Série Iniciados Vol. 23 | Page 308

As livrarias franciscanas entre o setecentos e o oitocentos: acervos e temáticas em Pernambuco e na Paraíba os seus filhos tivessem acesso à Instrução das Primeiras Letras. Afinal de contas, um passo necessário para a formação de “homens doutos” era o domínio da gramática, o saber ler, escrever e contar. Um conhecimento que permitiria o exercício de cargos e funções específicas de ascensão social dentro de uma capitania e também nas terras da coroa portuguesa. No ano seguinte, o governador decide novamente no dia 23 de abril de 1766 comunicar ao secretário de Estado a respeito da necessidade de se prover a capitania com mestres de gramática, fazendo um ofício descrevendo novamente a causa do problema, a situação em que se compreenderá no futuro e tecendo um paralelo com Pernambuco: Ill mo e Ex mo Snr As instancias da necessid e , que experimenta esta Capitania de Mestres de Grammatica depois de expulsos os da denominada Companhia de Jesus, torno a renovar a v Ex. a esta precizaó, pois vivendo a mocid. e em huma ociozid. e sem nivel, se augmentaráo os maleficios, e se reduzirá tudo a huma ignorancia lastimoza, ao mesmo tempo, q se precisa indispensavelmente de a homem do utissimos p cristianizar a barbara gentilid e que se comprehende nestes vastos sertoens. No Recife de Pernambuco já os novos M es Regios se estao exercitando sem saber o motivo porq senaó partecipa aquelle bem a esta Cid. e de que tanto necessita, podendo qualquer das Religoes de S. Francisco ou do Carmo ensinarem pelo novo metodo em q. to se nao servina M. e a estabelecer os Estudos, cuja prov. a espero de v. Ex a como tam empenhado na civilid e da gente destes Estados. A Ill mo Pessoa de v. a Ex. a . Paraiba, 23 de abril de 1766. Ill mo e Ex mo Francisco Mendonça Furtado. Xavier de Jeronimo Jose de Mello e Castro 6 . Três anos depois, com um texto semelhantes a todos os outros já enviados, mais uma vez o Conselho Ultramarino é acionado a respeito do mesmo assunto, com a questão referente ao sertão ganhando mais evidência: Ill mo e Ex mo Snr Logo no principio do meu Governo dei p. e a v. Ex. a do Lastimozo Estado desta Capitania na falta total de M. es de Grammatica a que v. Ex. a Respondeu tinha S. Mag. e commettido providencear essas faltas ao Director A. Romar de Almeyda, e até ao presente se naó tem applicado a providencea esperada. V. Ex. a que tem admiravel conhecimento dos Sertoens da America, bem verá quam preciza seja esta provid. a p. a que a ignorancia nao vá dominando tudo. Deos g. e a v. Ex. a m ann Paraiba, 22 de Agosto de 1769. Ill. mo Ex. mo S. r Francisco Mendonça Furtado Ill mo e Ex mo Francisco Mendonça Furtado. X er de Xavier de Jeronimo Joze de Mello e Castro7. A carestia de mestres de gramática durante este período resultava-se de duas ações do Marquês de Pombal durante o governo de D. José I diretamente ligadas à política educacional do reformismo pombalino: a primeira, a Expulsão da Companhia dos Jesuítas (1759) dos domínios 6 OFÍCIO do [governador da Paraíba, brigadeiro] Jerônimo José de Melo e Castro, ao [secretário de estado da Marinha e Ultramar], Francisco Xavier de Mendonça Furtado, comunicando da necessidade de se prover a capitania com no- vos mestres de gramática, tendo em vista a expulsão dos jesuítas. 23 de abril de 1766, Paraíba. AHU-Paraíba, cx. 13, AHU_ACL_CU_014, Cx. 23, D. 1783. 7OFÍCIO do [governador da Paraíba, brigadeiro] Jerônimo José de Melo e Castro, ao [secretário de estado da Marinha e Ultramar], Francisco Xavier de Mendonça Furtado, sobre a falta total de mestres de gramática na capitania e da necessidade deles nos sertões. 22 de agosto de 1769, Paraíba. AHU-Paraíba, cx. 14. (AHU_ACL_CU_014, Cx. 24, D. 1862). 308 Série Iniciados v. 23