Série Iniciados Vol. 23 | Page 289

Análise das concepções em saúde do trabalhador para gestores de empresas privadas desse material, aí por eles não usarem já teve alguns casos de afastamento por isso. Problema de pele que já teve colaborador que ta afastado quase um ano, aí são esses mais, quando as pessoas têm um nível de entendimento menor, aí por isso eles não tem essas precauções” (P2). Os tipos mais frequentes de adoecimentos citados pelos gestores foram problemas de coluna e viroses sazonais, como pode ser observado no discurso dos mesmos: “Geralmente as viroses sazonais que acontece né!” (P4); Os casos do adoecimento é questão de dor...dores lombares, dores na coluna” (P8). Seguidos por problemas de ordem psicológica, como pode ser visto no que é trazido pelo P7: “Acidentes de trajeto, acidentes provenientes de assaltos. A doença específica? Só o trauma mesmo psicológico que eles ficam, eles não podem mais exercer a profissão devido a isso...” (P7). No que diz respeito aos riscos que o trabalho exercido nas empresas oferece aos trabalhadores, os citados como mais frequentes pelos gestores, foram o risco de adoecimento psíquico e o risco a vida, como pode ser verificado nas falas: “Assim, a parte de vendas, a pessoa lida muito com meta, então existem riscos tanto de ansiedade quanto de estresse de fato, quadros graves e agudos de estresse, quanto pode desenvolver quadros depressivos também” (P1); “90% dos casos de risco à vida, porque eles trabalham diretamente expostos ao perigo” (P7). Isso chama atenção devido à dificuldade ainda muito real em relacionar a saúde mental/doença mental com o trabalho, o que se dá pelo fato de o psíquico não ser algo palpável, mas sim de ordem subjetiva, que pode muitas vezes não atinge o corpo de forma direta, e também pelo fato de o estresse frequentemente não ser considerado como uma doença profissional, e ser tido como algo natural ao qual o colaborador deve se adaptar (BORSOI, 2007; GAULEJAC, 2007). A notificação e a vigilância são um protocolo determinado pelo Ministério da Saúde (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2006). As notificações desses acidentes e adoecimentos, que são trazidos pelos entrevistados, são na sua maioria feitas a partir da entrega de um atestado, onde caso este seja referente a mais de 15 dias de ausência, a pessoa é encaminhada ao INSS como é destacado na fala a seguir: “[...] quando o trabalhador adoece tem duas questões: se pede o atestado pra que chegue, e por exemplo, se for acima de 15 dias já encaminha pra o INSS...” (P2). Em alguns casos, a própria empresa se encarrega de dar assistência ao trabalhador, como pode ser visto na fala a seguir: “[...] tomo as providências para que o colaborador receba assistência médica pela rede pública e toda a assistência é dada para que ele tenha um atendimento...” (P3) e em outros, quem cuida dessa área da empresa é o SESMT: “[...] tem uma equipe de SESMT que toma a frente, e o adoecimento vai depender do caso porque o SESMT, como ele tem a parceria muito grande assim entre enfermeiros, então eles que tomam a frente desses processos” (P5). Desta forma, mesmo que a percepção dos entrevistados seja que o índice de acidente e adoecimento na empresa são baixos, isso pode estar se dando devido à falta de preparo das pessoas que cuidam dessa área da saúde do trabalhador para fazer essa associação do adoecimento com a função exercida pelo funcionário adoecido. Ações De acordo com Alves (2011) “A promoção de ações e/ou programas de Qualidade de Vida no Trabalho vem se tornando a maneira pela qual é possível se desenvolver e manter a motivação e o comprometimento dos trabalhadores, resultando em inúmeros benefícios”. No que tange a ações preventivas dentro das empresas das quais os sujeitos entrevistados fazem parte, é relevante destacar que praticamente de forma unanime foi relatado que esse tipo de ação não existe e quando existe é mais voltado para as campanhas de saúde como outubro rosa e novembro azul, como pode ser visto nas falas a seguir: “Não existe, se existe eu não sei” (P1); Série Iniciados v. 23 289