Análise das concepções em saúde do trabalhador para gestores de empresas privadas
desse material, aí por eles não usarem
já teve alguns casos de afastamento
por isso. Problema de pele que já teve
colaborador que ta afastado quase um
ano, aí são esses mais, quando as pessoas
têm um nível de entendimento menor, aí
por isso eles não tem essas precauções”
(P2).
Os tipos mais frequentes de
adoecimentos citados pelos gestores foram
problemas de coluna e viroses sazonais,
como pode ser observado no discurso dos
mesmos: “Geralmente as viroses sazonais que
acontece né!” (P4); Os casos do adoecimento
é questão de dor...dores lombares, dores na
coluna” (P8). Seguidos por problemas de
ordem psicológica, como pode ser visto no
que é trazido pelo P7: “Acidentes de trajeto,
acidentes provenientes de assaltos. A doença
específica? Só o trauma mesmo psicológico
que eles ficam, eles não podem mais exercer a
profissão devido a isso...” (P7).
No que diz respeito aos riscos que
o trabalho exercido nas empresas oferece
aos trabalhadores, os citados como mais
frequentes pelos gestores, foram o risco de
adoecimento psíquico e o risco a vida, como
pode ser verificado nas falas: “Assim, a parte
de vendas, a pessoa lida muito com meta, então
existem riscos tanto de ansiedade quanto de
estresse de fato, quadros graves e agudos de
estresse, quanto pode desenvolver quadros
depressivos também” (P1); “90% dos casos de
risco à vida, porque eles trabalham diretamente
expostos ao perigo” (P7). Isso chama atenção
devido à dificuldade ainda muito real em
relacionar a saúde mental/doença mental
com o trabalho, o que se dá pelo fato de o
psíquico não ser algo palpável, mas sim de
ordem subjetiva, que pode muitas vezes não
atinge o corpo de forma direta, e também
pelo fato de o estresse frequentemente
não ser considerado como uma doença
profissional, e ser tido como algo natural ao
qual o colaborador deve se adaptar (BORSOI,
2007; GAULEJAC, 2007).
A notificação e a vigilância são um
protocolo determinado pelo Ministério da
Saúde (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2006). As
notificações desses acidentes e adoecimentos,
que são trazidos pelos entrevistados, são
na sua maioria feitas a partir da entrega de
um atestado, onde caso este seja referente
a mais de 15 dias de ausência, a pessoa é
encaminhada ao INSS como é destacado
na fala a seguir: “[...] quando o trabalhador
adoece tem duas questões: se pede o atestado
pra que chegue, e por exemplo, se for acima
de 15 dias já encaminha pra o INSS...” (P2).
Em alguns casos, a própria empresa se
encarrega de dar assistência ao trabalhador,
como pode ser visto na fala a seguir: “[...]
tomo as providências para que o colaborador
receba assistência médica pela rede pública
e toda a assistência é dada para que ele tenha
um atendimento...” (P3) e em outros, quem
cuida dessa área da empresa é o SESMT: “[...]
tem uma equipe de SESMT que toma a frente,
e o adoecimento vai depender do caso porque o
SESMT, como ele tem a parceria muito grande
assim entre enfermeiros, então eles que tomam
a frente desses processos” (P5).
Desta forma, mesmo que a percepção
dos entrevistados seja que o índice de acidente
e adoecimento na empresa são baixos, isso
pode estar se dando devido à falta de preparo
das pessoas que cuidam dessa área da saúde
do trabalhador para fazer essa associação
do adoecimento com a função exercida pelo
funcionário adoecido.
Ações
De acordo com Alves (2011) “A
promoção de ações e/ou programas de
Qualidade de Vida no Trabalho vem se
tornando a maneira pela qual é possível
se desenvolver e manter a motivação e
o comprometimento dos trabalhadores,
resultando em inúmeros benefícios”.
No que tange a ações preventivas
dentro das empresas das quais os sujeitos
entrevistados fazem parte, é relevante
destacar que praticamente de forma unanime
foi relatado que esse tipo de ação não existe
e quando existe é mais voltado para as
campanhas de saúde como outubro rosa e
novembro azul, como pode ser visto nas falas
a seguir: “Não existe, se existe eu não sei” (P1);
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