Série Iniciados Vol. 23 | Seite 280

Compreendendo a pedofilia: medidas explícita e implícita social para tais atitudes. Como argumentam Jahnke e Hoyer (2013), trata-se de um clima que torna mais difícil para as pessoas com interesse pedofílico buscar ajuda terapêutica e, consequentemente, a forte estigmatização da pedofilia pode prejudicar o objetivo social de reduzir os crimes de abuso sexual de crianças. As pessoas sexualmente interessadas ​​em crianças provavelmente serão desencorajadas a procurar ajuda e confessar seus desejos a profissionais se percebem o estigma público como uma barreira muito forte a superar. É, portanto, perigoso, não só para o alvo da estigmatização, se esses pontos de vista negativos forem endossados publicamente. ​​ Apesar dos achados importantes, os estudos ora realizados não estão livres de limitações. Por exemplo, embora tenham sido consideradas pessoas da população geral e universitária, não se pode presumir que sejam representativos deste universo. No entanto, tais estudos não propõem generalizar os achados, mas comprovar os parâmetros das medidas correspondentes, sendo o número de participantes suficiente para este propósito (PASQUALI, 2003), e conhecer as relações entre as variáveis. Para investigações futuras, caberá ampliar a amostra, bem como analisar de forma mais aprofundada a relação entre as informações sociodemográficas e a estigmatização da pedofilia. Por fim, é interessante que outras variáveis sejam incluídas em pesquisas posteriores, de modo a diversificar e ampliar o conhecimento sobre os correlatos de atitudes frente a pedófilos e tendências pedofílicas. A este propósito, poderá ser interessante conhecer os antecedentes das atitudes, como poderão ser os valores humanos e os traços de personalidade, considerando que podem explicar comportamentos sociais, antissociais e delitivos (SANTOS, 2008, MONTEIRO, 2017). Sugere-se também conhecer evidências de validade discriminante da medida de atitudes punitivas com relação à desejabilidade social, tal como realizado no estudo de Imhoff (2015), e, ainda, confirmar os parâmetros psicométricos da escala a partir de análises confirmatórias. Em qualquer caso, um primeiro passo já foi dado para contar com a versão brasileira de tal medida. Referências ATHAYDE, R. A. A. Medidas Implícitas de Valores Humanos: Elaboração e Evidências de Validade. Dissertação de Mestrado. Departamento de Psicologia, Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2012. AZAMBUJA, M. R. F. Violência sexual intrafamiliar: é possível proteger a criança?. Textos & Contextos. Porto Alegre, v. 5, n. 1, p. 1-19, 2006. BABCHISHIN, K. M.; NUNES, K. L.; HERMANN, C. A. The validity of Implicit Association Test (IAT) measures of sexual attraction to children: A meta-analysis.  Archives of Sexual Behavior, v. 42, n. 3, p. 487-499, 2013. BAILEY, J. M. A failure to demonstrate changes in sexual interest in pedophilic men: Comment on Müller et al. (2014). Archives of Sexual Behavior, v. 44, n. 1, p. 249-252, 2015. BASSILI, J. N.; BROWN, R. Implicit and explicit attitudes: Research, challenges and theory. In: ALBARRACÍN, D.; JOHNSON, B. T.; ZANNA, M. P. (Eds.), Handbook of attitudes and attitude change (pp. 543-574). Mahwah, NJ: Lawrence Erlbaum Associates, 2005. 280 Série Iniciados v. 23