Série Iniciados Vol. 23 | Page 286

Análise das concepções em saúde do trabalhador para gestores de empresas privadas sejam vistos como algo “normal” ao qual o colaborador deve se ajustar, pois caso não alcance o que é esperado a culpa é, corriqueiramente, atribuída apenas a ele (GAULEJAC, 2007). O próprio colaborador, por sua vez, possui uma certa dificuldade de entender o seu sofrimento como sendo de ordem psíquica, e quando percebe, muitas vezes não entende o quanto isso pode estar ligado ao trabalho que exerce, e acaba não buscando ajuda (BORSOI, 2007). De acordo com Souza e Faiman (2007), o desenvolvimento de doenças e de distúrbios relacionados ao trabalho é algo muito frequente, assim como são os acidentes que ocorrem no trabalho, sendo muitas vezes necessário que o colaborador se afaste de suas atividades pelo fato de ter perdido, mesmo que apenas de forma parcial, suas capacidades funcionais. O afastamento, então, tem a função de dar oportunidade de tratamento ao trabalhador (SOUZA; FAIMAN, 2007). Esse adoecimento é enfrentado pelos colaboradores com um sentimento de insegurança e incapacidade para o trabalho, e muito disso se dá porque, para que esse funcionário tenha direito a receber o benefício financeiro durante o período de tempo que precisa se manter afastado em tratamento, é necessário que seja comprovado o nexo causal, ou seja, é preciso que seja constatada a relação do adoecimento com a função que este trabalhador exerce na empresa (SOUZA; FAIMAN, 2007; RAMOS; TITTONI; NARDI, 2008). Não é só o afastamento que faz com que os trabalhadores se sintam cheios de medos e inseguranças, pois da mesma forma que o processo de afastamento teve um peso na vida deste sujeito, o retorno a empresa traz consigo uma carga emocional muito forte, tendo em vista que são muitas as dificuldades que estão para encarar, levando em conta não só uma possível limitação funcional resultante do adoecimento, mas também tudo o que esse processo de afastamento e esse período distante causou ao seu 286 Série Iniciados v. 23 psicológico (TOLDRÁ; LANCMAN, 2010). DALDON;SANTOS; Tendo em vista todos esses pontos que foram apresentados até o momento, é importante destacar a relevância das ações na área da saúde do trabalhador. “O objeto da saúde do trabalhador pode ser definido como o processo saúde e doença dos grupos humanos, em sua relação com o trabalho. Representa um esforço de compreensão deste processo - como e porque ocorre - e do desenvolvimento de alternativas de intervenção que levem à transformação em direção à apropriação pelos trabalhadores, da dimensão humana do trabalho, numa perspectiva teleológica” (MENDES; DIAS, 1991, p. 347). Ou seja, dentro da área da saúde do trabalhador, não importa apenas compreender o processo de porquê e como ocorre o adoecimento, mas também interessa a criação de alternativas que possam intervir e transformar de forma efetiva o conhecimento que os trabalhadores, e as pessoas que trabalham com a área, possuem acerca do tema. É essa afirmação do trabalhador como um sujeito ativo do processo saúde-doença e não apenas como objeto da atenção à saúde, que distingue a saúde do trabalhador da saúde ocupacional e da medicina do trabalho (NARDI, 1997). É relevante ressaltar também que a notificação é um ponto muito importante neste processo de fazer com que o trabalho seja reconhecido como um dos fatores que podem estar envolvido nas causas do adoecimento do sujeito, o que colabora para que o trabalhador receba os benefícios aos quais tem direito, durante o tempo que precisar permanecer afastado da empresa, pois segundo Simonelli, Camarotto, Bravo e Vilela (2010), é necessário que haja transparência de dados e informações nas parcerias institucionais, pois uma grande dificuldade enfrentada pelo INSS é a disponibilidade de dados para fins de elaborar ações conjuntas, excepcionalmente aqueles de importância estratégica para as