Análise das concepções em saúde do trabalhador para gestores de empresas privadas
sejam vistos como algo “normal” ao qual
o colaborador deve se ajustar, pois caso
não alcance o que é esperado a culpa é,
corriqueiramente, atribuída apenas a ele
(GAULEJAC, 2007).
O próprio colaborador, por sua vez,
possui uma certa dificuldade de entender
o seu sofrimento como sendo de ordem
psíquica, e quando percebe, muitas vezes não
entende o quanto isso pode estar ligado ao
trabalho que exerce, e acaba não buscando
ajuda (BORSOI, 2007).
De acordo com Souza e Faiman
(2007), o desenvolvimento de doenças e
de distúrbios relacionados ao trabalho é
algo muito frequente, assim como são os
acidentes que ocorrem no trabalho, sendo
muitas vezes necessário que o colaborador
se afaste de suas atividades pelo fato de ter
perdido, mesmo que apenas de forma parcial,
suas capacidades funcionais. O afastamento,
então, tem a função de dar oportunidade de
tratamento ao trabalhador (SOUZA; FAIMAN,
2007).
Esse adoecimento é enfrentado
pelos colaboradores com um sentimento de
insegurança e incapacidade para o trabalho,
e muito disso se dá porque, para que esse
funcionário tenha direito a receber o benefício
financeiro durante o período de tempo que
precisa se manter afastado em tratamento,
é necessário que seja comprovado o nexo
causal, ou seja, é preciso que seja constatada
a relação do adoecimento com a função que
este trabalhador exerce na empresa (SOUZA;
FAIMAN, 2007; RAMOS; TITTONI; NARDI,
2008).
Não é só o afastamento que faz com
que os trabalhadores se sintam cheios de
medos e inseguranças, pois da mesma forma
que o processo de afastamento teve um peso
na vida deste sujeito, o retorno a empresa traz
consigo uma carga emocional muito forte,
tendo em vista que são muitas as dificuldades
que estão para encarar, levando em conta
não só uma possível limitação funcional
resultante do adoecimento, mas também
tudo o que esse processo de afastamento
e esse período distante causou ao seu
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psicológico (TOLDRÁ;
LANCMAN, 2010).
DALDON;SANTOS;
Tendo em vista todos esses pontos
que foram apresentados até o momento, é
importante destacar a relevância das ações
na área da saúde do trabalhador.
“O objeto da saúde do trabalhador
pode ser definido como o processo
saúde
e
doença
dos
grupos
humanos, em sua relação com o
trabalho. Representa um esforço de
compreensão deste processo - como e
porque ocorre - e do desenvolvimento
de alternativas de intervenção que
levem à transformação em direção à
apropriação pelos trabalhadores, da
dimensão humana do trabalho, numa
perspectiva teleológica” (MENDES;
DIAS, 1991, p. 347).
Ou seja, dentro da área da saúde
do trabalhador, não importa apenas
compreender o processo de porquê e como
ocorre o adoecimento, mas também interessa
a criação de alternativas que possam intervir e
transformar de forma efetiva o conhecimento
que os trabalhadores, e as pessoas que
trabalham com a área, possuem acerca do
tema. É essa afirmação do trabalhador como
um sujeito ativo do processo saúde-doença e
não apenas como objeto da atenção à saúde,
que distingue a saúde do trabalhador da
saúde ocupacional e da medicina do trabalho
(NARDI, 1997).
É relevante ressaltar também que a
notificação é um ponto muito importante
neste processo de fazer com que o trabalho seja
reconhecido como um dos fatores que podem
estar envolvido nas causas do adoecimento do
sujeito, o que colabora para que o trabalhador
receba os benefícios aos quais tem direito,
durante o tempo que precisar permanecer
afastado da empresa, pois segundo
Simonelli, Camarotto, Bravo e Vilela (2010),
é necessário que haja transparência de dados
e informações nas parcerias institucionais,
pois uma grande dificuldade enfrentada pelo
INSS é a disponibilidade de dados para fins de
elaborar ações conjuntas, excepcionalmente
aqueles de importância estratégica para as