“Sim! A gente tem o que dizer!” (e-book) | Page 33

tradicionais pinturas avermelhadas ainda permaneciam ao redor de seu rosto cansado. Naquele célebre momento, o casal começou a contar uma história antiga, vivida por eles. Naquela época, em que as cinco tribos da região possuíam seus guardiões divinos, todos os integrantes da comunidade viviam em paz; até que uma delas declarou guerra contra as demais, ocasionando a morte de um dos animais celestiais. Cinco idosos discutiam sobre uma solução para o acontecimento que acabara de ocorrer, todos indignados. Um grande incêndio devastara parte relevante da Amazônia, ocasionando a morte de muitas árvores, plantas e animais. Além disso, a morte de Jurema - o espírito celestial que adotava o formato de uma onça - era um forte agravante para a situação. O fogo fora causado por um grupo de nativos de uma tribo rebelde, que havia se dirigido àquela parte da floresta para caçar. Um deles estava com a intenção de capturar um dos animais celestiais que ali habitava, para entregá-lo a um novo povo que estava mantendo contato com sua tribo em troca de vários itens. Diante desse objetivo, ele pensava em um jeito de agir para que não fosse incriminado, dado a gravidade da situação. Mediante essa vontade, uma grande ideia lhe sobreveio à mente: iria causar um pequeno incêndio, próximo à morada da onça celestial. Ele não pensou duas vezes: colocou fogo na oca onde a onça dormia. Incontrolável, ele começou a se expandir, deixando os habitantes da região desesperados e preocupados. Em meio a todo esse sentimento, Jurema, desempenhado seu papel de guardiã, auxiliava na evacuação de todos - tanto animais como humanos -. Diante de todo o alvoroço, enquanto corria para proteger um casal de filhotes, a onça acabou em uma armadilha que lhe deixou presa. Alguns nativos, e mesmo alguns animais, tentaram voltar para ajudá-la a escapar; Jurema, no entanto, insistia bravamente para que todos corressem e se salvassem. O fogo foi se alastrando e a onça não conseguiu se soltar. Cada vez mais fraca, esvaziada de seus poderes celestiais, sentiu que suas forças estavam se esgotando... até que deu seu último suspiro. Graças a um rio que ali passava, o fogo parou de se alastrar, mas não se apagou. A destruição já era imensa. Os nativos, controlando a região onde 33