As livrarias franciscanas entre o setecentos e o oitocentos: acervos e temáticas em Pernambuco e na Paraíba
por fim, o caráter das reformas pombalinas
e a administração de D. José I, a entrada de
D. Maria I no poder e qual seria a relação
dela com a Ordem e por fim, a chegada de
D. João V ao poder e como se deu o processo
de enfraquecimento da Província de Santo
Antônio no período do final do século XVIII e
início do XIX. História Cultural, esmiuçando desde a dita
história “clássica”, passando pela história
social da arte, perspectiva que teria sido
encabeçada por historiadores como Jacob
Burckhardt e Johan Huizinga, chegando até
a discussão sobre a “descoberta” da cultura
popular e o movimento da Nova História
Cultural.
Assim, não podemos deixar de
destacar aqui o livro “Os franciscanos e a
formação do Brasil” de Maria do Carmo
Tavares de Miranda, uma obra clássica
para se entender a ação dos missionários
franciscanos no Brasil. O trabalho recorta
desde o pensamento e ação dos primeiros
frades que contribuíram para a construção
de um pensamento filosófico e teológico
para a Ordem dos Frades Menores como
Santo Antônio de Pádua, João Duns Escoto,
São Boaventura, demonstrando como
os primeiros missionários franciscanos
na América Portuguesa – conseguindo
cronologicamente perpassar desde 1500 até
os primeiros anos da segunda metade do
século XIX – irão ser influenciados por esse
pensamento em sua prática de catequese
com os indígenas, sendo possível estabelecer
conexões, percebendo assim reminiscências
medievais na pedagogia seráfica. O livro
também auxiliou a familiarização com
relação a uma série de termos franciscanos
específicos que aparecem frequentemente nas
fontes, já que a autora trouxe os significados
das seguintes palavras: “Província”, “Vigário
Provincial”,
“Custódia”,
“Custódio”,
“Guardião”,
“Presidente”,
“Prelado”,
“Visitador Geral”, “Capítulo Provincial”,
“Definitório”,
“Junta”,
“Congregação
intermédia”, “Padres da Mesa”, “Corista”,
“Capucho”, “Hospício”.
Burke destaca também a amplitude
da “virada cultural” que atinge não apenas
a história como também diversas áreas
do conhecimento como, por exemplo, a
antropologia, a ciência política, a economia, a
geografia. Além disso, salienta os resultados de
um diálogo interessante da antropologia com
a história, demonstrando a potencialidade
que essa relação multidisciplinar rendeu
a partir das propostas de antropólogos
como Clifford Geertz e Claude Lévi-Strauss
para historiadores como Carlo Ginzburg,
Emmanuel Le Roy Ladurie e Lynn Hunt.
No segundo plano de trabalho,
entre 2016 e 2017, referente às livrarias
franciscanas, se percebeu a necessidade de
sistematizar um conjunto de leituras que
capacitassem a compreensão do campo de
pesqui sa na História Cultural. Esse percurso
foi iniciado com o livro O que é História
Cultural?, de Peter Burke, em que o autor faz
uma revisão dos avanços historiográficos da
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Série Iniciados v. 23
O catedrático britânico articula, por
fim, o que seriam as bases do movimento
teórico conhecido como “Nova História
Cultural”, além de provar questões sobre a
possibilidade de se ter um novo paradigma
dominante na História, utilizando-se da
visão de Thomas Kuhn sobre revoluções
científicas. Aporta a contribuição que autores
como Mikhail Bakhtin, Michel Foucault,
Pierre Bourdieu e Norbert Elias trouxeram
para os trabalhos de grande parte dos
historiadores da Nova História Cultural.
Destes historiadores da Nova História
Cultural, o artigo “História da Leitura” do
historiador Robert Darnton, traz a leitura
como objeto de reflexão, defendendo-a
não apenas como uma atividade ligada à
processos neurológicos, mas como uma
prática repleta de relações com a cultura
de uma época. Ele destaca os principais
estudos da historiografia do século XX
que exploraram as questões do que se lê
e quem lê em um determinado período
histórico, as perspectivas deste campo de
pesquisa e as dificuldades encontradas pelos
pesquisadores que se debruçaram sobre essa
temática.
Fazer as perguntas “quem”, “o quê”,