Série Iniciados Vol. 23 | Page 262

Estudo dos efeitos da reserva cognitiva sobre as queixas subjetivas de memória retrospectiva em uma amostra de idosos sem demência normal no neocórtex humano, envolvendo principalmente as regiões pré-frontais e os córtices de associação temporal e parietal (RESNICK et al., 2003). à recordação do “alvo”, mas também à recordação do contexto de aprendizagem; os efeitos são maiores no resgate do que no reconhecimento. Diante de todas as mudanças advindas do envelhecimento, é muito comum entre os idosos as queixas subjetivas de declínio cognitivo, ou seja, o relato pessoal de diminuição em seu desempenho cognitivo com o passar dos anos. Dentre as queixas relatadas por idosos, o decaimento da capacidade mnemônica geral está presente entre 25 a 50% deles (JONKER et al., 2000), mesmo que em algumas vezes essa queixa não assuma um caráter patológico (PAULO; YASSUDA, 2010). O mais importante, porém, é saber o que essas queixas significam com relação ao risco de progredir a uma demência ou um Comprometimento Cognitivo Leve (CCL). Este último, também conhecido como transtorno neurocognitivo leve de acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais/DSM-V (APA, 2013), é entendido como a fase intermediária entre o envelhecimento normal e a demência, apesar de nem todos os casos seguirem essa progressão (VILLENEUVE; BELLEVILLE, 2012). De acordo com Petersen (2004) os critérios diagnósticos para o CCL consistem em: queixa cognitiva, declínio cognitivo abaixo do esperado para idade, ausência de demência e preservação da autonomia nas atividades da vida diária. O CCL se manifesta em diferentes subtipos que são caracterizados primeiramente de acordo com o funcionamento da memória. Se essa está prejudicada o subtipo é amnéstico, caso contrário, o CCL é diagnosticado como não amnéstico. Ambos os subtipos também incluem a classificação quanto à especificação dos domínios cognitivos afetados, podendo ser de único ou de múltiplos domínios (PETERSEN, 2004). É muito provável que antes do aparecimento da demência – e mesmo antes do CCL – existam fases em que o comprometimento é apenas subjetivo, não podendo ser constatado mediante testes neuropsicológicos, a não ser nas raras eventualidades de que avaliações sequenciais estejam disponíveis. Logo, toda pessoa que relata queixas de memória deveria ser avaliada clinicamente com o objetivo de detectar possíveis comprometimentos e promover intervenção precoce (CARSON et al, 2011). Difunde-se a visão de que a vida atribulada, a necessidade de lembrar- se de senhas e números de diversos telefones, acarrete mais queixas por parte dos idosos. Contudo, em estudo realizado com comunidades ribeirinhas da região amazônica, a cerca de 600 km de Manaus, mais de dois terços dos indivíduos com mais de 50 anos queixaram-se de declínio da memória. As queixas mais frequentes foram esquecer onde colocou os objetos, não lembrar histórias contadas, ter que fazer esforço para lembrar determinada situação ou necessidade imediata e esquecer recados (BRUCKI; MOURA; NITRINI, 2002). As disfunções atencionais raramente são trazidas como queixas por idosos. Elas podem ser incluídas entre os déficits executivos, pela característica marcante de “menor eficiência” associada ao envelhecimento. Sendo a memória o alvo principal de queixas subjetivas, são necessários estudos que detalhem a queixa de memória expressa, uma vez que, queixas de linguagem com frequência são trazidas como queixas de “memória”, como, por exemplo, “dificuldade para lembrar nomes” ou “esquecimento de palavras” (CAIXETA; TEIXEIRA, 2014). Ainda segundo os autores, o comprometimento é mais acentuado em tarefas que solicitam memória operacional e memória declarativa. As dificuldades frequentemente dizem respeito não só 262 Série Iniciados v. 23 A relação entre queixas subjetivas de memória (QSM) e o comprometimento objetivo da memória (medido através de testes) ainda parece inconclusiva com base em alguns estudos transversais pesquisados.