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Compreendendo a pedofilia: medidas explícita e implícita
Trata-se, portanto, de um instrumento psicometricamente adequado, que poderá ser utilizado para fins de pesquisa no contexto nacional.
Outro objetivo deste capítulo foi adaptar uma medida implícita de pedofilia. Para tanto, teve-se em conta o Teste de Associação Implícita( TAI) Pedofilia, com base em um teste semelhante desenvolvido por Gray e seus colaboradores em 2005. O TAI-Pedofilia é uma medida implícita que independe da atenção consciente dos indivíduos, tendo em conta respostas dadas espontaneamente, de maneira automática( GOUVEIA et al., 2012; PIMENTEL, TORRES; GÜNTHER, 2011), sendo analisado com base no tempo de associação entre as categorias dos blocos congruente e incongruente, isto é, com base na latência de resposta( GOUVEIA et al., 2014).
No caso do TAI-Pedofilia que foi utilizado no segundo estudo, percebeuse uma associação mais rápida entre as categorias do bloco congruente( criança e não-sexo), com tempo de associação média de 1.249,83 ms, do que as categorias do bloco incongruente( criança e sexo), com latência média de associação de 1.392,45 ms. O escore D mostrou uma força baixa na associação do bloco congruente. Estes resultados mostram que, para os participantes deste estudo, há uma menor tendência de orientação sexual pedofílica, o que é coerente por se tratar de uma amostra não-clínica, isto é, da população geral.
No que diz respeito à relação entre as medidas explícita e implícita, verificouse que o fator geral de atitudes punitivas se correlacionou de forma significativa com o escore D. Essa relação se deu de forma inversa, o que torna possível inferir que, para a presente amostra, aqueles indivíduos que não apresentaram indicadores de orientação sexual pedofílica endossam mais atitudes punitivas em relação a pedófilos. Este achado foi consoante com uma variedade de resultados publicados na literatura científica da área( SCHEFF, 1999; FELDMAN; CRANDALL, 2007; IMHOFF, 2015), visto que a estigmatização de transtornos mentais e a rejeição social resultante é suficiente para aumentar as reações negativas frente a indivíduos com interesse pedofílico, mesmo que estes nunca tenham praticado crime de abuso sexual contra crianças. De tal modo, na medida em que esse transtorno é subjetivamente associado com atos prejudiciais ou mesmo criminosos, a rejeição da sociedade é mais forte e, portanto, a distância social se expande( JAHNKE; IMHOFF; HOYER, 2014). A título de informação, um estudo realizado por Feldman e Crandall, em 2007, verificou que, entre uma lista de 40 transtornos mentais, o único quadro que ultrapassou a pedofilia em termos de negatividade( isto é, rejeição social) foi o transtorno de personalidade antissocial( correspondência diagnóstica 301.7; DSM-V, 2014).
A partir de estudo empírico, Imhoff( 2015) descobriu que o rótulo“ pedofilia” em substituição a um termo mais descritivo de interesse sexual aumenta a estigmatização por parte dos respondentes. Ao mesmo passo, utilizando uma medida de desejabilidade social para controle dos resultados, averiguou que preocupações elevadas com o desequilíbrio social foram associadas com mais atitudes punitivas frente a minorias sexuais. Este resultado notável revela que os participantes de tal estudo perceberam a dura punição de pedófilos como algo socialmente desejável e normativamente esperado, o que é dissonante com que a literatura indica acerca do estigma e do preconceito social( HENDERSON; EVANS-LACKO; FLACH; THORNICROFT, 2012; IMHOFF; BANSE, 2009).
Evidências empíricas no campo da psicologia têm mostrado que pessoas da população geral defendem, de forma mais incisiva, apelos à punição de indivíduos com interesse sexual desviante mesmo que não existam relações sexuais reais ou a ofensa sexual não seja mencionada. Em conjunto, os achados e a literatura sugerem que a estigmatização e as atitudes punitivas contra os pedófilos aparecem em um clima de apoio
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