Série Iniciados Vol. 23 | Page 260

Estudo dos efeitos da reserva cognitiva sobre as queixas subjetivas de memória retrospectiva em uma amostra de idosos sem demência de proporcionar intervenções eficazes e melhorar a qualidade de vida na terceira idade. Há muito é reconhecido que o envolvimento em atividades físicas ajuda a prevenir doenças vasculares. Da mesma forma, a participação em atividades cognitivamente e stimulantes tem sido sugerida para diminuir a taxa de atrofia do hipocampo no envelhecimento normal. Esses fatores, em conjunto, são essenciais para a conservação e expansão da chamada Reserva Cognitiva (RC), que pode interferir diretamente para um envelhecimento cognitivo saudável. Por esta razão, percebe-se a necessidade de se ampliar a compreensão atual sobre as variáveis que podem modular as queixas de memória, visto que o autorrelato do paciente possui relevância nas decisões clínicas no contexto do envelhecimento. Assim, são necessárias pesquisas para a reformulação de conceitos de prevenção, diagnóstico, tratamento de alterações cognitivas em idosos saudáveis, assim como a promoção de sua saúde. A seguir, neste capítulo, serão apresentados os achados que fazem parte da experiência de pesquisa no desenvolvimento do plano “Estudo dos efeitos da reserva cognitiva sobre as queixas subjetivas de memória retrospectiva em uma amostra de idosos sem demência”, pertencente ao projeto de Iniciação Científica (IC) intitulado “As queixas subjetivas de memória prospectiva e retrospectiva: uma análise dos fatores de proteção e vulnerabilidade em idosos sem demência”, orientado pelo Professor Dr Bernardino Fernández Calvo no período correspondente a um ano (2016- 2017). O objetivo deste capítulo foi investigar a relação entre a RC e QSM em idosos. Especificamente, investigar se a RC e seus diferentes fatores (atividades intelectuais, físicas e sociais) reduz a frequência e tipo de QSM retrospectiva em idosos saudáveis, residentes na comunidade. 260 Série Iniciados v. 23 Fundamentação teórica O estudo do envelhecimento tem merecido amplo destaque na literatura mundial, impulsionado pelas mudanças de perfis populacionais, que se expressam tanto pelo aumento do número de idosos quanto pelo aumento de expectativa de vida (MANSUR; RADANOVIC, 2004). Segundo dados do IBGE, em 2008, para cada grupo de 100 crianças de 0 a 14 anos existiam 24,7 idosos de 65 anos ou mais. Em 2050, o quadro mudará: para cada 100 crianças de 0 a 14 anos existirão 172,7 idosos (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA ESTATÍSTICA [IBGE], 2013). Independentemente de doenças, notam-se mudanças primárias com o envelhecimento, que resultam da passagem do tempo e que podem ser aceleradas ou retardadas de acordo com o estilo de vida, mas são geralmente evidentes na quarta ou quinta década de vida, graduais e inexoráveis (CAIXETA; TEIXEIRA, 2014). As modificações associadas ao envelhecimento com maior frequência são a diminuição de velocidade de processamento de informações e a de memória, embora diversas outras funções, tais como a função motora ou o controle motor fino, também sejam afetadas (YEOMAN; SCUTT; FARAGHER, 2012). A redução da velocidade de processamento de informações tem impacto sobre diversos domínios cognitivos, mas compromete sobretudo as funções executivas. A memória tem sido a função cognitiva mais frequentemente descrita como acometida no envelhecimento, mas nem todas as formas o são do mesmo modo. A memória consiste na capacidade de codificar informações, armazená-las e evocá- las em momento oportuno (BADDELEY; EYSENCK; ANDERSON, 2011). No processo de envelhecimento, uma das principais queixas dos idosos são as dificuldades na capacidade mnemônica. Uma das formas de classificação da memória refere ao tempo de retenção das informações, que podem ser de curto prazo (retenção de um número reduzido de informações por segundos) ou longo prazo