Estudo dos efeitos da reserva cognitiva sobre as queixas subjetivas
de memória retrospectiva em uma amostra de idosos sem demência
de proporcionar intervenções eficazes e
melhorar a qualidade de vida na terceira
idade. Há muito é reconhecido que o
envolvimento em atividades físicas ajuda
a prevenir doenças vasculares. Da mesma
forma, a participação em atividades
cognitivamente e stimulantes tem sido
sugerida para diminuir a taxa de atrofia
do hipocampo no envelhecimento normal.
Esses fatores, em conjunto, são essenciais
para a conservação e expansão da chamada
Reserva Cognitiva (RC), que pode interferir
diretamente para um envelhecimento
cognitivo saudável.
Por esta razão, percebe-se a
necessidade de se ampliar a compreensão
atual sobre as variáveis que podem modular as
queixas de memória, visto que o autorrelato
do paciente possui relevância nas decisões
clínicas no contexto do envelhecimento.
Assim, são necessárias pesquisas para a
reformulação de conceitos de prevenção,
diagnóstico, tratamento de alterações
cognitivas em idosos saudáveis, assim como
a promoção de sua saúde.
A seguir, neste capítulo, serão
apresentados os achados que fazem parte da
experiência de pesquisa no desenvolvimento
do plano “Estudo dos efeitos da reserva
cognitiva sobre as queixas subjetivas de
memória retrospectiva em uma amostra
de idosos sem demência”, pertencente ao
projeto de Iniciação Científica (IC) intitulado
“As queixas subjetivas de memória
prospectiva e retrospectiva: uma análise
dos fatores de proteção e vulnerabilidade
em idosos sem demência”, orientado pelo
Professor Dr Bernardino Fernández Calvo
no período correspondente a um ano (2016-
2017).
O objetivo deste capítulo foi investigar
a relação entre a RC e QSM em idosos.
Especificamente, investigar se a RC e seus
diferentes fatores (atividades intelectuais,
físicas e sociais) reduz a frequência e tipo
de QSM retrospectiva em idosos saudáveis,
residentes na comunidade.
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Série Iniciados v. 23
Fundamentação teórica
O estudo do envelhecimento tem
merecido amplo destaque na literatura
mundial, impulsionado pelas mudanças
de perfis populacionais, que se expressam
tanto pelo aumento do número de idosos
quanto pelo aumento de expectativa de vida
(MANSUR; RADANOVIC, 2004).
Segundo dados do IBGE, em 2008,
para cada grupo de 100 crianças de 0 a 14
anos existiam 24,7 idosos de 65 anos ou mais.
Em 2050, o quadro mudará: para cada 100
crianças de 0 a 14 anos existirão 172,7 idosos
(INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA
ESTATÍSTICA [IBGE], 2013).
Independentemente de doenças,
notam-se mudanças primárias com o
envelhecimento, que resultam da passagem
do tempo e que podem ser aceleradas ou
retardadas de acordo com o estilo de vida,
mas são geralmente evidentes na quarta ou
quinta década de vida, graduais e inexoráveis
(CAIXETA; TEIXEIRA, 2014). As modificações
associadas ao envelhecimento com maior
frequência são a diminuição de velocidade
de processamento de informações e a de
memória, embora diversas outras funções,
tais como a função motora ou o controle
motor fino, também sejam afetadas
(YEOMAN; SCUTT; FARAGHER, 2012). A
redução da velocidade de processamento
de informações tem impacto sobre diversos
domínios cognitivos, mas compromete
sobretudo as funções executivas.
A memória tem sido a função
cognitiva mais frequentemente descrita
como acometida no envelhecimento, mas
nem todas as formas o são do mesmo modo. A
memória consiste na capacidade de codificar
informações,
armazená-las
e
evocá-
las em momento oportuno (BADDELEY;
EYSENCK; ANDERSON, 2011). No processo de
envelhecimento, uma das principais queixas
dos idosos são as dificuldades na capacidade
mnemônica. Uma das formas de classificação
da memória refere ao tempo de retenção
das informações, que podem ser de curto
prazo (retenção de um número reduzido de
informações por segundos) ou longo prazo