Compreendendo a pedofilia: medidas explícita e implícita de um menor)( FEELGOOD; HOYER, 2008).
É interessante pautar que pesquisas de caráter neurocientífico sobre pedofilia, assim como potenciais tratamentos e instrumentos de diagnóstico para esta parafilia, aumentaram significativamente ao longo dos últimos anos( CORNEL, 2013). García( 2009) atesta que não há explicações determinantes para as razões que levam um indivíduo a praticar pedofilia, contudo, resultados de estudos neurocientíficos( POEPPL et al., 2013; POEPPL et al., 2015) sugerem que a origem pode ser encontrada, em parte, em prováveis disfunções cerebrais produzidas por eventos adversos que ocorrem durante o desenvolvimento neurológico( CORNEL, 2013). Nessa perspectiva, alguns fatores etiológicos importantes a serem considerados são a genética, possível experiência de abuso sexual, além de desenvolvimento neurológico problemático( MOHNKE et al., 2014).
Supõe-se que a escassez de estudos empíricos no Brasil que visem a investigar esta temática se deve, entre outras razões, ao fato de que a pedofilia é um construto de difícil mensuração, sobretudo em razão dos índices altos de desejabilidade social associados com esta questão. Enquanto método de mensuração explícita que explora crenças estigmáticas, como racismo e homofobia, assim como pedofilia, há a palometria. Este método busca avaliar a excitação sexual em direção às crianças, porém seu uso solicita alto investimento financeiro e exige a exposição de materiais de sexo explícito com infantes( HARRIS; RICE; CHAPLIN; QUINSEY, 1998), o que não está permitido no Brasil.
Outra forma direta de se investigar a pedofilia é por meio de medidas de autorrelato, como entrevistas ou questionários, mas esta medida se torna indevida devido à forte motivação dos pedófilos para disfarçar seus impulsos, assim como o fato de que, em geral, sentem-se ofendidos quanto à sua atração e preferência sexual( GRAY et al., 2005). Por essas razões, psicólogos têm desenvolvido ferramentas que objetivam medir diferentes construtos a partir de meios implícitos, sendo uma dessas o Teste de Associação Implícita( TAI; GREENWALD; MCGHEE; SCHWARTZ, 1998).
Durante décadas, as medidas explícitas têm propiciado bons resultados para o campo da ciência, entretanto estas estão sujeitas a vieses de avaliação, os quais são tanto maiores quanto maior a influência da desejabilidade social no construto avaliado( FREIRES, 2015). Por vezes os pesquisadores se deparam com a dificuldade de não conseguir acessar algumas informações a partir do relato dos indivíduos, logo, as técnicas de mensuração explícita estão sujeitas a uma série de impasses, e o da desejabilidade se refere ao fato de o indivíduo, propositalmente, fornecer informações que não correspondem a seus reais pensamentos e sentimentos, procurando se adequar às normas sociais( GOUVEIA; ATHAYDE; MENDES; FREIRE, 2014).
Diante desse contexto, Seisdedos( 1996) chama a atenção para o fato de que quase todas as ações humanas são construídas a partir de estratégias que visam mostrar a pessoa da maneira mais favorável possível. Esse fato denota a importância de contar com medidas que sejam capazes de controlar esses vieses. Uma das possíveis maneiras de controlar o efeito que a desejabilidade social exerce sobre as respostas dos indivíduos consiste na elaboração de medidas implícitas, as quais conseguem captar associações que fogem do controle consciente da pessoa que é avaliada( ATHAYDE, 2012).
De acordo com Wittenbrink e Schwartz( 2007), as medidas implícitas surgiram na metade do século XIX, após o cientista F. C. Donders afirmar que o tempo requerido em uma atividade mental revela algo fundamental sobre como a mente trabalha. Tal descoberta influenciou diversos estudos, em especial na década de 1980, os quais tinham como objetivo construir medidas implícitas para avaliar construtos sociais, a exemplo das atitudes( BASSILI; BROWN, 2005). Nesse interim, alguns estudos passaram a testar a eficácia dessas medidas e conhecer suas limitações( GEOUVEIA et al.,
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