Série Iniciados Vol. 23 | Page 307

As livrarias franciscanas entre o setecentos e o oitocentos: acervos e temáticas em Pernambuco e na Paraíba “onde” e “quando” lia são questões que boa parte dos historiadores conseguiram trazer respostas expressivas. Mas elucidar os “porquês” e “como” os personagens históricos faziam o processo da leitura tem se mostrado ser um desafio considerável. Metodologia e Análise Em síntese foram realizadas pesquisas em fontes documentais, como os documentos avulsos do Arquivo Histórico Ultramarino (AHU), disponíveis no site da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, buscando registros referentes à atuação da Ordem dos Frades Menores e da formação das livrarias conventuais, análise dos Estatutos da Província de Santo Antônio do Brasil e catalogação dos documentos do período colonial do Arquivo Histórico Waldemar Bispo Duarte da Fundação Espaço Cultural da Paraíba (FUNESC). Foram transcritas e analisadas a documentação do AHU referente aos franciscanos identificada nos anos anteriores de pesquisa, como também foram aprofundadas as análises do bolsista sobre as especificidades da Pedagogia Franciscana, tentando perceber suas adaptações às reformas pombalinas da segunda metade do século XVIII no que se refere à instrução no universo luso-brasileiro; e, por fim, foi identificado o acervo das livrarias conventuais da Província de Santo Antônio do Brasil, com foco sobre as capitanias de Pernambuco e Paraíba, a partir de cópias digitais destas obras disponíveis na web, mapeando seus principais temas e autores. A partir desses dados, relacionamos os resultados com a pesquisa anterior, na qual, havíamos compreendido que no segundo decênio do século XVIII, uma situação desconfortável passou a ser informada ao Conselho Ultramarino a respeito da escassez de mestres de gramática na Capitania da Paraíba. E a possível solução para esse problema foi exatamente de se pedir a permissão para que as ordens religiosas – beneditinos, carmelitas e franciscanos – dessem o pronto suporte para se ocuparem do ofício de instrução. Com relação aos franciscanos, os paraibanos os citam pelo trabalho que já realizavam como mestres de gramática junto aos conventos de Penedo e Igarassu em Pernambuco e em Conde de Sergipe, na Bahia, onde estavam responsáveis por fazer a instrução em aldeias e escolas, havendo, portanto, um interesse para que eles também assumissem de forma temporária tais atividades na Paraíba: Ill mo e Ex mo Sn r As principaes pessoas desta cid. e , me expoem, que a total falta de Mestres de Gramatica, desde que forao expulsos os P. es que se denominarao da Companhia de Jesus, tem feito crescer a occiozidade da mocid. e em danno gravissimo da utilidade publica, e em poucos tempos se redusira tudo a huma ignorancia lastimoza quando se fazem precizos homens doutos p a cristianizar a barbara gentilid e que abunda nestes sertoens. Esta cid. e se compoem de dous conventos de S. Francisco e de N Snr. a do Carmo onde comodamente se podem abrir os estudos competentes. Parece este particular se faz digno de V. Ex. a o por na prezença de S. Mag.e pa dar a providencia que indispensavelmente se faz preciza A Pessoa de V Ex. a [...]. Paraiba 16 de Junho de 1765. Ill mo e Ex mo Francisco Xavier de Mendonça Furtado. Jeronimo Jose de Mello e Castro5. Nas primeiras linhas, o governador esclarece que escreveu a carta considerando a queixa que as principais pessoas da cidade fizeram a ele em função da situação que se formou na capitania após a expulsão dos jesuítas. E esse incômodo era sentido por pessoas que tinham um grande interesse que 5CARTA do [governador da Paraíba, brigadeiro] Jerónimo José de Melo e Castro, ao [secretário de estado da Marinha e Ultramar], Francisco Xavier de Mendonça Furtado, reclamando da falta de mestres de gramática, tendo em vista a expulsão dos jesuítas. AHU-Paraíba, cx. 13, AHU_ACL_CU_014, Cx. 23, D. 1759. Série Iniciados v. 23 307