As livrarias franciscanas entre o setecentos e o oitocentos: acervos e temáticas em Pernambuco e na Paraíba
os seus filhos tivessem acesso à Instrução das
Primeiras Letras. Afinal de contas, um passo
necessário para a formação de “homens
doutos” era o domínio da gramática, o saber
ler, escrever e contar. Um conhecimento que
permitiria o exercício de cargos e funções
específicas de ascensão social dentro de
uma capitania e também nas terras da coroa
portuguesa.
No ano seguinte, o governador
decide novamente no dia 23 de abril de 1766
comunicar ao secretário de Estado a respeito
da necessidade de se prover a capitania com
mestres de gramática, fazendo um ofício
descrevendo novamente a causa do problema,
a situação em que se compreenderá no futuro
e tecendo um paralelo com Pernambuco:
Ill mo e Ex mo Snr
As instancias da necessid e , que
experimenta
esta
Capitania
de
Mestres de Grammatica depois
de expulsos os da denominada
Companhia de Jesus, torno a renovar
a v Ex. a esta precizaó, pois vivendo a
mocid. e em huma ociozid. e sem nivel,
se augmentaráo os maleficios, e se
reduzirá tudo a huma ignorancia
lastimoza, ao mesmo tempo, q se
precisa
indispensavelmente
de
a
homem do utissimos p cristianizar a
barbara gentilid e que se comprehende
nestes vastos sertoens.
No Recife de Pernambuco já os novos
M es Regios se estao exercitando sem
saber o motivo porq senaó partecipa
aquelle bem a esta Cid. e de que tanto
necessita, podendo qualquer das
Religoes de S. Francisco ou do Carmo
ensinarem pelo novo metodo em q. to
se nao servina M. e a estabelecer os
Estudos, cuja prov. a espero de v. Ex a
como tam empenhado na civilid e da
gente destes Estados.
A Ill mo Pessoa de v. a Ex. a . Paraiba, 23 de
abril de 1766.
Ill mo e Ex mo Francisco
Mendonça Furtado.
Xavier
de
Jeronimo Jose de Mello e Castro 6 .
Três anos depois, com um texto
semelhantes a todos os outros já enviados,
mais uma vez o Conselho Ultramarino é
acionado a respeito do mesmo assunto, com
a questão referente ao sertão ganhando mais
evidência:
Ill mo e Ex mo Snr
Logo no principio do meu Governo
dei p. e a v. Ex. a do Lastimozo Estado
desta Capitania na falta total de
M. es de Grammatica a que v. Ex. a
Respondeu tinha S. Mag. e commettido
providencear essas faltas ao Director
A. Romar de Almeyda, e até ao presente
se naó tem applicado a providencea
esperada.
V.
Ex. a que
tem
admiravel
conhecimento dos Sertoens da
America, bem verá quam preciza seja
esta provid. a p. a que a ignorancia nao
vá dominando tudo. Deos g. e a v. Ex. a
m ann Paraiba, 22 de Agosto de 1769.
Ill. mo Ex. mo S. r Francisco
Mendonça Furtado
Ill mo e Ex mo Francisco
Mendonça Furtado.
X er de
Xavier de
Jeronimo Joze de Mello e Castro7.
A carestia de mestres de gramática
durante este período resultava-se de duas
ações do Marquês de Pombal durante o
governo de D. José I diretamente ligadas
à política educacional do reformismo
pombalino: a primeira, a Expulsão da
Companhia dos Jesuítas (1759) dos domínios
6 OFÍCIO do [governador da Paraíba, brigadeiro] Jerônimo José de Melo e Castro, ao [secretário de estado da Marinha
e Ultramar], Francisco Xavier de Mendonça Furtado, comunicando da necessidade de se prover a capitania com no-
vos mestres de gramática, tendo em vista a expulsão dos jesuítas. 23 de abril de 1766, Paraíba. AHU-Paraíba, cx. 13,
AHU_ACL_CU_014, Cx. 23, D. 1783.
7OFÍCIO do [governador da Paraíba, brigadeiro] Jerônimo José de Melo e Castro, ao [secretário de estado da Marinha
e Ultramar], Francisco Xavier de Mendonça Furtado, sobre a falta total de mestres de gramática na capitania e da
necessidade deles nos sertões. 22 de agosto de 1769, Paraíba. AHU-Paraíba, cx. 14. (AHU_ACL_CU_014, Cx. 24, D.
1862).
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Série Iniciados v. 23