Estudo dos efeitos da reserva cognitiva sobre as queixas subjetivas
de memória retrospectiva em uma amostra de idosos sem demência
normal no neocórtex humano, envolvendo
principalmente as regiões pré-frontais e os
córtices de associação temporal e parietal
(RESNICK et al., 2003). à recordação do “alvo”, mas também à
recordação do contexto de aprendizagem;
os efeitos são maiores no resgate do que no
reconhecimento.
Diante de todas as mudanças advindas
do envelhecimento, é muito comum entre
os idosos as queixas subjetivas de declínio
cognitivo, ou seja, o relato pessoal de
diminuição em seu desempenho cognitivo
com o passar dos anos. Dentre as queixas
relatadas por idosos, o decaimento da
capacidade mnemônica geral está presente
entre 25 a 50% deles (JONKER et al., 2000),
mesmo que em algumas vezes essa queixa
não assuma um caráter patológico (PAULO;
YASSUDA, 2010).
O mais importante, porém, é saber
o que essas queixas significam com relação
ao risco de progredir a uma demência ou
um Comprometimento Cognitivo Leve
(CCL). Este último, também conhecido como
transtorno neurocognitivo leve de acordo
com o Manual Diagnóstico e Estatístico dos
Transtornos Mentais/DSM-V (APA, 2013), é
entendido como a fase intermediária entre
o envelhecimento normal e a demência,
apesar de nem todos os casos seguirem essa
progressão (VILLENEUVE; BELLEVILLE,
2012). De acordo com Petersen (2004) os
critérios diagnósticos para o CCL consistem
em: queixa cognitiva, declínio cognitivo
abaixo do esperado para idade, ausência
de demência e preservação da autonomia
nas atividades da vida diária. O CCL se
manifesta em diferentes subtipos que são
caracterizados primeiramente de acordo
com o funcionamento da memória. Se essa
está prejudicada o subtipo é amnéstico,
caso contrário, o CCL é diagnosticado
como não amnéstico. Ambos os subtipos
também incluem a classificação quanto
à especificação dos domínios cognitivos
afetados, podendo ser de único ou de
múltiplos domínios (PETERSEN, 2004). É
muito provável que antes do aparecimento da
demência – e mesmo antes do CCL – existam
fases em que o comprometimento é apenas
subjetivo, não podendo ser constatado
mediante testes neuropsicológicos, a não ser
nas raras eventualidades de que avaliações
sequenciais estejam disponíveis. Logo, toda
pessoa que relata queixas de memória deveria
ser avaliada clinicamente com o objetivo
de detectar possíveis comprometimentos e
promover intervenção precoce (CARSON et
al, 2011).
Difunde-se a visão de que a vida
atribulada, a necessidade de lembrar-
se de senhas e números de diversos
telefones, acarrete mais queixas por parte
dos idosos. Contudo, em estudo realizado
com comunidades ribeirinhas da região
amazônica, a cerca de 600 km de Manaus,
mais de dois terços dos indivíduos com
mais de 50 anos queixaram-se de declínio
da memória. As queixas mais frequentes
foram esquecer onde colocou os objetos, não
lembrar histórias contadas, ter que fazer
esforço para lembrar determinada situação
ou necessidade imediata e esquecer recados
(BRUCKI; MOURA; NITRINI, 2002).
As
disfunções
atencionais
raramente são trazidas como queixas por
idosos. Elas podem ser incluídas entre
os déficits executivos, pela característica
marcante de “menor eficiência” associada
ao envelhecimento. Sendo a memória o
alvo principal de queixas subjetivas, são
necessários estudos que detalhem a queixa
de memória expressa, uma vez que, queixas
de linguagem com frequência são trazidas
como queixas de “memória”, como, por
exemplo, “dificuldade para lembrar nomes”
ou “esquecimento de palavras” (CAIXETA;
TEIXEIRA, 2014). Ainda segundo os autores,
o comprometimento é mais acentuado em
tarefas que solicitam memória operacional
e memória declarativa. As dificuldades
frequentemente dizem respeito não só
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Série Iniciados v. 23
A relação entre queixas subjetivas
de memória (QSM) e o comprometimento
objetivo da memória (medido através de
testes) ainda parece inconclusiva com base
em alguns estudos transversais pesquisados.