Efeitos da reserva cognitiva sobre as queixas subjetivas de memória prospectiva em uma amostra de idosos sem demência
próprio.
A partir de estudos existentes, as QSM podem ser consideradas variáveis cruciais e que estão relacionadas com ansiedade, depressão, comprometimento da memória, estresse e uma possível demência. Apesar de ainda não serem preditores muito específicos, as QSM expressam a percepção do paciente sobre seu próprio funcionamento cognitivo, sendo uma variável essencial a ser considerada em estudos neuropsicológicos, uma vez que os escores dos testes podem não abarcar as variáveis subjetivas implicadas, e por isso, as QSM merecem especial atenção e aprofundamento( PARADISE et al., 2011).
Os mesmos autores citados acima acharam uma associação significativa entre as QSM e o tabagismo, e entre as QSM e a hipercolesterolemia( colesterol alto). Porém, não foram encontrados estudos sobre as queixas de memória prospectiva e retrospectiva sob o efeito de fatores de risco vascular. No contexto das pesquisas brasileiras, existem poucos artigos que avaliaram a influência dos fatores de risco vascular com relação às alterações cognitivas e nenhum que tenha abordado especificamente as queixas de memória. E analisar a relação entre as QSM prospectiva e fatores vasculares é importante, pois há evidências de que queixas de memória prospectiva nos idosos são preditores precoces do CCL( DELPRADO et al., 2013).
De acordo com( KIM et al., 2003), a depressão pode interferir na forma como os os idosos se percebem. Por meio de um estudo feito com idosos de uma comunidade coreana, os resultados apontaram que os com depressão avaliam de forma mais realista e precisa seu desempenho cognitivo. BALASH et al.( 2013) relataram que a maioria dos idosos saudáveis com queixas subjetivas também tinham depressão ou ansiedade associada. Entretanto, PAULO e YASSUDA( 2009) não encontraram em idosos uma relação entre QSM e depressão, mas sim entre queixas de memória e ansiedade.
Além das inúmeras evidências de que as QSM afetam a qualidade de vida dos idosos, estudos apontam que as mesmas podem servir como possíveis indicadores de prejuízos cognitivos( LUO e CRAIK, 2008) e processos demenciais( JESSEN et al., 2010).
Como se observa, as QSM podem estar relacionadas como a depressão, ansiedade, envelhecimento patológico, dentre outras coisas. Um estudo realizado com 204 idosos“ encontrou relação estatisticamente significante entre a queixa subjetiva de comprometimento de memória e os fatores de caráter emocional( sintomas de depressão, percepção de estresse e autoestima)”( SANTOS et al., 2012).
É concebível que o nível de escolaridade ou de RC podem explicar, de alguma forma, os resultados inconsistentes de estudos anteriores relacionando o declínio objetivo e subjetivo, dessa forma, Stern( 2002) sugeriu o conceito da RC com o intuito de tentar explicar possíveis discrepâncias entre o grau de patologia cerebral e o comprometimento clínico revelado em diversos indivíduos. A RC pode ser considerada como algo de grande impacto sobre o desempenho cognitivo global em idosos saudáveis e tem sido reconhecida como um fator que pode influenciar o envelhecimento cognitivo bem-sucedido.
Dessa maneira, a teoria da RC afirma que os fatores da experiência de vida relacionados com a atividade mental, tais como educação, ocupação e atividades de lazer facilitam o desenvolvimento individual das pessoas na forma de uma rede cerebral mais flexível e eficiente( STERN, 2002), de forma que a variabilidade da RC nos indivíduos poderia ser explicada por diferenças nestas experiências aprendidas.
Assim, a RC exerce uma grande influência com relação ao desempenho cognitivo global em idosos saudáveis e é vista como um fator de envelhecimento cognitivo bem-sucedido, e os indivíduos com um baixo nível de instrução têm mostrado pior desempenho cognitivo e aumento do risco de demência do que as pessoas de alta escolaridade( CONTADOR et al., 2015).
Geralmente os indivíduos que apresentam um baixo nível de instrução
Série Iniciados v. 23
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