Senhorita Camaleão | Seite 9

Foto: Pepê a podle e Flor editoras do blog resgatadas pela Nadia das ruas em situações muito dificiei. Hoje elas podem se sentir seguras.

RSC: O que cresce mais, nos dias de hoje, adoção ou o abandono?

NS: Não temos estatísticas oficiais, mas a prefeitura de Belo Horizonte contabiliza que a cidade tem cerca de 30 mil cães abandonados. O número de adoções é lento, sobretudo, porque devem ter qualidade, o que a gente busca conseguir via entrevistas minuciosas com os candidatos para traçar o perfil sócio-econômico-cultural direcionado à condição de um tutor responsável.

RSC: Você consegue perceber o motivo de tantos casos de cães abandonados?

NS: Aquisições por modismos, pelo status que esse animal pode vir a proporcionar, o cão da moda, a partir de filmes, novelas, uma aquisição por impulso, sem planejamento, sem levar em consideração o tempo que esse animal vai viver junto a você e a sua família, por cerca de 15, 20 anos, dependendo de seus cuidados e atenção nesse período. A manutenção de um cão ou de um gato gera custos. Hoje em dia, a gente tem resgatado muito poodle, não somente vira-lata, os mestiços ou também chamados de sem raça definida (SRD). São cães que exigem cuidados específicos com a pelagem, gastos semanais, ou no mínimo, mensais com pet shop. O animal é uma vida, exige cuidados, não um objeto trocável quando dá defeito. Se o animal adoece, ele deve ser levado ao médico. Antes de adoecer, ele deve ser vacinado, passar por consultas com médico veterinário.

RSC: Então, hoje em dia, não existem somente vira-latas nas ruas?

NS: Vejam bem, há um preconceito enorme em torno dos vira-latas. Um preconceito ignorante. São cães muito mais resistentes que os de raça pura. Até porque, vira-lata é uma mistura de raças. Se houve um cruzamento entre um basset e um yorkshire, por exemplo, esse filhote já é um vira-lata. Há uma espécie de depuração genética nessa mistura, com crias mais resistentes ao longo do tempo, pegando o que cada raça tem de bom e eliminando o que tem de ruim.

RSC: O que vem a ser um protetor de animais? O que ele faz?

NS: Protetor não é profissão. É aquela pessoa que, naturalmente, se sensibiliza com a dor do outro. E reage fazendo algo para minimizar, eliminar, aquele sofrimento. Um protetor de animais é persistente, é resistente às críticas, comparações. Para um protetor de animal, não há comparação entre salvar um animal e ajudar qualquer outro ser que necessite de ajuda. Em geral, quem critica, não ajuda nem animal, nem idoso, nem criança. Apenas aponta o dedo indicador, julgando e crucificando quem está descruzando os braços e fazendo algo para mudar a realidade difícil de quem está sofrendo, mesmo que seja um cão ou um gato que, diga-se de passagem, sofrem nas mãos do ser humano, vítimas da ação desse ser chamado de humano.