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ter um lado mágico, empático, de receber um convidado. No Brasil, é preciso quebrar uma cultura. E como manter 71 mil colaboradores nessa excelência, nessa grandeza de atendimento? Tudo dentro do parque, den- tro das instalações é seguro. E eles não têm apenas os quatro parques. Eles têm resorts, centenas de hotéis. Só em um dos maiores hotéis, há 1.453 quartos. E o que é mais bacana é que eles geram por espaço, o que é muito clássico do americano. Eles fazem processos. Quem trabalha no hotel X, a família dele é a do hotel X. Ele tem que fazer de tudo, a missão, visão e valores dentro daquele contexto. Eles são avaliados desde a satisfação do cliente, até os processos. Então, quando você tem todo esse aparato, a sua casa, o seu departamento é aque- le. Os próprios colaboradores têm uma quebra de cultura. Eles mesmos se reúnem e criam a missão, visão e valores, deles mesmos, não totalmente da empresa. Qual é o propósito que faz com que defendam essa empresa, esse hotel, esse resort. Há um cuidado muito grande com o atendimento. Se uma criança chora, fica doente e volta para o quar- to, no parque do médico, há uns seis médicos à disposição. Quando eles descobrem, há uma conexão da comunicação muito forte. Um médico avisa que tal criança adoeceu e está no resort tal. Quando o pai e a mãe chegam dentro desse resort, eles encontram nesse local um ursinho e um recadi- nho do “Mickey” assinado, dizendo que espera que saia logo de tal situação, esperando melhora. Então, isso surpreende. O fator surpresa também passa pela gestão dessas pessoas. Cada uma delas tem o seu nicho, elas respondem por um ponto. Elas são um todo, mas o trabalho delas de excelência é pontual, desde o carregamento das malas, a limpeza do chão, até o poder mais alto de gestão. Em Orlando, um aluno que fez o Master Coach Business comigo disse que uma moça que o atendeu em um hotel de lá não era muito simpática e ela trabalhava na Disney. Deve ser por isso que ela não trabalha mais, eu disse a ele. Ela fa- lou que lá tinha muita disciplina, mas precisamos dela para um tratamento de maestria. Muitas vezes o colaborador não vai estar legal, o que é normal afinal, somos seres humanos, ele pode ter adoecido, alguém pode não estar legal. Então, eles dão um banho de energização e, no momento de aber- tura dos portões, os clie ntes são os reis e devem ser tratados com maestria. O foco é o cliente. Dentro do Magic Kingdon, há uma área que retrata o velho oeste, de 1860 e um fun- cionário, na época em que Walt Disney ainda era vivo, se aproximou com um carro. Mandou ele parar e disse que um carro não poderia estar ali devido à época que estava sendo representada. Então, ele mesmo criou tudo com uma siner- gia que todos precisavam vestir, ser aquilo ali para o cliente. Não basta apenas aparentar. Os quatro pilares do grande império A Disney possui quatro pilares que precisam ser levados em consideração. O primeiro,é a segurança. Tudo dentro da Disney preza pela segurança do seu cliente, o que também precisa acontecer, por exemplo, em um hospital, dentro das empresas de forma geral. Quando falamos em segurança, te- mos uma estatística que diz que pode acontecer algo errado em 1 em 1 milhão. Para a Disney, essa estatística não serve. Se você tiver dez milhões de pessoas, você teria chance de errar dez vezes. São 67 milhões de pessoas por ano e eles não podem correr esse risco. Então, o que a Disney faz? É um para 100 milhões o risco inicial que eles podem correr. O segundo pilar é a cortesia. Tudo é gesto e se você pas- sar por dentro do parque, você vai perceber que as pessoas, nas indicações, fazem um gesto com dois, três dedos ou a mão inteira nas indicações. Qualquer indicação que você perguntar para qualquer colaborador, ele vai esticar a mão de uma dessas formas pois, em algumas civilizações, quan- do você aponta o dedo, é um sinal de agressão, a pessoa se sente incomodada. Então, a cortesia é em todos os momen- tos, com ou sem convidados indelicados ou insatisfeitos. O cuidado com clientes é nos mínimos detalhes. Walt Disney ficava em um segundo piso só observan- do as pessoas. Ele chegou a tirar o horário de almoço de funcionários de cima para um subsolo, pois ele não queria ninguém atravessando nos espaços que pudessem atrapalhar as pessoas. O cuidado que ele tinha com o cliente nasceu de uma necessidade que ele teve lá atrás quando pegou suas filhas e levou a um parque. Foi mal atendido, havia sujeira, não havia cortesia, ele se sentiu incomodado. A partir daquele momento, ele percebeu que poderia fazer algo com excelência. O terceiro pilar é o espetáculo. Tudo precisa funcionar como se fosse em um espetáculo, em um show. Não há uma segunda chance para ser algo fantástico. Um espetáculo precisa ser fantástico de primeira. E isso é tão importante que, quando eles dão um feedback ao funcionário, eles identificam com a palavra show. Ou o show foi bom, o que sig- nifica sucesso do início ao fim, o processo, as pes- soas saíram satisfeitas, ou o show foi ruim, o que significa alguma coisa que precisa ser reparada, revista e refeita. É claro que eles já erraram várias 79 Revista Shark Coaching