Série Iniciados Vol. 23 | Page 306

As livrarias franciscanas entre o setecentos e o oitocentos: acervos e temáticas em Pernambuco e na Paraíba por fim, o caráter das reformas pombalinas e a administração de D. José I, a entrada de D. Maria I no poder e qual seria a relação dela com a Ordem e por fim, a chegada de D. João V ao poder e como se deu o processo de enfraquecimento da Província de Santo Antônio no período do final do século XVIII e início do XIX. História Cultural, esmiuçando desde a dita história “clássica”, passando pela história social da arte, perspectiva que teria sido encabeçada por historiadores como Jacob Burckhardt e Johan Huizinga, chegando até a discussão sobre a “descoberta” da cultura popular e o movimento da Nova História Cultural. Assim, não podemos deixar de destacar aqui o livro “Os franciscanos e a formação do Brasil” de Maria do Carmo Tavares de Miranda, uma obra clássica para se entender a ação dos missionários franciscanos no Brasil. O trabalho recorta desde o pensamento e ação dos primeiros frades que contribuíram para a construção de um pensamento filosófico e teológico para a Ordem dos Frades Menores como Santo Antônio de Pádua, João Duns Escoto, São Boaventura, demonstrando como os primeiros missionários franciscanos na América Portuguesa – conseguindo cronologicamente perpassar desde 1500 até os primeiros anos da segunda metade do século XIX – irão ser influenciados por esse pensamento em sua prática de catequese com os indígenas, sendo possível estabelecer conexões, percebendo assim reminiscências medievais na pedagogia seráfica. O livro também auxiliou a familiarização com relação a uma série de termos franciscanos específicos que aparecem frequentemente nas fontes, já que a autora trouxe os significados das seguintes palavras: “Província”, “Vigário Provincial”, “Custódia”, “Custódio”, “Guardião”, “Presidente”, “Prelado”, “Visitador Geral”, “Capítulo Provincial”, “Definitório”, “Junta”, “Congregação intermédia”, “Padres da Mesa”, “Corista”, “Capucho”, “Hospício”. Burke destaca também a amplitude da “virada cultural” que atinge não apenas a história como também diversas áreas do conhecimento como, por exemplo, a antropologia, a ciência política, a economia, a geografia. Além disso, salienta os resultados de um diálogo interessante da antropologia com a história, demonstrando a potencialidade que essa relação multidisciplinar rendeu a partir das propostas de antropólogos como Clifford Geertz e Claude Lévi-Strauss para historiadores como Carlo Ginzburg, Emmanuel Le Roy Ladurie e Lynn Hunt. No segundo plano de trabalho, entre 2016 e 2017, referente às livrarias franciscanas, se percebeu a necessidade de sistematizar um conjunto de leituras que capacitassem a compreensão do campo de pesqui sa na História Cultural. Esse percurso foi iniciado com o livro O que é História Cultural?, de Peter Burke, em que o autor faz uma revisão dos avanços historiográficos da 306 Série Iniciados v. 23 O catedrático britânico articula, por fim, o que seriam as bases do movimento teórico conhecido como “Nova História Cultural”, além de provar questões sobre a possibilidade de se ter um novo paradigma dominante na História, utilizando-se da visão de Thomas Kuhn sobre revoluções científicas. Aporta a contribuição que autores como Mikhail Bakhtin, Michel Foucault, Pierre Bourdieu e Norbert Elias trouxeram para os trabalhos de grande parte dos historiadores da Nova História Cultural. Destes historiadores da Nova História Cultural, o artigo “História da Leitura” do historiador Robert Darnton, traz a leitura como objeto de reflexão, defendendo-a não apenas como uma atividade ligada à processos neurológicos, mas como uma prática repleta de relações com a cultura de uma época. Ele destaca os principais estudos da historiografia do século XX que exploraram as questões do que se lê e quem lê em um determinado período histórico, as perspectivas deste campo de pesquisa e as dificuldades encontradas pelos pesquisadores que se debruçaram sobre essa temática. Fazer as perguntas “quem”, “o quê”,