O uso de mapas conceituais no ensino de Administração: o‘ olhar’ docente de sua contribuição na aprendizagem discente
Metodologia
O presente estudo é de natureza qualitativa e exploratória, uma vez que procura compreender como os alunos desenvolvem comportamentos de autorregulação da aprendizagem a partir da utilização de mapas conceituais como estratégia de ensino. Segundo Flick( 2009) a pesquisa qualitativa deve considerar aspectos como: conhecimentos dos métodos e teorias, perspectivas dos participantes e sua diversidade, reflexividade do pesquisador e variedade de abordagens e métodos de pesquisa.
Essa abordagem se justifica pela natureza do tema e de uma maior aproximação e familiaridade com o fenômeno. Collins( 2005), classifica o método qualitativo como apropriado à compreensão de atividades humanas e sociais, pela subjetividade e capacidade de reflexão sobre os fenômenos observados.
O autor defende, ainda, que a pesquisa exploratória deve ser utilizada quando há a possibilidade de se obter informações novas ou desconhecidas em determinada área, alinhando-se ao objetivo da pesquisa, que busca identificar aspectos relacionados à autorregulação da aprendizagem a partir do uso de mapas conceituais, segundo a perspectiva de professores.
A técnica adotada para coleta de dados foi entrevista semi-estruturada. De acordo com Flick( 2004), nesta modalidade o pesquisador pode conduzir o diálogo, alterando a ordem das perguntas, adaptando-as a situação ou até mesmo adicionando mais assertivas ao roteiro no momento da execução da entrevista. Rosa e Arnoldi( 2006), também apontam que este método permite obter respostas mais completas e com maior domínio apresentado pelos sujeitos, e pela própria flexibilidade de adicionar mais assertivas, variar a ordem e assim captar melhor as nuances nas respostas dos entrevistados.
Dessa forma, foi elaborado um roteiro composto de 15 perguntas, divididas em 6 seções, sendo estas: desempenho acadêmico, processo de elaboração do mapa, processo de avaliação, articulação de conceitos com a prática, independência e nível de comprometimento; buscando identificar se o uso de mapas conceituais desperta no aluno uma nova postura, mais autodirecionada em que ele passa a autorregular o seu processo de aprendizagem.
O contexto da pesquisa é o Departamento de Administração da Universidade Federal da Paraíba, no qual foi realizado inicialmente levantamento informal de professores que utilizam mapas conceituais como estratégia de ensino. O contato inicial com os sujeitos da pesquisa se deu por meio de convite para participação no estudo via e-mail, sendo enviados nove convites e realizando-se seis entrevistas, que ocorreram entre os meses de maio e junho de 2017. As entrevistas foram gravadas e transcritas, com duração média de 26 minutos.
Para a análise dos dados, foram utilizados os pressupostos da análise de conteúdo propostos por Bardin( 2007), que envolvem a pré-análise, exploração do material, tratamento dos dados e inferência, para posterior interpretação. No primeiro momento, foi realizada a organização do material coletado, permitindo melhor agrupamento e classificação das informações.
Bardin( 2007), propõe que o pesquisador, inicialmente, realize uma leitura flutuante dos seus achados, portanto, efetuou-se nesta pesquisa a leitura das transcrições, permitindo identificar as categorias mais significativas para o estudo, de acordo com os objetivos estabelecidos no início do projeto.
Posteriormente, efetuou-se a exploração do material, determinando as categorias que mais se destacaram nas respostas dos docentes, bem como, definindo as subcategorias de análise. Na terceira etapa, agrupou-se os relatos dos respondentes, conforme as semelhanças apresentadas nos discursos, permitindo ao pesquisador um tratamento mais organizado e sistematizado, assim como recomenda a autora.
328 Série Iniciados v. 23