“Sim! A gente tem o que dizer!” (e-book) | Page 32

Era uma noite escura, embora iluminada pela luz da lua. Em meio à mata se encontrava um casal de anciãos que havia vivido na época de ouro de sua civilização, quando divindades viviam juntas dos humanos. O casal estava sentado em volta de uma grande fogueira, que iluminava os arredores de toda a pequena tribo, composta por moradas feitas de folhas e madeira. - Era uma época onde a paz reinava nas tribos – disse a idosa mulher -, mas isso mudou quando uma tribo rebelde, influenciada por outros povos, se rebelou. A terra onde eles se encontravam era úmida e a grande fogueira mantinha aquecidos os nativos ali assentados. Eles se vestiam de modo diferente, de um modo belo. Os homens ostentavam pinturas de cor prata em seus braços, que brilhavam diante da luz da fogueira; as mulheres eram lindas e usavam saias feitas de folhas de árvores e plantas. Tintas adornavam seus rostos, em cores vermelha e branca e seus cabelos longos e negros como a noite, com o auxílio de grandes colares, cobriam seus seios. O casal de anciãos, de um lado da fogueira, estava sentado sobre troncos de árvores. O idoso era cego e tinha olhos leitosos, brancos como as nuvens no céu. Ele não possuía pinturas prata em sua pele mas, sim, um longo colar feito de pedras preciosas e únicas, presente de uma deusa. A senhora ao seu lado tinha cabelos longos e grisalhos; usava vestes coloridas com flores secas, as quais já haviam perdido muito de sua cor ao longo do tempo. Seu cabelo trançado era adornado com penas escuras e uma saia de palhas secas recaía sobre seu corpo. Ao contrário do ancião, ela ainda mantinha sua visão, e as 32