Estudo dos efeitos da reserva cognitiva sobre as queixas subjetivas
de memória retrospectiva em uma amostra de idosos sem demência
(armazenamento de maior quantidade
de conteúdos por períodos prolongados)
(ATKINSON; SGIFFRIN, 1971).
Por possuir uma capacidade limitada,
a memória de curto prazo assume um papel
transitório sendo dependente da atenção.
Já a memória de longo prazo exige níveis
de processamento mais profundos em que
as regiões temporais e diencefálicas estão
intimamente relacionadas, produzindo a
consolidação e evocação das informações
de maneira mais duradoura, o que o torna o
tipo de memória mais afetada pela amnésia
(SQUIRE, 1986).
Baddeley e Hitch (1974) apresentaram
um modelo que amplia a memória de curta
duração, pois a mesma era entendida
apenas como um processo intermediário na
transformação de conteúdos para sistemas
de longo prazo. Esses autores propuseram
a memória de trabalho ou operacional que,
além da retenção, envolve a manipulação
de informações que possibilitam a execução
de tarefas complexas. Outra diferenciação
proposta por Larry Squire consiste na divisão
da memória quanto ao seu conteúdo, podendo
ser declarativa ou explícita, e não declarativa
ou implícita. Ambos são considerados como
subtipos da memória de longa duração
(SQUIRE; KANDEL, 2003).
A memória não declarativa é expressa
através da mudança de comportamento, e
não apenas como uma recordação. De caráter
automático, esse tipo de memória adiciona
conteúdo através da experiência e aprendizado
de ações motoras (SQUIRE; KANDEL, 2003).
A memória declarativa refere-se ao conteúdo
de fatos e eventos que podem ser expressos de
forma consciente, verbal ou por uma imagem
visual. Tulving (1972) ampliou a memória
declarativa e a subdividiu em semântica e
episódica por entender que a cada uma cabe
o armazenamento de conteúdos distintos
e a utilização de referências diferenciadas
no processamento. A memória episódica se
refere ao armazenamento de informações
autobiográficas, como episódios ou eventos
situados em tempo e espaços específicos.
Enquanto que a memória semântica consiste
no conhecimento adquirido sobre fatos do
mundo (TULVING, 1983). Utilizando uma
referência cognitiva, o conteúdo semântico é
menos suscetível a perdas ou interferências
quando comparado ao episódico.
Além das subdivisões citadas, a
memória pode também ser dividida em
retrospectiva e prospectiva. A primeira
envolve a recordação de conteúdos situados
no passado, nela está incluída a grande
maioria dos subtipos de memória já citados,
como a semântica, operacional, de curto
e longo prazo (BADDELEY; EYSENCK;
ANDERSON, 2011). A memória prospectiva
consiste na capacidade de planejar e executar
ações futuras. O sucesso no cumprimento de
uma tarefa prospectiva exige que o indivíduo
primeiramente
planeje
um
objetivo,
retenha-o durante um intervalo de tempo,
recupere-o e o execute de acordo com o
plano inicial. Diante de toda essa demanda,
o funcionamento da memória prospectiva
envolve outras funções cognitivas como
memoria operacional, funções executivas e
atenção (EINSTEIN; MCDANIEL, 1990).
Alguns subsistemas de memória são
mais vulneráveis ao envelhecimento, como a
memória operacional e a memória episódica
recente são as mais comprometidas. A
capacidade de recordar-se dos fatos que
ocorreram com o indivíduo no passado
encontra-se pouco afetada, além disso,
lembrar-se de que Paris é a capital da França
ou que a água ferve a 100º C ao nível do mar,
também se preserva (CAIXETA; TEIXEIRA,
2014). Além disso, com o aumento da idade,
os déficits sensoriais são mais frequentes e
podem repercutir na qualidade do registro
de informações. Zibetti et al. (2006), ao
comparar o desempenho de pessoas de 70-
75 anos e 79-90 anos, encontraram que os
últimos apresentaram maior declínio na
percepção, resolução de problemas, fluência
verbal e memória (operacional, episódica
e prospectiva) em comparação com os
primeiros. Diversos estudos de ressonância
magnética relataram um padrão consistente
de redução do volume de substancia
cinzenta associado ao envelhecimento
Série Iniciados v. 23
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