Série Iniciados Vol. 23 | Page 285

Análise das concepções em saúde do trabalhador para gestores de empresas privadas dos trabalhadores e da relação que a função exercida pelos mesmos possui com esse adoecimento, continua sendo muito real, assim como é apontado por Borsoi (2007). do social, do qual o trabalho faz parte, dado que segundo Lhuilier (2013), ele é realizado com e para os outros, sendo subordinado a um objetivo coletivo, coordenado, organizado, gerido e canalizado. Fundamentação Teórica É importante deixar claro que o trabalho de forma isolada não é um fator de adoecimento, mas o que pode vir a causar este sofrimento são as condições e o contexto no qual ele está inserido, podendo exercer um fator de desgaste e/ou prazer para o trabalhador, o que interfere de forma direta na qualidade de suas intervenções (GLANZNER; OLSCHOWSK; KANTORSKI, 2011). Segundo Lhuilier (2013), o trabalho é assunto de debate dentro do meio científico, no qual se confrontam pontos de vista diferentes sobre o que este conceito recobre, e também a respeito do lugar do trabalho e da sua função para o sujeito e para a sociedade. Primeiramente sendo associado ao fardo e ao sacrifício, o trabalho tem no seu próprio significado um sentido atrelado ao sofrimento³, que vem ser modificado na época do Renascimento, onde passa a ser visto como uma fonte de identidade e de autorrealização humana (RIBEIRO; LÉDA, 2004). Essa associação do trabalho com o sofrimento e com a autorrealização passa então a mudar de acordo com a época e com as pessoas. De acordo com Ribeiro e Léda (2004), o trabalho pode então ser visto a partir duas perspectivas distintas: uma com um caráter negativo, sendo representada pelo castigo divino, punição, entre outros; e outra com uma dimensão positiva, sendo representada pelo espaço de criação, realização pessoal etc. O que torna evidente a relação que o trabalho tem tanto com o sofrimento quanto com o prazer, e sendo assim, tanto com a doença quanto com a saúde. “O processo saúde-doença é uma totalidade, não podendo ser reduzido ao estritamente biológico e individual, pois a essência do processo é o reconhecimento de seu caráter social e sua determinação histórica; mesmo o processo biológico presente no processo saúde-doença, também tem um caráter social” (OLIVEIRA, 2001, p. 143). Como visto no parágrafo acima, enfatiza-se aqui que o adoecimento e a saúde não provêm apenas do biológico, mas também Fica claro então, que ainda existe uma certa dificuldade de relacionar o adoecimento/ saúde a função que o colaborador exerce, pois como é trazido por Borsoi (2007), o trabalho passou um longo período de tempo não sendo visto como parte significativa da vida das pessoas. E quando falamos de adoecimento psíquico é que a coisa se complica, pois, na medida em que o transtorno psicológico não é algo objetivo, concreto e palpável, aumenta ainda mais a dificuldade de estabelecer uma relação entre o trabalho e a saúde, neste caso, a saúde mental (BORSOI, 2007; GLINA; ROCHA; BATISTA; MENDONÇA, 2001). De acordo com Fernandes, Melo, Gusmão, Fernandes e Guimarães (2006, p. 2), “Saúde Mental e Trabalho (SMT) não é um tema novo, porém, muito atual. Traz consigo controversa discussão sobre seu conceito e aplicabilidad