As livrarias franciscanas entre o setecentos e o oitocentos: acervos e temáticas em Pernambuco e na Paraíba
“onde” e “quando” lia são questões que
boa parte dos historiadores conseguiram
trazer respostas expressivas. Mas elucidar
os “porquês” e “como” os personagens
históricos faziam o processo da leitura tem
se mostrado ser um desafio considerável.
Metodologia e Análise
Em
síntese
foram
realizadas
pesquisas em fontes documentais, como os
documentos avulsos do Arquivo Histórico
Ultramarino (AHU), disponíveis no site
da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro,
buscando registros referentes à atuação da
Ordem dos Frades Menores e da formação das
livrarias conventuais, análise dos Estatutos
da Província de Santo Antônio do Brasil e
catalogação dos documentos do período
colonial do Arquivo Histórico Waldemar
Bispo Duarte da Fundação Espaço Cultural da
Paraíba (FUNESC).
Foram transcritas e analisadas
a documentação do AHU referente aos
franciscanos
identificada
nos
anos
anteriores de pesquisa, como também foram
aprofundadas as análises do bolsista sobre
as especificidades da Pedagogia Franciscana,
tentando perceber suas adaptações às
reformas pombalinas da segunda metade
do século XVIII no que se refere à instrução
no universo luso-brasileiro; e, por fim,
foi identificado o acervo das livrarias
conventuais da Província de Santo Antônio
do Brasil, com foco sobre as capitanias de
Pernambuco e Paraíba, a partir de cópias
digitais destas obras disponíveis na web,
mapeando seus principais temas e autores.
A partir desses dados, relacionamos
os resultados com a pesquisa anterior,
na qual, havíamos compreendido que no
segundo decênio do século XVIII, uma
situação desconfortável passou a ser
informada ao Conselho Ultramarino a
respeito da escassez de mestres de gramática
na Capitania da Paraíba. E a possível solução
para esse problema foi exatamente de
se pedir a permissão para que as ordens
religiosas – beneditinos, carmelitas e
franciscanos – dessem o pronto suporte
para se ocuparem do ofício de instrução. Com
relação aos franciscanos, os paraibanos os
citam pelo trabalho que já realizavam como
mestres de gramática junto aos conventos
de Penedo e Igarassu em Pernambuco e em
Conde de Sergipe, na Bahia, onde estavam
responsáveis por fazer a instrução em aldeias
e escolas, havendo, portanto, um interesse
para que eles também assumissem de forma
temporária tais atividades na Paraíba:
Ill mo e Ex mo Sn r
As principaes pessoas desta cid. e , me
expoem, que a total falta de Mestres
de Gramatica, desde que forao
expulsos os P. es que se denominarao da
Companhia de Jesus, tem feito crescer
a occiozidade da mocid. e em danno
gravissimo da utilidade publica, e
em poucos tempos se redusira tudo a
huma ignorancia lastimoza quando
se fazem precizos homens doutos p a
cristianizar a barbara gentilid e que
abunda nestes sertoens.
Esta cid. e se compoem de dous
conventos de S. Francisco e de N Snr. a do
Carmo onde comodamente se podem
abrir os estudos competentes. Parece
este particular se faz digno de V. Ex. a
o por na prezença de S. Mag.e pa dar a
providencia que indispensavelmente
se faz preciza A Pessoa de V Ex. a [...].
Paraiba 16 de Junho de 1765.
Ill mo e Ex mo Francisco Xavier de
Mendonça Furtado.
Jeronimo Jose de Mello e Castro5.
Nas primeiras linhas, o governador
esclarece que escreveu a carta considerando
a queixa que as principais pessoas da cidade
fizeram a ele em função da situação que se
formou na capitania após a expulsão dos
jesuítas. E esse incômodo era sentido por
pessoas que tinham um grande interesse que
5CARTA do [governador da Paraíba, brigadeiro] Jerónimo José de Melo e Castro, ao [secretário de estado da Marinha
e Ultramar], Francisco Xavier de Mendonça Furtado, reclamando da falta de mestres de gramática, tendo em vista a
expulsão dos jesuítas. AHU-Paraíba, cx. 13, AHU_ACL_CU_014, Cx. 23, D. 1759.
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