Série Iniciados Vol. 23 | Page 278

Compreendendo a pedofilia: medidas explícita e implícita associação implícita muito forte contrária ao objeto de pesquisa, enquanto que valores próximos a + 2 demonstram uma associação implícita muito forte a favor deste objeto( CAI; SRIRAM; GREENWALD; MCFARLAND, 2004). No caso das medidas deste estudo, valores próximos a + 2 refletem uma associação implícita muito forte do bloco congruente( criança + não-sexo), enquanto que valores próximos a-2 evidenciam uma associação implícita muito forte do bloco incongruente( criança + sexo)( RUDMAN; MESCHER, 2012). Em relação à força de associação, valores até 0,15 indicam não haver uma preferência considerável, isto é, a diferença entre a latência da associação do bloco congruente e incongruente não é significativa. A literatura aponta que valores entre 0,16 e 0,35 demonstram uma preferência baixa; de 0,36 a 0,65, moderada; e acima de 0,65, considerase uma preferência forte( GOUVEIA et al., 2014; SIRIRAM; GREENWALD, 2009).
Para a tabulação e análise dos dados, tais como estatísticas descritivas( frequência, medidas de tendência central e dispersão) e correlações para verificar a relação entre as medidas explícita e implícita, foi utilizado o programa SPSS / PASW( versão 21).
Resultados
Inicialmente, pretendeu-se verificar a diferença entre as associações dos blocos congruente e incongruente do TAI-Pedofilia e a ausência de relação. Seguiu-se então o procedimento adotado por Mendes( 2014), no qual é computada uma variável zero, de ausência de relação, e um teste t para medidas repetidas é realizado a fim de obter a significância estatística dessa diferença. Para esta medida, o escore D se diferenciou da ausência de relação [ t( 94) = 4,87, p < 0,001 ].
Como bloco congruente desta medida implícita, reuniram-se as categorias criança e não-sexo, com latência média de associação de 1.249,83 ms( DP = 295,41), enquanto no bloco incongruente as categorias foram criança e sexo, com tempo de associação médio de 1.392,45 ms( DP = 354,99). Observase, portanto, uma associação mais rápida a favor do bloco congruente, com o escore D demonstrando uma magnitude baixa dessa associação( M = 0,22; DP = 0,45).
O TAI-Pedofilia foi adotado como uma medida de orientação pedofílica, dadas suas categorias de estímulo sexo e não-sexo. Neste sentido, a partir da média do escore D( M = 0,22; DP = 0,45), pode-se inferir que, para esta amostra, os indivíduos apresentaram menores tendências à orientação sexual pedofílica, uma vez que associaram o bloco congruente com mais rapidez. Quanto à correlação entre as medidas explícita e implícita, observou-se que o fator geral de atitudes punitivas se correlacionou de forma significativa com o escore D( ρ =-0,22, p < 0,05).
Conclusões
Buscou-se adaptar ao contexto brasileiro a Escala de Atitudes Punitivas frente a Pedófilos, reunindo evidências de sua validade fatorial e consistência interna. Apesar de os critérios utilizados apontarem para a possibilidade de uma estrutura bifatorial, decidiu-se considerar o marco teórico que fundamentou a construção desta escala, mantendo-se um fator geral de atitudes frente a pedófilos.
Avaliando os itens que supostamente comporiam uma estrutura de dois fatores, observou-se que um total de cinco saturou no segundo componente. Entretanto, destes três obtiveram saturação maior que | 0,40 | em ambos os componentes, sendo a carga fatorial mais elevada para o primeiro fator. Mesmo após essa consideração, procedeuse uma análise semântica dos cinco itens, apurando-se que não assumiam um sentido sólido, capaz de justificar a necessidade de dois fatores. Em virtude do exposto, considera-se que a versão final desta escala no contexto do Brasil pode ser composta por dez itens, que definir o fator geral desta medida. Em síntese, a versão ora apresenta, embora mais parcimoniosa, parece abarcar o conteúdo que originalmente se propunha a medir, sugerindo evidências de sua validade de construto( fatorial) e precisão.
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