Análise das concepções em saúde do trabalhador para gestores de empresas privadas
forte, tanto que na empresa a área que cuida mais
da questão doença e saúde não é o RH, ela não...
não é o RH” (P2) ; “A empresa não se posiciona,
na verdade” (P1). Ou seja, embora a relação
trabalho-saúde-doença seja percebida pelos
entrevistados, é notável que dentro do espaço
da maior parte das empresas citadas, não
existe um posicionamento acerca do assunto.
Jacques (2007, p. 112) traz que “os
vínculos entre o trabalho e o adoecimento
psíquico
vêm
ganhando
visibilidade
crescente”. Esse reconhecimento acerca da
relação entre o trabalho e a saúde mental,
também pôde ser notado através das falas
de alguns dos sujeitos entrevistados, como
por exemplo: “Eu entendo assim que tem uma
relação muito forte, né! Tanto em questões
físicas mesmo, doenças físicas, como psíquicas,
mas que não é dada a devida importância”
(P2); “Para doença, eu acredito que tá mais
ligado à questão do trabalho fazer pressão,
cobrança, relacionamento dentro do ambiente
de trabalho...” (P5). É importante ressaltar
que apesar da presença real do adoecimento
mental na população trabalhadora, esses
distúrbios psíquicos que possuem relação
com o trabalho constantemente não são
reconhecidos como tais no momento da
avaliação clínica, e isso se dá, muitas vezes,
pela complexidade pertinente à atividade de
definir de forma clara a relação entre tais
distúrbios e o trabalho desenvolvido pelo
paciente (GLINA et al., 2001).
Sendo assim, é evidente que mesmo
que já exista um conhecimento da parte
dos gestores acerca dessa relação, esse
conhecimento não é suficiente para trazer
grandes mudanças na prática desses
profissionais. Isso se dá devido a limitação
que lhes é imposta pelas empresas em que
atuam, as quais não conseguem identificar
essa conexão entre trabalho-saúde-doença
e também não dão abertura para que seja
realizado um trabalho de conscientização e
intervenção.
Adoecimento e acidentes de trabalho
No que diz respeito ao índice de
adoecimento e acidentes de trabalho, a
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Série Iniciados v. 23
maioria dos sujeitos entrevistados informam
que é muito baixo, como podemos ver nas falas
a seguir: “Quase zero, é bem pouco mesmo”
(P4); “Hoje o nosso índice é muito baixo, quase
zero” P5; “Menos de 1%” P6. Já outros, trazem
que não possuem conhecimento acerca desse
índice: “Eu não sei te dizer” (P1).
É relevante destacar que, muitas
vezes, o reconhecimento destes índices como
sendo baixo se dão devido ao problema de
subnotificação, que segundo Aquino (1996),
é muito alto aqui no Brasil. Fora isso, existe
a questão da culpabilização do trabalhador,
que dá lugar a manutenção do mecanismo de
atribuição da responsabilidade que tem base
na “culpabilização das vítimas”, e que de
acordo com Jackson Filho, Garcia e Almeida
(2007), contribui de forma significativa para
o problema da prevalência de acidentes e
doenças do trabalho como mais um indicador
de desigualdade cultural e social, tendo em
vista que as causas de mortes mais associadas
ao trabalho estão na classe de trabalhadores
assalariados e não na classe dos profissionais
liberais (WOONDING; LEVESNTEIN, 1999
como citado em JACKSON FILHO; GARCIA;
ALMEIDA, 2007).
“É muito baixo, as doenças que chegam
é.…a maioria são doenças que não
foram desencadeadas por causa do
trabalho. São mais pessoas que já tem
alguma coluna, algum problema de
coluna, algum problema de pele, algum
transtorno depressivo, antes de entrar
na empresa, aí que normalmente não é
desencadeado por ela