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Compreendendo a pedofilia: medidas explícita e implícita
2014).
Existem várias estratégias de mensuração implícita( técnica de priming, técnicas de neuroimagem), contudo se observa que o Teste de Associação Implícita( TAI; Implicit Association Test; GREENWALD et al., 1998) tem sido prevalente nas pesquisas. Essencialmente, sugere-se que objetos atitudinais podem espontaneamente ativar avaliações, as quais afetam o tipo e a velocidade de respostas subsequentes. Portanto, esta técnica foi elaborada para não requerer a intencionalidade da pessoa, acessando atitudes que a mesma reluta em revelar ou é incapaz de expressar conscientemente( GOUVEIA et al., 2014).
As medidas implícitas necessitam, assim, de meios indiretos de avaliação, pois averiguam reações afetivas automáticas e imediatas. A partir delas, portanto, é possível entender processos de pensamento calculando o intervalo de tempo entre a apresentação do estímulo e a resposta produzida( WITTENBRINK; SCHWARTZ, 2007). No caso, estima-se que o tempo de resposta será mais rápido quando a pessoa realiza uma tarefa compatível / congruente, como associar a palavra“ flor” com adjetivos positivos( bom, agradável, prazeroso), e será mais lento quando ela realiza uma tarefa incompatível / incongruente, a exemplo de associar“ inseto” com estes mesmos adjetivos( GOUVEIA et al., 2014). Do mesmo modo, para mensuração implícita da pedofilia, prevê-se que a latência de resposta de indivíduos normais será menor quando associam“ criança” e“ não-sexo”( bloco congruente) em comparação a“ criança” e“ sexo”( bloco incongruente).
A fim de conhecer as publicações nacionais sobre a temática, procedeu-se uma busca nas bases de dados Index Psi( www. bvspsi. org. br) e Google Acadêmico( 2016) com as palavras e / ou expressões-chave“ pedofilia” e“ medida implícita”, e“ pedophilia” e“ implicit measures”. A partir dessas buscas, constatou-se que no âmbito nacional ainda não há qualquer publicação de estudo empírico relacionada a medidas implícitas voltadas para pedofilia. À nível internacional, no entanto, foram encontrados os estudos de Gray et al.( 2005) e Babchishin, Nunes e Hermann( 2013).
Considerando a escassez de pesquisas no Brasil que procurem conhecer a pedofilia utilizando medidas implícitas, o presente capítulo pretendeu preencher esta lacuna na literatura. Desse modo, buscou-se adaptar para o contexto brasileiro a medida implícita desenvolvida por Gray e seus colaboradores( 2005), em virtude da necessidade de minorar o componente da desejabilidade social em estudos acerca desta temática, assim como para uma aproximação mais condizente com a realidade em que tal fenômeno ocorre. Adicionalmente, objetivou-se conhecer as propriedades psicométricas da Escala de Atitudes Punitivas frente a Pedófilos( IMHOFF, 2015), além de verificar a correlação entre as pontuações deste instrumento de mensuração explícita e aquelas da medida implícita supracitada.
Metodologia e análise Estudo 1. Escala de Atitudes Punitivas frente a Pedófilos: Evidências Psicométricas
Amostra
Participaram deste estudo 218 estudantes universitários do sexo masculino, de universidades públicas e privadas da cidade de João Pessoa / PB. Suas idades variaram entre 18 e 52 anos( M = 23,6; DP = 5,71), tendo a maioria se declarado solteira( 83,5 %), heterossexual( 91,3 %), católica( 44,0 %) e de classe média( 28,0 %).
Instrumentos
Os participantes receberam um livreto, impresso frente e verso, onde constavam os seguintes instrumentos:
• Escala de Atitudes Punitivas frente a Pedófilos. O instrumento original, desenvolvido por Imhoff( 2015), é constituído por 13 itens( e. g., Pedófilos deveriam ser
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