiguidade, chegando a esboçá-los e integrá-los à sua obra teórica, I quatro libri dell architettura( 1570). A noção palladiana de beleza seguia a ideia proposta por Alberti e também reportava ao conceito de symmetria de Vitrúvio, porém, mais que qualquer outro arquiteto de seu tempo, Palladio deu forma a essa definição de beleza, utilizando-se das relações matemáticas de proporcionalidade de modo que partes distintas no uso e na forma tornavam-se semelhantes e bastante próximas por sua relação métrica, sua relação ideal( LANCHA, 2006, p. 83-84).
Nesse sentido, as villas poderiam ser analisadas pela identificação e leitura de suas partes, distinguindo aquelas que são nobres e belas e, portanto, devem ser expostas, daquelas que são ignóbeis e feias, porém igualmente importantes, pois estão a serviço das“ maiores e mais dignas”, assim como ocorre no corpo humano, em que os membros são a parte mais bela e por isso estão em evidência, enquanto as partes menos belas estão escondidas. Palladio vinculava o sistema de proporções à hierarquia funcional; logo, as dimensões e a disposição dos ambientes deveriam variar de acordo com a importância e o caráter da atividade que iria acontecer neles. Desse modo, as partes principais da casa corresponderiam às loggias, salas, pátios, cômodos magníficos e escadas amplas; e as partes menos elegantes seriam compostas pelos porões e pisos semienterrados, armazéns de lenha, despensas, cozinhas, copas e áreas de serviço( PALLADIO, 1945, II, 3, p. 126-127).
As demais tipologias da arquitetura civil renascentista foram conduzidas pelos mesmos princípios de simetria, axialidade e hierarquia, através da reinterpretação das construções da Antiguidade, como a basílica e as termas. No que diz respeito à arquitetura religiosa, os projetistas da Renascença não se limitaram a reproduzir o modelo de templo greco-romano, antes conceberam suas obras segundo as exigências práticas de sua própria era e da tradição cristã, conservando o espírito clássico a partir da manipulação de elementos arquitetônicos da Antiguidade e da submissão aos seus parâmetros.
A produção de Palladio exerceu grande influência sobre os arquitetos da Renascença tardia e, com a efervescência do revivalismo clássico no século XVIII, foi revisitada e traduzida para o inglês, tornando-se referência para um grupo de arquitetos britânicos que ficariam conhecidos como neopalladianos. Segundo Fazio et al( 2011, p. 400), um dos líderes do neopalladianismo foi o arquiteto escocês Colen Campbell, que publicou o livro Vitruvius Britannicus( 1715), no qual manifesta seu entusiasmo pela obra de Palladio, apresentando-a como o grande modelo da arquitetura.
O neopalladianismo constituiu, assim, uma das bases para a formação da arquitetura neoclássica, que se difundiu na Europa do século XVIII, embebida pelos ideais iluministas. Na França, a influência da tratadística clássica se expressou nos ensinamentos da École des Beaux-Arts e na École Polytechnique. Os arquitetos formados na École des Beaux-Arts procuravam aplicar partidos comumente utilizados na Antiguidade, optando pela monumentalidade e pela imponência dos edifícios, de forma que traduzissem o espírito do recente Estado
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